O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Navios etéreos

 



 

Pensamentos são como navios:

navegam pela alma sem cessar

e somente ancoram quando o capitão permite.

Quem é o capitão do seu reino interior?

 

Há mar no reino de dentro,

há mar, areia, sol e nuvens.

E há navios estranhos também,

que sussurram loucuras sob a lua.

 

Quantas loucuras beijaram a sua mente?

Um mar silencioso, profundo e dormente

vencerá o peso de um grande navio?

Seja racional para não ser febril!

 

Eu vi um farol de poesia na praia,

eu vi uma estrela-guia no céu.

E eles me guiaram para casa

antes do navio do pensar me perturbar.

 

Os navios etéreos do pensamento

são carregados de muitas loucuras.

Sou princesa do mar bondoso da luz,

não sei nadar na sombra que seduz.


Prefiro nadar sob a luz do dia,

sou sereia, princesa e sacerdotisa.

Mas, ainda não sou a rainha sombria

que beija a tristeza sem ficar abatida.

 

Prefiro fugir dos pensamentos tristes

como uma sereia que escapa das redes

e que se esconde de tantos navios.

Seja prudente para não ser febril!


Poesia escrita por Tatyana Casarino. 







O poema reflete sobre a importância de gerenciar os pensamentos com sabedoria. Se a mente é como o mar, é preciso navegar sobre os pensamentos com inteligência. 


Fonte das imagens: Pinterest.

Desejo

 





 

O desejo é como a cachoeira,

mas uma cachoeira em brasas.

Ele dita o prazer e foge da luta,

ele beija a alma e acende o corpo.

 

A luta mais pura é contra o desejo,

mas todo esse combate é em vão.

Não aniquilamos os desejos do nosso corpo,

transmutamos em oração ou cedemos à paixão.

 

A paixão consumada com alma

é como uma oração amorosa:

cheia de esplendor e prosa.

Amar o desejo é purificá-lo inteiro.  

 

Não podemos ceder às paixões vis,

eis que a carne pela carne prende a alma.

Mas, podemos trazer beleza à paixão

por meio do amor, o cavaleiro da salvação.

 

A paixão com amor liberta a alma,

o desejo belo é um anjo aceito.

Os isentos de desejo não são os eleitos,

pois estes são os que transmutaram o desejo.


Poesia escrita por Tatyana Casarino. 







Esse poema retrata a função do desejo na evolução espiritual. Em vez de aniquilar o desejo, aquele que almeja a transcendência precisa purificá-lo. O verdadeiro crescimento espiritual não nasce da repressão, mas da paz interior. E a paz de espírito é o presente de quem sabe ordenar os impulsos da alma e transmutar o desejo em beleza por meio do amor. 

sábado, 18 de julho de 2026

Quando o vento sopra beleza

 



Quando o vento sopra beleza,

pérolas formam o corpo da mulher.

Surge uma deusa da concha e do sonho,

pétalas de flores caem em seu belo corpo.

 

Um corpo imaculado sob a luz,

apreciado pela natureza vibrante.

Ela é a sabedoria pagã do passado,

ela também é a pureza cristã do presente.

 

Ela surge da água formosa,

banhando os olhares de beleza.

Seus cabelos ruivos dançam ao vento,

sua alma é maravilha sem lamento.

 

Ela é o casamento do fogo e da água,

ela é a deusa desejada e intocada.

Pode chamá-la de Vênus ou de Afrodite,

ela é a beleza personificada que existe.

 

O vento levanta a beleza da água,

Assim como ergue a onda do mar.

E, soprando flores pelo infinito,

a alma da rosa transforma o espírito.


A sua beleza é apreciada por todos.

rara unanimidade que brilha.

Pela beleza, ela sopra a paz.

Pelo silêncio, ela emana poesia.

 

Afrodite é a beleza pura,

a beleza mais pura que existe.

O seu retrato demonstra amor,

desejo imaculado, libido sem ardor.

 

Musa intocável dos poetas,

paixão platônica pela vida.

Sem beleza, tudo seria tristeza.

Sem beleza, não haveria certeza.

 

A beleza ainda salvará o mundo,

pois ela emana paz e moral.

Quem respeita a beleza é nobre,

eis que a estética vence o mal.


Poesia escrita por Tatyana Casarino.





O poema foi inspirado na pintura "O Nascimento de Vênus" do artista italiano Sandro Botticelli. No quadro, a deusa do amor e da beleza emerge das águas em uma concha, a qual é soprada para a margem por Zéfiro, o Vento Oeste, símbolo das paixões espirituais. A deusa recebe um manto bordado de flores de Hora (as Horas eram as deusas das estações).

A poesia expressa o espírito da beleza que está além da estética: trata-se da atmosfera de paz e sabedoria que a beleza espiritual transmite para o mundo por meio da harmonia entre as formas e a natureza. 

O poema transmite a ideia de que existe uma beleza misteriosa entrelaçada ao caminho da bem. A famosa frase "A beleza salvará o mundo" (atribuída ao escritor russo Dostoiévski) inspira os versos sobre a missão da beleza na sociedade: despertar o espírito humano para ideais nobres e elevados. 


Tatyana Casarino. 



Ainda há uma doce crença

 



 

Na infância, tudo era brilho:

o mar, o sol, o parque e o rio.

Na tempestade, víamos emoção,

e, na calmaria, brincar era imensidão.  

 

Hoje, o tédio corrompe o dia,

e o cansaço ceifa a alegria.

O dia especial é mais um,

o calendário é um contrato.

 

Queria artes, dança, brilho!

Queria rugir como um leão

e criar até o mais doce infinito.

A rotina é um cárcere sem filtro.

 

Não sei se nasci para ser triste

ou se nasci para ser bem feliz.

Ainda não me encontrei por aqui.

Queria ser poetisa. Será que consegui?

 

O céu mente sobre nós na infância,

pois lá tudo era inocente e possível.

Amar, casar e ser feliz para sempre,

ter um trabalho lindo, nobre e ardente.


O céu mente sobre nós na infância,

pois as catedrais brilhavam mais.

Eu olhava para os vitrais e sorria!

Quão gloriosa parecia ser a vida!

 

O futuro parecia um mar de sonhos,

um mar de sonhos a realizar.

O sol penetrava nos vitrais,

minha cor favorita a brilhar.

 

Cores fabulosas refletidas no olhar,

olhar de criança doce, perdido no alto.

Hoje, adultos escravizados e tristes

vivem a olhar para uma tela abaixo.

 

O céu mente sobre nós na infância,

porque a vida parecia um sonho,

um sonho colorido a brincar e desbravar.

Hoje, não somos sequer parte da dança.

 

Não nos sentimos adultos inteiros,

não temos sonhos nem dinheiro.

Tudo o que resta é a persistência,

visto que ainda há uma doce crença.

 

Poesia escrita por Tatyana Casarino. 





Esse poema foi inspirado em uma pintura do artista inglês Herbert James Draper. O título da pintura é: "O céu mente sobre nós na infância". 

A obra traz uma atmosfera reflexiva que captura a transição entre a inocência da criança e a realidade da vida adulta. O olhar puro e idealista da menina somente é capaz de mirar o céu enquanto ela reza por um futuro brilhante. 

A garota não percebe o semblante triste dos adultos ao seu redor, que não são iluminados pela luz do sol e que, provavelmente, estão rezando em busca de alívio para as suas realidades cinzentas e sombrias. 

A luz que atravessa o vitral ilumina apenas a criança, porque ela é a única que está conectada com o céu e com as possibilidades infinitas de alegria do mundo espiritual. 

Apesar do tom melancólico e reflexivo, o poema, a pintura e o título da pintura carregam uma dose de bom humor. Afinal, o contraste entre a infância e a vida adulta pode ser visto como uma comédia também. 

O final do poema traz uma mensagem de esperança: quem carrega a criança interior em seu coração sempre terá uma doce crença sobre a vida. 


Tatyana Casarino. 

 

 

 

terça-feira, 26 de maio de 2026

O espelho dos homens sombrios














Perguntam-me por qual motivo

eu gosto de ler sobre tantos vilões.

Heathcliff tem a sua vingança,

Erik é a mais soberba abundância.

 

O orgulho do Fantasma da Ópera

é como as chamas da alma em brasa.

A ira da Fera esconde uma rosa

dentro de uma redoma bela e secreta.

 

Dentre mil pétalas de fúria e redenção,

eu sou a princesa Bela, eu sou a Fera,

eu sou a Christine, eu sou o Fantasma.

Eu sou Cathy? Eu posso amar o Heathcliff?

 

Eu sou o bem, eu conheço o mal,

eu sou o perdão, eu guardo o rancor,

eu tenho a sombra, eu sou a iluminação,

eu toco o pecado e abraço a redenção.

 

No abismo do Heathcliff, eu vejo:

o mar da fúria e a dor do preconceito.

Eis aquele menino órfão e rejeitado

que virou o nosso vilão dos desejos.


No castelo da Fera, eu vejo:

uma biblioteca de saberes proibidos,

a origem do mal, a minha libido,

o choro do orgulho, o riso sem juízo.

 

No subterrâneo da Ópera de Paris,

eu vejo uma máscara que me desmascara.

Eu sou o Erik, um anjo sozinho e magoado,

que beija a música para aliviar o seu fardo.

 

Por trás dos homens mais sombrios,

há orgulho, ira, ferida e luxúria.

Por trás das máscaras, as fadas

que transformam dor em fartura.

 

Diferentemente de Heathcliff e de Erik,

Adam nasceu em berço de ouro.

Mas, sem amor e com mimos materiais,

tornou-se o mais soberbo dos mortais.

 

Heatchiff e Erik nasceram pobres,

enfrentaram as dores da exclusão.

A ferida fez nascer um grande vulcão,

cheio de volúpia, poder e tentação.

 

O espelho dos homens sombrios

são as mulheres puras e passionais.

O remédio da Fera foi o amor da Bela,

e o de Heathcliff foi o tormento de Catherine.

 

E, para o Fantasma da Ópera,

o remédio foi a moça da ternura.

Christine não cantava sobre mágoas,

cantava sobre o amor – e isto o curava.


Poesia escrita por Tatyana Casarino.





O poema aborda a história dos personagens mais sombrios da literatura, do cinema e do teatro musical: Adam (A Bela e a Fera), Heathcliff (O Morro dos Ventos Uivantes) e Erik (O Fantasma da Ópera). 

Os versos revelam as características semelhantes entre os personagens e a forma como esses homens refletem as sombras psicológicas das mulheres (Bela, Catherine e Christine) e dos leitores. 


Taty Casarino. 


Fonte das imagens: Pinterest. 

Coruja

 



 

Coruja, onde está tão pequenina?

E, teus olhos, dois faróis de poesia,

por que me olharam por trás da neblina?

Tu és o símbolo das letras e da sabedoria.

 

Passeando nos bosques, eu vi tua aura,

coberta de luz, coberta de prata na mata,

pousando o mistério à beira da estrada.

Teus olhos fitaram a minha alma!

 

Quis saber do teu canto, oh! coruja!

Mas, tu não cantaste nem um pio.

O silêncio é o teu refúgio profundo,

assim como a solitude é o teu escudo.

 

Sou assim como o teu espírito:

quieta de dia e brava de noite.

Meus olhos veem tudo no escuro,

caço o alimento no abismo profundo.

 

Também gosto de silêncio de dia,

também gosto das estrelas da noite,

também gosto do mistério e da solidão.

Tenho profundidade no meu coração.


Observo as pessoas como uma coruja,

fito os olhos delas até ver as suas almas.

Assustadas, elas se sentem despidas,

mas não faço nada além de poesias.

 

Coruja, coruja, não tenho medo de ti.

Amo os teus olhos negros e simpáticos,

amo a tua cor marrom e o teu voo enigmático.

Os animais noturnos são os mais belos e bravos!

 

Coruja, coruja, por que me olhas assim?

Tu me conheces do mundo infinito?

Ou será que és um recado divino?

Em tua sombra, encontro abrigo.


Poesia escrita por Tatyana Casarino.





Este poema retrata a coruja como um símbolo de introspecção, mistério, sabedoria e silêncio. 

 

 

 

sábado, 7 de março de 2026

Como acalmar um lobo selvagem?




Há, dentro de nós, um labirinto.

Um labirinto de lobos famintos,

uma terra de puros instintos. 

Freud chamou isso de libido.


Mas, Jung decifrou o labirinto

com o seu mundo arquetípico. 

No inconsciente coletivo do mundo,

somos todos os mitos belos e profundos. 


O lobo não é mau nem cruel.

Ele é o impulso da sobrevivência,

que enche o ego para suprir a carência. 

Sem ele, não haveria poesia e beleza. 


O mundo lá fora que é cruel,

pois sufocou os lobos de dentro.

Encarcerados, eles ficaram violentos.

Quando deixaremos de ser sedentos?


Eu tenho um lobo dentro de mim,

um lobo que uiva para a lua cheia,

um lobo que quer a pura natureza

e que não se contenta com a civilização.


Eu quero voltar a acreditar em Rousseau

e abandonar as ideias de Hobbes e de Maquiavel.

Eu quero acreditar que somos bons por natureza,

eu quero acreditar e arder na suprema beleza. 


A civilização corrompeu a bondade

com as suas máscaras de piedade. 

Eu quero viver numa chácara modesta

e, no meio da floresta, ser feliz de verdade. 


Se eu beijasse o Tarzan, eu seria uma flor.

E, juntos, seríamos felizes em uma selva

como o casal primordial, como Adão e Eva.

Mas, desta vez, eu não morderia o fruto.


Eu desejo ser a rainha da floresta

como uma fada que dança e encanta. 

E, dentro do bosque mágico, eu voaria

como a pomba da paz na terra divina. 


Enquanto danço sob a lua cheia,

sou a loba feroz e sou a flor do campo. 

Como no início dos tempos, sou a paz.

Como no fim dos tempos, sou o que amo.


Eu acalmo o meu feroz lobo interior

com gentileza suprema e amor-próprio.

Eu aprendi a respeitar o meu ritmo,

vivo de acordo com o meu propósito.


Se quer ter a mesma paz de espírito,

abandone essa corrupta e louca civilização

e vá viver a vida que vibra no seu coração. 

No isolamento, encontramos pureza e libertação.  


Vamos retornar à natureza selvagem

s soltar os nossos lobos na floresta.

Saiba que os lobos livres são leais e bons.

Portanto, não prenda os lobos do seu coração. 


Poema escrito por Tatyana Casarino. 





Essa poesia é filosófica e demonstra uma convicção: a de que a nossa essência é boa por natureza, porém ela foi corrompida pela civilização e pela repressão dos instintos. A ideia central da poesia foi impulsionada pela célebre frase do filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau: "o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe".

De forma lúdica e simbólica, o eu lírico descreve o personagem "Tarzan" como um exemplo do mito do "bom selvagem", um conceito popularizado pelo filósofo citado. Esse mito retrata uma visão idealizada do homem em estado de natureza: alguém puro, inocente e livre de maldade. Esse ideal teve impacto sobre o Romantismo, movimento artístico, literário e cultural que surgiu na Europa no final do século XVIII.  

Em alguns versos, o eu lírico compara o mito do Tarzan (o bom selvagem) ao casal bíblico "Adão e Eva", visto que esses viveram em um local perfeito e repleto de natureza. Conforme a Bíblia, Adão e Eva eram puros antes de conhecerem o fruto proibido. Desse modo, existe uma idealização romântica e um anseio para retornar ao estado de pureza original quando o eu lírico afirma "desta vez, eu não morderia o fruto".

Muito embora o início do poema cite Freud com um leve tom de crítica ao compará-lo com Jung (a segunda estrofe afirma que o psicoterapeuta suíço decifrou melhor o "labirinto" da alma humana com a sua riqueza arquetípica), os versos também foram inspirados por uma obra famosa do autor: "O Mal-estar na Civilização". 


   


Rousseau

Sendo assim, a poesia conecta, de forma inusitada, autores bem diferentes: Rousseau, Freud e Jung. Apesar da diferença entre eles, os três almejaram decifrar os aspectos instintivos do ser humano muito além das convenções sociais. Rousseau pode ser considerado o mais "romântico" dentre os pensadores apontados pelo poema. Freud e Jung, no entanto, observaram os aspectos "sombrios" do inconsciente. 

O poema ainda fala de outros pensadores: Hobbes e Maquiavel. Hobbes defendia o oposto de Rousseau, já que afirmava o seguinte: "o homem é o lobo do homem". Esta frase resume a ideia de que os seres humanos são maus por natureza e que viveriam em uma guerra de todos contra todos se não houvesse leis. 

Maquiavel também é um autor que fica bem distante do romantismo de Rousseau, pois foca em uma abordagem pragmática sobre a política. Ele defendia o realismo político e revelava a seguinte ideia: "é melhor ser temido do que ser amado". 

Considerando o que foi comentado sobre os pensadores que influenciaram a construção do poema, é importante notar que existe uma nostalgia pelas ideias românticas nos seguintes versos: "quero voltar a acreditar em Rousseau e abandonar as ideias de Hobbes e de Maquiavel".

Salienta-se que a poesia "salta" da filosofia e da psicologia em direção a uma sabedoria mística sobre a forma de acalmar um "lobo selvagem". Esse "lobo" seria o nosso mundo interior, o qual ficaria desgovernado e erraria pelo descontrole emocional caso fosse reprimido ou pouco conhecido. A sabedoria mística aponta a meditação, o respeito pelo próprio ritmo, o autoconhecimento e o amor-próprio para o fortalecimento do autocontrole emocional. 

Ao enaltecer as ideias de Rousseau, o eu lírico sugere que o nosso "lobo" interior é bom e precisa de reconhecimento, pois representa a nossa intuição e o nosso instinto livre das corrupções da sociedade. 


   



Se o ser humano é um "lobo" bom (e não mau como dizia Hobbes), ele precisa aceitar o seu lado instintivo e escutar o seu coração (a mensagem da poesia é alinhada ao Romantismo). A recuperação dos instintos, da intuição e dos sentimentos requer uma jornada de superação psicológica. Essa jornada é bem retratada no livro "Mulheres que Correm com os Lobos" da psicóloga Junguiana Clarissa Pinkola Estés. 

O poema não sugere uma fórmula de autoajuda, mas um caminho repleto de autoconhecimento e de amor-próprio. Para encontrar o equilíbrio emocional, a poesia aconselha o leitor a acolher o seu "lobo interior" caso ele queira mais serenidade espiritual. 

A poesia também aponta a necessidade de solidão no caminho do autoconhecimento, porque somente o silêncio da solitude pode despertar a essência humana. 

Considerando que o barulho da sociedade corrompe o lado bondoso e sábio da nossa essência, o isolamento pode preservar sentimentos puros e libertar a alma das ilusões sociais. Curiosamente, Rousseau defendia o isolamento como uma resistência interna à hostilidade do mundo e uma forma de reconexão com a natureza. 

Por fim, a poesia defende o retorno à natureza e a libertação da verdadeira essência humana. Para ser autêntico, não é preciso viver isolado o tempo todo, mas ter momentos de solitude para descobrir quem você é e fortalecer o próprio espírito antes de lutar contra as injustiças do sistema. 


Tatyana Casarino. 


Fontes das imagens: Gemini (Inteligência Artificial) e Pinterest.