10 Nações extintas pouco conhecidas que mudaram a história do mundo.
O nosso colunista Mateus
Ernani Heinzmann Bülow preparou um texto sobre nações pouco conhecidas que
mudaram a história mundial para o blog “Recanto da Escritora”. Tendo em vista
que o Brasil comemora a Independência no dia 7 de setembro, o nosso colunista
decidiu compartilhar a história dessas nações.
Você sabia que o Brasil ficou
num estado intermediário entre o domínio português e a proclamação da
Independência durante um breve período? Descubra o contexto dessa informação e
as curiosidades históricas de alguns territórios no texto do Mateus. Boa
leitura!
1-Reino do Brasil.
Todo estudante aprende três períodos da história do
Brasil, indo do período colonial (oficialmente chamado de Estado do Brasil) à
chegada da corte portuguesa, depois o Império e a república. No entanto,
durante um breve período, o Brasil ficou num estado intermediário entre o
domínio português e a proclamação da Independência, e paradoxalmente já poderia
ser chamado de nação, embora ainda fizesse parte dos domínios lusitanos de
Ultramar. Esse intervalo talvez seja o mais importante da história brasileira,
e ainda é pouco falado.
O Reino do Brasil foi proclamado pelo Príncipe-Regente
João VI em 1815, com duas finalidades: Representar os interesses portugueses na
Europa sem a necessidade do retorno do monarca ao continente, e acalmar os
ânimos dos brasileiros que desejavam a separação completa, o que poderia se
reverter na anarquia que já dominava os territórios ultramarinos da monarquia
espanhola nas redondezas.
Nesse sistema, o Brasil teria autonomia para definir
leis e finanças, e um parlamento conjunto foi criado para representar ambos os
reinos. À primeira vista o arranjo funcionou muito bem, e tensões entre
brasileiros e portugueses arrefeceram com os países teoricamente em condições
iguais sob o mesmo monarca reinante. Pelos cinco anos seguintes, o imenso
Império Português teria o Rio de Janeiro como sua capital.
No entanto, a Revolução Liberal do Porto em 1820
forçou o retorno de Dom João ao seu país de origem, deixando para trás seu
filho, Pedro, como Príncipe-Regente, e rancores não demoraram a eclodir: Os
portugueses insistiam em demover o Brasil da condição de Reino, o que era
inaceitável à nova elite política surgida no território americano.
A independência total não era unanimidade entre os brasileiros,
ainda crentes numa possibilidade de manter os laços de amizade da metrópole com
a ex-colônia, e foi justamente a teimosia das Cortes portuguesas a maior
responsável pelo azedume nas relações. O plano do governo de Lisboa incluía a
fragmentação do Brasil em territórios menores e o retorno imediato do
Príncipe-Regente, sob o pretexto de receber “devida instrução” nas cortes, o
que efetivamente o reduziria a um prisioneiro em Portugal.
Pedro descobriu a tramoia por meio de José Bonifácio e
sua esposa, a Princesa Leopoldina, e decidiu que era hora de encerrar de vez os
laços com Portugal. Com isto, o Império do Brasil foi proclamado, dando um
ponto final no breve período do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O
esforço dos brasileiros em criarem uma Pátria livre de influências externas
continuaria com a guerra contra os portugueses até 1824.
2-República de Vermont.
O estado americano do Vermont possui um apelido
interessante, sendo chamado de o “Décimo-Quarto” na historiografia dos EUA.
Isto se deve ao fato de que o Vermont demorou a aderir à aliança das então
chamadas Treze Colônias contra os britânicos, e lutou sozinho por um tempo.
Nesse período entre 1777 até 1791, o Vermont foi uma nação independente.
O surgimento da República de Vermont deveu-se a um ato
do rei George III de anexar o território das Montanhas Verdes à Província de
Nova York, uma decisão que enfureceu os colonos da região. Em resposta ao que
consideravam uma arbitrariedade, os habitantes organizaram uma milícia
conhecida como Green Mountain Scouts (“Batedores das Montanhas Verdes”), sob a
liderança de Ethan Allen. Os rebeldes chamaram o novo país de Vermont, que significa
“Monte Verde”, em francês.
Em 1777, os vermontinos escreveram a primeira
constituição em território americano, e também a primeira constituição a abolir
a escravatura e permitir sufrágio masculino universal, sem considerar a renda
do eleitor. Apesar de não durar por muito tempo (ao menos como documento de
caráter nacional), é inegável que a Constituição de Vermont teria influência
considerável na Constituição Americana de 1787.
Durante seu breve período de independência, Vermont
auxiliou os Patriotas de outros estados enviando milicianos dos Green Mountain
Scouts para a linha de frente, mas a ameaça dos indígenas do noroeste frustrou
um envio contínuo de reforços. Vermont também possuía serviço postal, além de
uma moeda própria chamada Cobre Vermontino, e seu governo sob a liderança de
Thomas Chitenden mantinha relações diplomáticas com outros países, como França
e Holanda, e também com o Congresso Continental dos EUA.
O governo de Vermont decidiu se unir aos EUA poucos
anos antes do fim da guerra contra os britânicos, porque uma parcela
considerável de seus habitantes nutria simpatia pela ideia, um detalhe que
valeu o apelido de “República Relutante” à nação. Assim, o Vermont foi o
décimo-quarto estado a se juntar aos EUA, com outra constituição estadual
surgindo em 1793; essa nova carta estadual não diferia muito da anterior de
1777.
3-Primeiro Estado Islâmico.
Para compreendermos a importância da terceira nação
nesta lista, eu proponho o seguinte exercício mental: Imagine como seria a
história do mundo se Jesus Cristo não fosse crucificado, e de alguma forma
libertasse o território judeu do domínio romano, além de estabelecer um governo
e uma constituição. Foi o que o Profeta Maomé (também chamado Mohammed) fez na
Península Arábica.
O Primeiro Estado Islâmico, também denominado Estado
de Medina, surgiu como uma consequência da Hégira, o êxodo de Maomé e seus
seguidores. Após alcançarem a cidade de Medina e unificarem as oito tribos da
região, Maomé estabeleceu um governo com base na Constituição de Medina,
proibindo a guerra entre os muçulmanos, além de criar um senso de comunidade
com base na fé em Alá, o Deus Único.
Apesar de obterem uma base permanente, os primeiros
muçulmanos sob a liderança de Maomé não estavam plenamente seguros: Os
governantes de Meca ainda hostilizavam os fugitivos, e a Tribo Coraixita também
compunha uma grande ameaça. Por dez anos o oeste da Arábia foi palco de
batalhas e escaramuças ferozes, até os muçulmanos se tornarem fortes o bastante
para conquistarem Meca, em 630. O líder de Meca era Abu Sufyan ibn Harb, que se
converteu ao Islã e ofereceu sua filha Ramla ao ex-inimigo.
Após a conquista de Meca, Maomé
teve de lidar com as tribos remanescentes que ainda resistiam ao Islã, mas
nenhuma delas foi capaz de oferecer a aguerrida determinação dos senhores de
Meca e seus aliados Coraixitas. O Profeta de Alá faleceu dois anos depois da
conquista de Meca, porém a presença islâmica encontrava-se coesa na Península
Arábica, restando apenas a questão da sucessão ao governo.
O conflito pela sucessão de Maomé teria como vencedor
Abu Bakr, pai de Aisha, a terceira esposa do Profeta. Abu Bakr foi o primeiro
líder islâmico a adotar o título de Califa (literalmente “Sucessor” em árabe).
Considera-se que o Primeiro Estado Islâmico se converteu no Califado Ortodoxo
(também denominado Rashidun) com a ascensão do Primeiro Califa, que lideraria a
expansão islâmica pelos próximos anos, assim como seus sucessores.
4-Império Gana.
Seguiremos agora para a África, onde existiu um
império poderoso no oeste, trezentos anos depois do nascimento de Cristo. Pouca
informação escrita restou sobre esse formidável império que se estendeu sobre o
sul da Mauritânia e o oeste do Mali, sobrando uma rica tradição oral a respeito
de sua existência.
O fundador do Império Gana foi um chefe tribal do povo
Soninke chamado Dinga, que estabeleceu uma pequena cidade chamada Uagadugu como
a primeira capital de seu nascente país. O povo Soninke era descrito como
excelente no combate a cavalo, mas o domínio não era mantido pela mão de ferro
do governante, e sim com um sistema confederado que dotava as cidades fiéis ao
império com autonomia em assuntos locais.
Gana se encontrava numa área cheia de pastagens, além
de minas de ouro e sal, e logo se tornou muito rico, permitindo a construção de
uma nova capital chamada Kumbi-Saleh, cujas ruínas seriam encontradas apenas em
1913 pelos europeus. Manter o monopólio do acesso dessas riquezas subterrâneas
era a principal função dos governantes em Gana, ao lado do comando do exército.
O declínio do Império Gana começou em 1076, após a
invasão dos Almorávidas, uma dinastia Berbere que dominava o Marrocos. Os
Almorávidas não puderam fincar seu domínio na região de forma definitiva, mas o
estrago estava feito: Rebeliões internas surgiram após a expulsão dos invasores
do norte, e vários reinos e províncias declararam sua independência,
fragmentando o domínio Gana sobre a região.
É inegável que Gana inspirou os grandes impérios que
surgiriam mais tarde no oeste africano, como o Mali e o Songhai (falamos dessa
nação na segunda lista dos Heróis de Independência Pouco Conhecidos): A
exploração do ouro e das rotas comerciais ao lado da autonomia provincial seria
imitada por todos os países que viriam depois, em maior ou menor escala. Hoje,
o nome Gana sobrevive numa nação ao sul de onde outrora se localizou o Império,
e Uagadugu é o nome da capital de Burkina Faso.
5-Rússia de Kiev.
O próximo integrante desta lista foi a primeira
organização estatal dos povos eslavos do leste, bem como um produto da Era
Viking. A chamada Rússia de Kiev influenciou de forma significativa as
histórias de todos os países que outrora fizeram parte de seu extenso
território, além de alimentar nacionalismos furiosos e conflitantes até hoje.
Tanto a Rússia como a Ucrânia e Belarus reclamam para si o legado desta nação.
Durante a Idade Média, a região ocidental da Rússia
era entrecortada por grandes rios, planícies e florestas, alimentando o
interesse dos Nórdicos em busca de um atalho rumo ao Mar Cáspio rumo à Pérsia.
Os entrepostos comerciais montados pelos forasteiros em parceria com as tribos
eslavas amistosas se converteriam nas primeiras cidades da região, tais como
Novgorod, Moscou e Kiev, que mais tarde se tornaria a capital deste curioso
império.
Os fundadores da Rússia de Kiev foram os guerreiros
Rurik e seu sucessor, Oleg, o Sábio. Enquanto Rurik liderou as primeiras
expedições colonizadoras, Oleg foi o responsável pela transformação de Kiev na
capital do novo país, além de expandir o território por meio da conquista e
assimilação das tribos eslavas. O Povo Rus também lutou contra os Cazares ao
leste e os Búlgaros ao sul, transformando-se em grandes aliados do Império
Bizantino.
Foi justamente o contato com Bizâncio que levou o Povo
Rus a adotar o Cristianismo Ortodoxo, sob o reinado de Vladimir, o Grande. Esse
monarca concordou em abandonar o paganismo numa visita à cidade de
Constantinopla; como parte do acordo, Vladimir casou-se com Ana Porfirogênia,
irmã do imperador Basílio II.
Vladimir foi sucedido por seu filho Yaroslav, que
defendeu o território Rus dos Pechenegues um povo nômade do leste. Depois de
Yaroslav, as rachaduras apareceram na Rússia de Kiev, com o enfraquecimento do
comércio e vários príncipes declarando sua independência; surgiram novos
domínios e poderes no extenso território, como a República de Novgorod, o
Principado de Vladimir-Suzdal e a Galícia-Volínia.
Os novos estados eram pequenos e desunidos demais para
resistir ao avanço do Império Mongol em 1237, gerando um período de submissão
que apenas se reverteria em 1480. Ironicamente, a resistência e posterior
vitória contra os mongóis devem-se muito a uma cidade considerada pequena
demais para ser saqueada na época da invasão: Essa cidade era Moscou, que mais
tarde se tornaria sede do Grão-Ducado da Moscóvia, a nação que cresceria até se
tornar o Império Russo.
6-Yuan do Norte.
O próximo império na lista é um caso interessante,
porque o seu papel de destaque na história não foram suas realizações, e sim o
que ele impediu de forma indireta, devido à sua existência. O chamado Yuan do
Norte foi um estado remanescente do Império Yuan, uma das divisões do grande
Império Mongol. Após o estabelecimento da Dinastia Ming, os mongóis foram
obrigados a recuar para sua terra natal, onde os descendentes de Gengis Khan se
reorganizaram para não serem dominados pelos antigos vassalos.
O novo estado foi fundado em 1368 por Toghon Temur, o
último imperador mongol que reinou sobre a China, e considerado também o último
Grande Khan do Império fundado por Gengis Khan, seguindo a linha tradicional de
sucessão. A fragilidade desse estado ficou evidente em diversas ocasiões, com
invasões movidas pelos chineses e rivalidades internas; durante um bom tempo os
Khans não passavam de figuras decorativas no trono, enquanto senhores da guerra
mandavam no Yuan do Norte.
A situação se inverteria com a ascensão de Dayan Khan,
em 1480. Ao lado de sua esposa, chamada Mandukhai, o novo Grande Khan tirou o
Yuan do Norte da defensiva e pôs novamente os mongóis no ataque, eliminando
clãs hostis e fustigando as posições chinesas instaladas ao norte da Grande
Muralha. O Yuan do Norte recuperou diversas tribos que se aliaram aos chineses,
e expandiu seu território até o Lago Baikal na Sibéria.
O reinado de Dayan Khan e Mandukhai foi tão
bem-sucedido que alguns historiadores falam numa “segunda reunificação” durante
sua época, provavelmente a melhor fase da dinastia. Nessa época o Budismo
também se tornou a religião dominante na Mongólia, enquanto o tradicional
xamanismo era deixado para trás.
Em 1600 em diante, o Yuan do Norte voltou a mergulhar
em conflitos internos crônicos, enquanto a China foi dominada pelos Manchus da
Dinastia Qing, que logo voltaram seus arcos e mosquetes à Mongólia. A Dinastia
Ming e o Yuan do Norte caíram sob o domínio Manchu praticamente na mesma época,
entre 1635 e 1644, tornando seus respectivos fins especialmente irônicos.
Apesar de não deter a mesma força de seu antecessor
imediato, nem se destacar em grandes conquistas, é inegável que o Yuan do Norte
mudou a história do mundo ao oferecer um desafio à China. Os ataques movidos
por Dayan Khan ocorreram numa época em que a China buscava se expandir pelos oceanos
de forma parecida com portugueses e espanhóis na mesma época; isso obrigou os
soberanos Ming a focarem seus esforços contra os inimigos ao norte da Muralha,
impedindo-os de participarem das Grandes Navegações.
7-Estado Borgonhês.
Entre os anos de 1384 e 1482 existiu um território nos
atuais Países Baixos que em tese encontrava-se governado por vassalos do Rei da
França, mas na prática era uma nação independente. O chamado Estado Borgonhês
foi um dos maiores poderes políticos, militares e culturais da Europa no Século
XV, mas simplesmente desapareceu no início da Era das Grandes Navegações. No
rastro de sua partilha surgiu a rivalidade entre as famílias reais de Valois,
da França, e os Habsburgos, que governavam a Espanha e o Sacro Império Romano.
A história do Estado Borgonhês é longa, então
focaremos apenas no período em que essa entidade efetivamente agiu como se
fosse uma nação independente. O arquiteto da autonomia borgonhesa foi o duque
João Sem Medo, que assumiu a liderança da Borgonha em meio à Guerra dos Cem
Anos e à Guerra Civil que retalhou a França em facções pró-monarquia e
favoráveis à autonomia de certos domínios.
Os borgonheses compreensivelmente apoiavam a vertente
descentralizadora, e João Sem Medo pagou com sua vida numa negociação realizada
numa ponte em Paris, após ser (supostamente) morto à traição. Seu filho,
Felipe, jurou vingança pelo ocorrido, aliando-se aos ingleses a partir de 1420,
além de capturar e entregar Joana D’Arc aos seus “novos amigos”, dez anos
depois. Felipe não permaneceria aliado aos ingleses por muito tempo, e logo
mudaria de lado cinco anos depois da captura da Donzela de Orleans.
Depois de auxiliar os franceses e apoiar uma revolta
conhecida como Praguerie, Felipe se afastou dos assuntos ao oeste, agindo como
um líder independente e expandindo o território borgonhês. Sua corte era
suntuosa, provavelmente a mais sofisticada da Europa na época. Em seu auge, a
Borgonha se estendia dos Países Baixos até o centro-leste da França; o exército
borgonhês também era poderoso, com tropas pagas regularmente, além de canhões e
arcabuzes em grande quantidade.
Essa potência nascente seria destruída pelas ambições
do sucessor de Felipe, Carlos o Temerário, que morreu depois de invadir a
Suíça, esgotando o poderio militar borgonhês. As cidades da Holanda e Bélgica
também se ressentiam de um domínio centralizado, e em pouco tempo o domínio
fragmentado seria partido entre uma França cada vez mais forte e o Sacro
Império dos Habsburgos.
O lugar do Estado Borgonhês na historiografia da
Bélgica é interessante: Durante o Século XIX, quando os Belgas se tornaram
independentes da Holanda (falamos desse episódio na lista das Constituições
mais Antigas ainda em Vigor), a Borgonha era vista como um “ancestral” do país,
numa visão nacionalista da história. Essa situação se inverteria no Século XX,
com historiadores belgas declarando ironicamente que foi o fim do Estado
Borgonhês a razão pela qual a Bélgica existiria mais tarde como nação.
8-Império Srivijaya.
Seguindo rumo ao Sudeste Asiático, encontraremos agora
uma Talassocracia (poder marítimo) que definiria a história de países como a
Indonésia, a Malásia e muitos outros. O chamado Império Srivijaya, também
chamado Serivijaya, foi a primeira grande nação do Arquipélago Malaio a se
beneficiar do Estreito de Malaca, vital para o comércio entre a China e as
Índias, além de servir com um importante centro budista.
Poucas evidências físicas restaram de Srivijaya,
restando apenas os testemunhos de viajantes chineses e relatos orais em
Sumatra, a maior e mais ocidental das ilhas que compõem a atual Indonésia.
Sabe-se que o núcleo inicial desse império surgiu no Século VII, perto da
moderna cidade de Palembang, no sul de Sumatra. A acanhada cidade-estado tem
como fundador o rei Jayanasa, que também começou a expansão do país.
Em seu auge, Srivijaya dominou toda a Sumatra, além da
Península Malaia ao norte, o oeste de Bornéu e metade da ilha de Java, sob a
enérgica Dinastia Sailendra. O império era forte o bastante para ameaçar
vizinhos, como o Império Khmer e os Champas do Vietnã, mas seu grande inimigo
foi o Reino de Medang, que ocupava o leste de Java. Srivijaya e Medang
guerrearam entre si até 1016, quando o reino do leste colapsou sob o poderio do
rival mais rico e poderoso.
A vitória sobre Medang foi a última glória de
Srivijaya, porque um adversário mais forte veio do leste, no sul da Índia: Em
1025, o rei Rajendra do Império Chola invadiu Srivijaya, com o objetivo de
proteger o Império Khmer, aliado dos indianos. O aguerrido monarca lançou o que
provavelmente foi a maior expedição naval do sudeste asiático durante a era medieval,
e arrebentou com uma nação que já sofria com a constante pirataria e o
enfraquecimento de sua marinha, ocupada em inúmeras frentes.
O sucessor de Srivijaya foi Melayu, um dos primeiros
reinos a declarar independência diante da fraqueza de seus suseranos.
Praticamente todos os grandes impérios do Arquipélago Malaio adotaram o sistema
de Srivijaya, focando no comércio em áreas estratégicas e uma poderosa força
naval. Alguns destes estados sucessores foram Singhasari, Majapahit e os
Sultanatos de Malaca e Brunei.
9 e 10-Províncias Unidas da
Nova Granada e Estado Livre de Cundinamarca.
Para finalizar esta lista eu escolhi duas nações que
existiram ao mesmo tempo e que acabaram numa destruição mútua, abrindo um
precedente sombrio na América Latina. Os dois países surgiram como facções
rivais na atual Colômbia, então nomeada como Vice-Reinado de Nova Granada, e
seu breve período de existência entre 1810 e 1815 é conhecido como a “Pátria
Boba” na história desta nação.
Para compreender melhor o ocorrido é necessário puxar
da memória as aulas sobre a Independência da América Espanhola, e o surgimento
das primeiras Juntas, ou governos autônomos nos territórios de Ultramar. Em
resposta à captura do rei espanhol Fernando VII, os latino-americanos
estabeleceram seus próprios governos regionais, e não demorou a surgirem
rivalidades entre eles.
Na Nova Granada foi proclamada uma Junta que resultou
nas Províncias Unidas, de cunho federalista, sob a liderança de José Miguel
Pey, considerado historicamente o primeiro presidente da Colômbia. Apesar de a
independência entrar nos planos da maioria dos líderes, havia uma grande
divergência sobre a forma que o novo estado deveria ter; em resposta ao projeto
federalista, e também por temer a perda da hegemonia de Bogotá, Antonio Nariño
proclamou a independência de Cundinamarca.
Entre 1811 e 1813 ocorreu uma guerra entre os
federalistas, chamados de “Carracos”, e os centralistas, apelidados de
“Patiadores”. A vitória do primeiro grupo foi breve, pois os espanhóis
reconquistaram Nova Granada, e não sairiam até 1819, quando os colombianos se
reorganizaram sob a liderança de Francisco de Santander, contando com o
importante apoio dos venezuelanos de Simon Bolívar.
O legado da “Pátria Boba” serviu como advertência aos
líderes independentistas da América Latina, e também abriu um precedente
funesto na história da Colômbia, com suas frequentes guerras civis e
insurreições. Há quem afirme que os Federalistas e Centralistas foram em sua
época o que mais tarde se tornariam os partidos Conservador e Liberal, que
também mancharam de sangue a jornada conturbada deste país.
Texto escrito por Mateus
Ernani Heinzmann Bülow.
Mateus é Bacharel em Direito,
escritor e colunista do blog “Recanto da Escritora”.
Confira os textos do Mateus que
foram citados na postagem do blog:
10 Constituições antigas que
continuam em vigor
https://poetisataty.blogspot.com/2019/06/10-constituicoes-antigas-que-continuam.html
10 Heróis de Independência
pouco conhecidos – parte 2
Confira os livros publicados
pelo escritor (disponíveis na Amazon):
Taquarê – Entre a Selva e o Mar
Taquarê – Entre um Império e
um Reino



























