O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Diamante bruto



Moça bonita da cidade na flor da idade,
inteligente e formada em Medicina.
Por dentro e por fora, ela é sempre linda.
O nome da doce flor é Cecília.

Ela apaixonou-se por um bicho do mato.
E o povo sempre mesquinho e chato
indagou à flor os motivos de seu amor.
Afinal, o que ela viu naquele homem do rio?

Homem cabeludo que vive entre os índios,
nadando no rio alegre e despido.
Doce brilho nos olhos e sorriso largo,
ele é bondoso e fala português errado.

A moça respondeu que nada viu,
ela simplesmente o sentiu.
E ver é um verbo diferente de sentir,
eis que sentir é viver e ver é se distrair.

Ele é o seu Tarzan contemporâneo,
a sua Fera amada e domada.
Ele é uma doce canção de Caetano
ouvida no silêncio da madrugada.

Ela o ama justamente por ele ser simples,
e, na simplicidade, mora o auge do requinte.
Ele é simples demais, simplesmente demais.
Ele é a personificação do que o amor é capaz.

Ele é o bom selvagem de Rousseau,
ele é a natureza em estado puro.
Doce amor que a civilização não acolheu
devido ao mar de hipocrisia do mundo.

Ele é o diamante bruto do Pantanal,
doce alma gêmea do Astral.
Por ele, ela largaria tudo na vida
para morar em uma cabana rodeada de cotovias.

Por ele, ela deixaria para trás tudo:
os amigos, a família e os títulos de Medicina.
Por ele, ela viveria em estado puro:
amando a natureza e fazendo poesias.

Um amor e uma cabana no meio do Pantanal,
o sentir das flores e o canto da cotovia.
Fazendo amor às cinco horas da madrugada,
beijando os lábios do amado numa perfeita rima.

Poesia escrita por Taty Casarino.

*Observação:

A interpretação da poesia tem caráter polissêmico, eis que permite vários significados de acordo com a leitura. Todavia, uma das formas de interpretar este poema é associar os versos ao enredo da telenovela "Bicho do Mato".

         


  Bicho do Mato é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Record e exibida entre 18 de julho de 2006 e 20 de março de 2007. Escrita por Bosco Brasil e Cristianne Fridman, a telenovela contou com a colaboração de Maria Cláudia Oliveira, Valeria Motta e Camilo Pellegrini. Houve a supervisão de Tiago Santiago. Bicho do Mato é uma regravação da telenovela homônima de 1972 e foi dirigida por Edson Spinello.
  É notável o seu elenco diverso composto por André Bankoff, Renata Dominguez, Miriam Freeland, Marcos Mion, Ana Beatriz Nogueira, Adriana Garambone, Thaís Fersoza, Márcio Kieling, Amandha Lee, Jonas Bloch, Beatriz Segall e Bia Seidl nos papéis principais. Tal telenovela foi reprisada entre 16 de março a 26 de junho de 2009, em 75 capítulos.
   A telenovela referida conta a história do jovem Lucas (Juba) interpretado pelo ator André Bankoff, criado desde pequeno pelo pai, Fernando, na Fazenda Boa Esperança, localizada no Pantanal. Juba, então, leva uma vida junto à natureza e convive com a aldeia indígena dos "Guaporá". Porém, ele se apaixonará por uma moça intelectual da cidade chamada Cecília, a qual tem um estilo de vida bastante diferente do dele.
   No Rio de Janeiro, vive a mãe de Juba, Laura, que se separou de Fernando devido a uma armação do seu atual marido, o cruel Ramalho Rodrigues, o vilão da história, o qual é um poderoso e ganancioso empresário que tenta usurpar as terras de Juba e dos índios para a exploração de uma mina de diamantes.

   Esta novela marcou a minha adolescência, eis que, quando ela passou pela primeira vez, eu tinha 14 anos e gostava de ler e assistir a tudo que tivesse caráter romântico hehehe (ok, eu admito sou romântica açucarada até hoje hehehe). Esta novela marcou uma época de minha vida onde eu estava substituindo as bonecas pela literatura, pois eu confesso que brinquei de bonecas até os 14 anos e comecei a escrever o meu primeiro livro aos 16 anos (quando a novela foi reprisada eu estava escrevendo o meu primeiro romance).
    Sempre gostei de ler desde a infância, sendo um processo muito natural o fato de eu me aventurar pela escrita (todo leitor assíduo um dia começa a sonhar com a carreira literária). Lia de tudo desde gibis da Turma da Mônica até Joaquim Manuel de Macedo (autor de A Moreninha) e Machado de Assis na adolescência. Revelo que, desde muita nova, eu também estudava espiritualidade e astrologia, visto que sempre busquei o autoconhecimento. Lia livros espíritas como A Mansão da Pedra Torta além de obras astrológicas.
     Um dia, após obter sucesso em uma redação na aula de Português com o título "Adocicando uma vida efêmera" onde eu refletia acerca da importância de viver intensamente e com doçura em uma vida curta como a nossa (imagine uma garota de apenas 16 anos escrevendo sobre a brevidade da vida e o confronto inevitável com a morte hehehe), eu decidi escrever. E, assim, passei a escrever pensamentos, poesias e textos em cadernos pessoais. Logo, eu sempre comprava dois cadernos: um escolar para as aulas de Português e um pessoal para guardar os meus segredos sentimentais, mentais e espirituais (opa, hehehe).
       Quando eu superei a minha timidez e entrei na Faculdade de Direito em 2010, comecei a gostar de falar em público e também de expressar as minhas ideias. Senti uma imensa vocação para a área da comunicação e o meu sonho de ser professora e comunicadora além de jurista passou a crescer dentro de mim. Tive vontade de revelar ao mundo os meus pensamentos, poesias e convicções e, desse modo, criei este Blogue: o "Recanto da Escritora."
       Muito embora eu não tenha livros publicados (aquele escrito na adolescência está passando por revisões, eis que interrompi o processo da escrita para ter foco na faculdade), eu me considero uma poetisa e uma escritora na alma. Coloquei o título de Escritora no Blogue não por orgulho ou pretensões, já que carrego com muita humildade e amor o ofício de comunicadora, mas pelo meu coração sempre ter vibrado em direção a esta vocação.
       Sinto que ainda tenho muito o que aprender quanto à metrificação de Poesia e à escrita literária. Sendo assim, estou disposta a estudar e amo evoluir a cada dia. Gosto de mergulhar dentro de mim e comunicar a minha jornada com as outras pessoas. Quero exercer a comunicação das minhas convicções e ajudar as pessoas no processo de autoconhecimento, conhecimento, cultura e reflexão.
      A minha história com a criatividade vem da infância hehehe. Quando eu brincava de bonecas, eu descobri o meu dom de inventar histórias. Toda menina inventa histórias para a sua Barbie ou Susi viver e as minhas eram bem dramáticas e até deixavam emocionadas as amigas que brincavam comigo. Hoje eu continuo inventando histórias só que, ao invés de ter um elenco formado por bonecas, eu tenho uma tela de computador em branco na minha frente e uma sopa de letrinhas hehehe.
       A poesia surgiu naturalmente na minha vida. Recordo que, quando eu tinha 9 anos de idade, eu escrevi duas músicas: "Quem não gosta de chacoalhar o esqueleto?" e "O mundo gira 24 horas". A primeira era uma música divertida que eu escrevi ao brincar de compor com uma amiga. A música fazia referência à importância de celebrar a vida, dançar, "chacoalhar o esqueleto" hehehe.

                 

     
        Eu também sempre fui fã de A Bela e a Fera da Disney e considerava Juba e Cecília (protagonistas de Bicho do Mato) parecidos com o príncipe Adam e a princesa Bela. Confesso que os personagens de meu livro são parecidos fisicamente com Juba e Cecília ou com a Bela e Adam. Mas, a história de meu livro é totalmente diferente e envolve simbolismos místicos do meu autoconhecimento.
         Revelo que gosto de personagens masculinos com cabelos compridos. Desde o Sansão bíblico até os cantores de Heavy Metal, há um simbolismo de força, ousadia e valentia nos cabelos compridos.
       Continuo sendo fã de André Bankoff e de Renata Dominguez hehehe. A química astrológica dos dois é fantástica: ele é do signo de Virgem e ela de Peixes. Virgem e Peixes são arquétipos complementares além da existência da compatibilidade nata entre terra e água. O casal formado por Juba e Cecília foi considerado o de maior química de telenovela pela Revista Contigo da época.
       
       Espero que tenham gostado do meu "Arquivo Confidencial" hehehe e das minhas revelações acerca do meu processo criativo na infância e adolescência.

       Hoje sou advogada e as palavras fazem parte do meu ofício. O Direito como um ramo das Ciências Humanas tem a palavra como instrumento principal. Assim como o médico, ao realizar uma cirurgia, necessita do bisturi, o jurista precisa da palavra para fazer justiça. Sou apaixonada pelo Direito e pela possibilidade de ajudar as pessoas e a sociedade, promovendo os direitos fundamentais da pessoa humana e a cultura.

  Quanto ao Pantanal, eu e uma amiga da faculdade temos vontade de conhecer este local. Uma das nossas preocupações é quanto à preservação do Direito Ambiental da região.

Saiba mais sobre o Pantanal:


O Pantanal sofre influência direta de três importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Além disso sofre influência do bioma Chaco (nome dado ao Pantanal localizado no norte do Paraguai e leste da Bolívia). Uma característica interessante desse bioma é que muitas espécies ameaçadas em outras regiões do Brasil persistem em populações avantajadas na região, como é o caso do tuiuiú – ave símbolo do Pantanal. Estudos indicam que o bioma abriga os seguintes números de espécies catalogadas: 263 espécies de peixes, 41 espécies de anfíbios, 113 espécies de répteis, 463 espécies de aves e 132 espécies de mamíferos sendo 2 endêmicas. Segundo a Embrapa Pantanal, quase duas mil espécies de plantas já foram identificadas no bioma e classificadas de acordo com seu potencial, e  algumas apresentam vigoroso potencial medicinal.



http://www.mma.gov.br/biomas/pantanal

 
Site do Ministério do Meio Ambiente.


Abraço!

Taty.

Confiram cenas da novela Bicho do Mato com a música So Right So Wrong de Conttato:

 
               https://www.youtube.com/watch?v=UgyaQOC-9rE

terça-feira, 14 de junho de 2016

Somente o Amor permanece





A vida, às vezes, dói.
A vida sempre sangra.
Um olhar na alma corrói,
ser alvo de pedras cansa.

Saio de casa rumo à sociedade
em busca de mais uma missão honesta.
Um olhar cheio de inveja e maldade
varre o meu corpo em vil festa.

Ironia do destino ser considerada fria e orgulhosa
devido ao meu batom, à introspecção e à postura vaidosa.
Nem sabem os convidados o quanto eu sou humilde,
o quanto eu sou sentimental, simples e melancólica.

O meu sapato de salto alto, mon ami*,
é a minha versão da sandália franciscana*.
Há uma alma muito mais intensa e profunda
atrás dessas roupas com perfume floral da Holanda.

Cumpro o meu papel diplomático ideal,
gosto de concretizar ideias e ser elegante.
Mas minh'alma humana, doce e errante,
ama tudo o que puro, simples e real.

Em verdade, abomino tudo o que é luxo,
abomino tudo o que a morte corrói.
Amo tudo o que é bom e puro,
tudo aquilo que a morte não destrói.

Minha essência já lutou em dias do passado
contra uma vontade de sair desse mundo ingrato,
voando nas asas de um pássaro etéreo,
saboreando o doce perfume do eterno.

Abomino tudo aquilo que a morte corrói ou destrói.
Amo tudo aquilo que a morte não mata:
a alma, a poesia, a simplicidade do etéreo,
o canto da cotovia*, o eco do eterno.

Definitivamente, eles não me compreendem.
Definitivamente, o mundo poderia ser melhor.
Tudo poderia ser bem mais simples e puro:
com menos ego e muito mais amor.

Pareço orgulhosa, mas sou amorosa,
eis que o amor domina a minha alma.
O amor abraça as minhas vísceras fogosas
e, violentamente, me ama e me assalta.

Alguns convidados precisam dominar o ego,
já que são tão frios, competitivos e calculistas.
Das glórias mundanas, são escravos e mendigos,
lamentáveis profanos fúteis e materialistas.

Nem sabem eles que vão morrer um dia inevitavelmente,
eis que a morte é absolutamente sensata e democrática:
mata pobres e ricos, mata todas as ilusões e as farsas.
Somente o amor permanece eternamente.

Minha essência vibra mais feliz no etéreo.
Viver é dor, mas é preciso doar amor.
Tenho fé em Deus e na minha corajosa missão
que é amar o máximo que eu puder com o coração.

A minha religião é o amor, amor absoluto.
O amor que ama até a dor e a abraça em seu reduto.
O amor que carrega a cruz em nome da luz,
o amor, o amor, o amor...

Em nome do amor, eu vivo,
em nome do amor, eu luto,
por amor, eu venço o medo do mundo
e saio do meu doce quarto escuro.

A minha força vem do amor,
o mesmo amor que me faz ser frágil e sensível
deixa minh'alma forte e invencível.
Amor: paradoxo celeste de glória e dor.

O amor me faz respirar fundo,
passar o meu batom, colocar o salto alto
e sair para enfrentar o mundo.
O amor me conduz numa nuvem de asfalto.

O amor coloca luz nas sombras,
o amor coloca um sorriso em mim
quando, na verdade, eu queria chorar.
O amor me faz ser feliz apesar de doer amar.

Poesia escrita por Taty Casarino.

*Mon ami: Meu amigo (tradução do francês para o português).



*Sandália franciscana: Uma referência ao calçado usado pelos frades e monges da ordem franciscana, uma ordem católica que cumpre os votos de humildade, abnegação, caridade, serviço, honestidade e simplicidade baseados na vida e nos ensinamentos de São Francisco de Assis.

Mesmo usando um sapato luxuoso, a pessoa pode carregar a humildade na alma por mais contraditório que isto possa parecer. Posso não renegar a vida material externamente e levar uma vida normal aparentemente, mas trabalhar, dentro de mim, os princípios franciscanos. Que tal um equilíbrio entre vida material e espiritual? Que tal comunicar à sociedade os princípios do amor através das boas ações? Afinal, a humildade, a pureza e o amor residem na alma.




*Cotovia:

A cotovia é considerada como sendo um símbolo da união entre os reinos terrestre e celestial.
É tida como "anjo da primavera que voa alto nos céus, desperta a esperança onde quer que vá com seu canto belo e inigualável.




A cotovia tem sido muito utilizada em canções e em poemas (é o nome de uma editora portuguesa especializada em poesia).



Na peça de William Shakespeare, Romeu e Julieta, os dois amantes, depois de uma noite de amor, discutem se o pássaro que ouvem lá fora é a cotovia ou o rouxinol, preferindo este último, que canta durante a noite, enquanto a cotovia anuncia o dia e, com ele, a separação dos amantes.



São Francisco de Assis tinha nas cotovias suas amigas prediletas na natureza, as chamava irmãs cotovias, a literatura franciscana é repleta de citações destes pássaros.


Curiosidade: A poetisa Taty Casarino é devota de São Francisco de Assis e ama os animais. Ela tem uma cachorrinha maltesa. Além de cachorros, ela ama pássaros. Sua escrivaninha está sempre diante de uma janela, de modo que ela possa estudar olhando para o céu e observando o voo dos pássaros. Quando algum pássaro se aproxima, ela interrompe os seus estudos para fotografar o bichinho ou para conversar com ele (esse é um lado "Branca de Neve" da poetisa hehehe). Queria voar um dia como um pássaro e experimentar a sensação de liberdade. Seu pai é piloto de caça e voa mais veloz que um pássaro. Acredita que os pássaros voam entre o mundo espiritual e material, provando a existência de Deus. Ela ainda sonha em poder voar...

Tatyana Casarino.

Confiram o canto da cotovia:


              https://www.youtube.com/watch?v=KUJxu2k1dao







*Curiosidade extra:


  *Essa poesia permite uma interpretação consoante a história de "Ana Francisca", personagem da telenovela brasileira "Chocolate com Pimenta" estrelada por Mariana Ximenes. A obra escrita por Walcyr Carrasco cujo diretor era Jorge Fernando foi transmitida no Brasil pela Rede Globo nos anos de 2003 e 2004. 

        

  
    O enredo da novela consistia em uma história que se passa na década de 20 de uma moça doce e ingênua chamada Ana Francisca de origem humilde que trabalhava como faxineira na fábrica de chocolates de Ventura. Certa vez, Aninha (como era chamada) avistou um senhor com vestes de funcionário da fábrica enquanto trabalhava. Ele caminhava tristemente pelo local e ela percebeu a melancolia nos olhos dele. Bondosa e sensível, ela gentilmente ofereceu chocolate quente ao solitário homem e ofereceu docemente a sua amizade. Todavia, ela não sabia que ele era Ludovico (Ary Fontoura), o dono da fábrica de chocolate além de ser detentor de uma fortuna e de uma bela mansão em Buenos Aires.
    Ele estava vestido daquela forma devido ao fato de sua irmã Jezebel (Elizabeth Savalla) ter derrubado chocolate quente em sua elegante roupa. Então, ele foi ao banheiro da fábrica e vestiu o primeiro uniforme de funcionário que encontrou. Saindo de lá, foi direto à cozinha da fábrica onde Aninha trabalhava. Sentia-se de fato triste e solitário e era gratificante receber uma amizade tão doce e isenta de interesses como aquela oferecida pela moça.

               

   
    Após uma humilhação pública no dia da formatura do que chamamos de "Ensino Médio" hoje, Aninha ficou desamparada e extremamente magoada. Grávida de Danilo (Murilo Benício) por quem sempre foi apaixonada (a sociedade não sabia de sua gravidez ainda), ela recebe um banho de tinta verde na hora que o seu nome foi pronunciado na formatura devido aos planos malévolos da vilã Olga (Priscila Fantin) que também era apaixonada por Danilo e que gostava de humilhar as pessoas de origens sociais e econômicas diferentes por ser sádica e preconceituosa.
    Ludovico, então, ao presenciar o sofrimento da moça resolve ajudar a sua amiga leal. Imbuído dos mais nobres sentimentos, ele se casa com a moça e a ensina a ser uma dama em Buenos Aires. Aninha passa por transformações estéticas, comportamentais, psíquicas e muda o estilo de vestimenta. O casamento era apenas formal, já que ele nem sequer tinha contatos íntimos ou românticos com a moça.
     O intuito do casamento era fazer de Ana Francisca a sua herdeira e dar um bom sobrenome ao filho dela, tendo em vista que a sua irmã Jezebel era interesseira e orgulhosa e ele não confiava em ninguém além da bondosa Ana que havia gostado dele mesmo sem saber que ele era o dono da fábrica. Tudo o que ele queria era ver Ana Francisca feliz e realizada. Quando ele falece, Ana Francisca volta à cidade de Ventura poderosa, elegante, séria e rica.

          

    

      Ela é acusada de golpista por aqueles que não conhecem a sua verdadeira história por trás do casamento e pensam que ela estava com Ludovico apenas pelo dinheiro. Em verdade, ela era muito ingênua na época em que se casou com o Ludovico, e suas atitudes tinham o intuito de fugir de Ventura e viver uma vida nova para esquecer ds humilhações do passado. Ela realmente nutria um afeto pelo seu marido (ainda que não fosse um afeto romântico ou sexual).
     Com o objetivo de se vingar dos moradores de Ventura, a nova dona da fábrica de chocolates volta à cidade onde foi humilhada. Chegando lá, ela vai ao baile da cidade coberta de joias, ostentando um colar de pérolas e um longo vestido preto. Neste baile, ela anuncia que retirará a fábrica de chocolates da cidade para desespero do prefeito, do banqueiro e demais moradores que lucravam com a presença da fábrica.
     No baile, ela é vista injustamente como orgulhosa, arrogante e fria por esta atitude do discurso e também pelo luxo que ostenta em suas vestimentas. Nisto, poderia residir a "ironia do destino" tratada na terceira estrofe do poema, já que a tão doce, ingênua, sentimental e terna Ana Francisca chegou a ser considerada fria e orgulhosa. Mas, por trás daquela atitude, havia um coração ferido. Por trás daquela dama bem vestida, havia uma simples moça que amava sítios e chocolates e que tinha um coração ferido.
     O "olhar cheio de inveja e maldade" que "varre" o seu corpo em vil festa pode ser atribuído ao olhar de Olga que, maldosamente, rompeu o colar de pérolas de Ana Francisca com o pequeno gancho de sua bolsa no baile da cidade. Ana Francisca reagiu bem diante das pessoas que não gostavam dela. Dançou tango belamente diante de todos, o que causou bastante ciúme no coração de Danilo (Murilo Benício) hehehe.
     Interessante notar que a pérola é uma joia repleta de simbolismos e significados. A pérola é produzida pela ostra que foi incomodada pelo grão de areia e, no seu canto de dor, surgiu uma joia desta tristeza e desse incômodo. Já dizia a célebre frase do escritor Rubem Alves "Ostra feliz não faz pérola". Ana Francisca tornou-se forte após as dores da vida, transmutando-se e evoluindo a sua personalidade. Ela transformou cada obstáculo em uma pérola. Além disso, as roupas pretas que ela usa constantemente na segunda fase da novela servem não somente para destacar a elegância das vestes escuras em sua pele rosada ou para anunciar o seu luto por Ludovico, mas também simbolizam o seu renascimento, eis que a ingênua Aninha do passado morreu para dar lugar à poderosa Ana Francisca. Contudo, ela descobrirá que o seu coração ainda permanece doce, repleto de esperança e amor apesar de ter ganhado um tempero mais "apimentado" com o amadurecimento e o poder. Ela corresponde ao título da novela: Chocolate com Pimenta...


  Tatyana Casarino

Obs: Saudade do tempo em que as telenovelas tinham enredos românticos e reflexivos, onde possuíamos empatia em relação ao personagem. Infelizmente, os temas predominantes das telenovelas hoje são repletos de violência, apelo sexual e enredos desconexos e desproporcionais. Hoje já não acompanho mais telenovelas por faltar tempo (estou me dedicando a projetos acadêmicos e profissionais muito especiais, segredinhos hehehe...). Mas, confesso que acompanhava telenovelas na infância e adolescência, em especial as de Walcyr Carrasco por quem nutro admiração.



 Destaque para a química astrológica entre Murílio Benício e Mariana Ximenes, uma taurina linda abençoada por vênus e um canceriano muito charmoso (amo o jeitinho canceriano do Murilo hehehe). Para quem estuda astrologia, é interessante notar em mapas de artistas como eles vivenciam os arquétipos astrológicos nas artes, em especial os atores. Às vezes, os mapas astrais deles correspondem mais à personalidade dos personagens interpretados do que ao comportamento apresentando na vida real.
 Enfim, com esta postagem eu inauguro no Blogue a TAG "Poesias com referência a telenovelas". Quem quiser me sugerir uma telenovela (de preferência as do início dos anos 2000 e com temáticas românticas ou de superação) fique à vontade e se pronuncie nos comentários.

Abraço!

Tatyana Casarino.