O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Ternura da queda

 



A sina é cair sempre,

de tempos em tempos,

em lamentos e lamentos,

sem as tréguas dos anjos.

 

Eu escolhi vir aqui,

e não foi por acaso a queda.

Quero ser a justiceira brava

e não uma santa de fé cega.

 

Meu destino é sentir o amargo,

minha sina é tomar as minhas lágrimas

tão salgadas quanto azedas

para, depois, brindar a bílis negra.

 

Eu amo demais a vida

para desistir dela tão bela.

A beleza não combina com a morte,

agarro-me à ternura da queda.

 

Eu sou a filha da revolta,

forjada no fogo do caos.

Eu sou filha da lágrima

que quer ser vista e ouvida.


Assim como Zaqueu sobe na árvore,

eu subo na copa florida mais bela.

Fujo das agressões da vida incerta,

olho para o semblante do Mestre dela.

 

Eu sou filha da revolta,

e admiro o seu sangue quente.

Queria ser um guerreiro na guerra,

mas sou sua filha melancólica e terna.

 

Meu temperamento está no meio.

Não é fleumático para se resignar

nem colérico para rir e brigar.

Sou melancólica e devo chorar.

 

Por que a vida nos prende

em correntes pesadas e invisíveis?

Por que a vida está estagnada?

Por que o romance não rende?

 

Não me exija, Pai, o sacrifício.

Amo o Seu Filho e a Sua Palavra,

mas nunca serei uma santa passiva.

Corre, em mim, o veneno da ira.

 

Nosso destino não deve ser

só chorar, suportar e sofrer.

Ser cristão também é sorrir,

tomar vinho milagroso e florescer.

 

Onde está o prazer de viver?

Eu sei que ser feliz não é pecado.

Mas, o demônio da grande tristeza

está disfarçado, no deserto, de ser alado.

 

Eu sei que o Senhor me fez diferente,

fez meu corpo, modelou minh’alma.

O Mestre das almas é muito sábio

e não quer os filhos iguais e doentes.

 

Por que não é permitido ser grande

nem pretender o ouro da criatividade?

Ao menos, recebi a permissão celeste

de ir à Igreja com os sapatos vermelhos.

 

A divindade não erra, não erra,

Eu danço livremente na Igreja,

danço, danço, e sou aceita.

Meus sapatos foram feitos à mão.

 

Mas, quando saio da Igreja,

conheço o abismo e a queda.

Uma queda cheia de ternura,

uma queda de sombra e loucura.

 

Se o Senhor me ama, Pai,

então, me console nessa queda.

Eu não quero mais dançar no abismo,

eu não quero mais oscilar entre o choro e o riso.


Assim como Perséfone enfrenta o submundo,

passo metade do tempo na luz mais forte,

e a outra metade mergulhada no sono profundo. 

Na primavera, sou flor e, na queda, beijo noturno. 


Amo a luz, mas amo a escuridão.

Amo a queda e amo a elevação.

Sou apaixonada pela iluminação,

mas Hades vive no meu coração.


Na queda, ganho sabedoria e beleza,

graça, maturidade e asas de borboleta.

Na queda, lágrimas viram diamantes.

Na queda, sou terna e deslumbrante.


Poesia escrita por Tatyana Casarino. 




Essa poesia retrata as oscilações espirituais entre a iluminação e a queda. Com o estilo romântico e repleto de metáforas místicas e mitológicas, a poesia expressa o lado bom dos desafios e das "quedas" espirituais: o aumento da sabedoria, a busca pela justiça, a profundidade emocional e a ternura da melancolia. 

A poesia também faz referência à Perséfone, deusa da mitologia grega cuja história poderia explicar a origem das estações do ano de forma simbólica. Filha de Deméter, a deusa da agricultura, Perséfone passou a ser a amante de Hades, deus do submundo. 

Dessa forma, ela sabe viver tanto na luz da sua querida mãe quanto nas sombras do reino de Hades. Os seus períodos iluminados representariam a primavera, o verão e o outono enquanto o seu mergulho no submundo representaria o inverno. 

Assim como Perséfone se apaixonou por Hades depois de um longo inverno ao lado dele, conforme uma interpretação profunda do mito (ainda que o seu primeiro contato com o submundo não tenha sido agradável após o rapto), podemos fazer as pazes com as nossas sombras e aprender a amá-las. Muito embora o mergulho nas sombras emocionais não seja confortável, aprendemos a enxergar a ternura da queda ao longo do tempo. 


Tatyana Casarino. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

O guerreiro bravo


"Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos Céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam". Mateus 11,12. 

"Se você quer encontrar a nascente, tem que subir contra a correnteza." São João Paulo II

"Somente os peixes mortos nadam a favor da correnteza, os vivos vivem para contrariá-la". São João.

"Quanto mais se luta, mais se demonstra o amor a Deus." Santa Teresa D'Avila.

"Não sou um guerreiro que combateu com as armas terrestres, mas com a Espada do Espírito que é a palavra de Deus." Santa Teresinha do Menino Jesus.

"Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada." Jesus em Mateus 10:34.   



O deus da guerra soprou barro,
lama, granada, som e caos.
Perdido no meu próprio mosaico,
a minha espada é o meu farol.

Como uma estrela perdida no céu,
canto o meu hino de vitória e sangue.
O sangue é o meu amparo, meu troféu,
minha vitória escrita com dor e fome.

Sou o vazio da saudade da ordem,
sou o lutador da justiça no caos.
Construindo ordem no caos, eu luto!
Dê adeus a tudo o que é muito seguro.

Como Perseu perseguindo a Medusa,
assim eu persigo a cabeça da injustiça.
Gritando, sangrando, lutando com dor,
no meio da guerra, quero a lua pura.

Ouço o grito dos oprimidos,
a fome dos que estão esfomeados
e a angústia dos angustiados.
Minha espada quer libertá-los.

Ouço os gritos dos injustiçados
latejando em minha mente ardente.
Escolho o Direito, mas é só o começo.
Somente a justiça divina é coerente.

A justiça dos homens é falha,
como um reflexo pálido de outra justiça.
As leis humanas são ordem e caos,
jamais alcançarão o Santo Graal.

As altas cortes de justiça humanas
não passam de serpentes da Medusa.
Quem quer que olhe diretamente para elas
é transformado logo em uma pedra.

Para fazer justiça no mundo humano,
é preciso decapitar a própria "Justiça",
mas sem olhar diretamente em seus olhos.
É preciso ser um juiz Perseu ou um santo.

A justiça humana é vendada,
mas não por ser cega e igualitária.
A venda serve para que seus olhos de maga
não hipnotizem os seus pupilos na sua saga.

É preciso ir além da literalidade,
é preciso ouvir os gritos do povo.
Muitos juízes são cegos e surdos
diante dos anseios da realidade. 

Fechados em sua pompa cultural,
sentem-se os defensores da liberdade.
Quando libertam os lobos, sentem-se bonzinhos,
pois não enxergam os humildes cordeirinhos.

Para fazer justiça, é preciso ser bravo:
decapitar monstros já consolidados,
driblar os olhos hipnóticos da culta Medusa
e ouvir o grito da nossa honestidade pura. 

A ira de Perseu é o farol do justiceiro,
a estrela Algol é a energia do guerreiro.
Essa energia é o chicote de cordas de Cristo
ou o carro de Faetonte caindo no abismo?*

Tudo depende de como você governa a ira,
pois, na alta astrologia da sacerdotisa,
não são mais as estrelas que regem a alma.
Agora é a alma que governa as estrelas. 

Davi tomou essa feroz energia da poesia
para lutar, vencer e matar o grande Golias.
Tudo pode ser canalizado com justiça
quando ousamos fazer luz na vida. 

No governo da tua alma, verás beleza,
a beleza da justiça resplandescente.
Tudo é cor, luz e amor na alma ardente,
pois bebeste das estrelas transparentes.

Poesia escrita por Tatyana Casarino.

       



  Essa é uma poesia astrológica baseada em uma das estrelas fixas do Mapa Astral da poetisa que inspirou a sua vocação no Direito: a estrela Algol. O mito, por trás da força dessa estrela, retrata a figura ancestral de uma mulher que tem muita raiva de qualquer injustiça. O propósito da energia dessa estrela é enfrentar o mundo para corrigir as suas falhas e vencer pela justiça.
 Ocorre que, dentro dessa estrela, também há muita ira e uma energia selvagem que pode tanto gerar coragem positiva quando destruição. Muitas pessoas têm medo do aspecto "violento" de Algol e dizem que essa é uma estrela maléfica. 
   O objetivo da poesia é justamente mostrar o lado benéfico e justiceiro de Algol pautado no mito de Perseu que compõe a sua constelação. Desmistificando Algol, vemos a sua energia de pura valentia e justiça que pode ser canalizada para o bem. 
   Aproveitando essa energia de justiça conferida pela estrela, vamos fazer justiça para a própria estrela e contar ao público o seu lado positivo (hehehe). Essa estrela que é tão injustiçada e temida nos círculos astrológicas e apontada como a estrela dos "desastres", também é a energia positiva das superações e está presente nas vitórias dos justiceiros. Bem "aspectada" e bem governada, essa estrela traz sucesso, boa sorte, posições de liderança, poder e pode ser muito benéfica. 
     Obviamente, essa energia selvagem descontrolada pode gerar desastres e, ao invés de fazer justiça, ela pode gerar conflitos de toda ordem, guerras sangrentas, vingança e explosões físicas e emocionais. Por outro lado, bem governada, ficaremos com uma energia incansável e destemida dentro da alma e pronta para fazer a alma lutar pelo que é mais importante (isso não é uma dádiva?). 
      Toda energia precisa de um pouco de ira (é como o fogo que aquece uma lareira ou o combustível de uma máquina). Nem sempre a ira é má. Até mesmo Jesus Cristo fez uso da ira para expulsar os mercadores do templo, já que eles estavam usando a casa de Deus para fazer negócios e roubar o povo. Diante da corrupção e da injustiça, Jesus sentiu ira por aquela hipocrisia pecaminosa e fez uso de um chicote de cordas para ser ouvido e expulsar os comerciantes do templo além de derrubar mesas. 

             
     

       *Jesus tinha zelo pelo templo de Deus e ficou indignado ao ver que estavam profanando um lugar sagrado. Acontece que Jesus nunca perdeu o controle. Mesmo na ira, sua atitude era santa e absolutamente justa e controlada. A ira justificada de Jesus não gerou violência nem machucou qualquer pessoa. A ira de Jesus serviu para colocar ordem no caos e foi a única maneira de fazer justiça em um lugar caótico. Podemos sempre ter nossas condutas inspiradas por Jesus, canalizando a ira para fins justos e usando meios absolutamente controlados. Nessa jornada de evolução, precisamos desenvolver autocontrole emocional e sabedoria. 
       Por outro lado, caso a energia da ira fique desgovernada, cairemos no abismo como Faetonte. Na mitologia grega, Faetonte era filho de Apolo e pediu ao pai a autorização para conduzir o carro do sol. Apolo, embora tenha recusado inicialmente o pedido do filho, autorizou Faetonte a conduzir as rédeas do carro do Sol, proporcionando-lhe a rota que deveria seguir. Todavia, Faetonte não conseguiu manter essa rota, subindo demasiadamente e provocando oscilações nos astros e descendo a ponto de colocar a terra em risco de destruição. 


                        

          

             Para prevenir maiores desastres, Zeus acertou Faetonte com um raio e, então, Faetonte foi lançado ao rio Erídano. O mito de Faetonte tem uma advertência moral e filosófica a respeito da importância do autocontrole. Precisamos ter maturidade para saber controlar as rédeas do carro do sol, ou melhor, precisamos de maturidade para governar a própria alma. 
              E, para governar a própria alma, não precisamos sacrificar a ira dentro de nós ou considerá-la como algo sujo e temido. Não precisamos colocar nossas forças vorazes debaixo do tapete. Suprimir certos aspectos da nossa personalidade pode até ser perigoso e a Psicologia está aí para afirmar que a supressão demasiada pode ser a origem de fobias mal resolvidas e neuroses. Quando a energia vem à tona, ela pode vir de modo mais destruidor. 
       Portanto, ao invés de suprimir a ira, podemos canalizar o nosso temperamento forte para a construção de boas obras. Afinal, necessitamos de força para a iluminação. Ao contrário do que muitos pensam, ser bom não é ser pacífico. Ser bom é abrir mão da zona de conforto e até da paz em prol do bom combate. Ser bom é ser firme na boa "violência". Sim, existe uma violência que é boa: a violência que ataca a injustiça. 
               A violência ruim é aquela que fere, machuca, ataca a dignidade humana e burla a lei divina. A violência boa, por outro lado, defende a dignidade humana e busca a ruptura dos paradigmas que impedem a evolução. Para levar a luz em um mundo de escuridão e violência, é preciso uma boa dose de força e ira, não é mesmo? 

                             

                

              Não pense que o inferno é dos violentos. O inferno está reservado para os indecisos, para os acomodados, para aqueles que não saíram de cima do muro e que nadaram confortavelmente a favor da corrente. O céu é dos violentos, dos que urraram para nadar contra a correnteza, dos que fizeram o bem mesmo sob ameças e injustiças, dos que não deixaram de brilhar mesmo quando o mundo tentou apagar a sua luz. O céu é para os valentes. Como dizia Renato Russo: "Disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza, ter bondade é ter coragem..."
               Que você encontre a liberdade do bom uso das energias ao disciplinar as suas tendências astrais, fortaleza na compaixão e coragem dentro da sua bondade. Eu desejo a você, leitor, o fogo do bom combate e o urro da boa violência. Que o rugido das boas feras possa atacar as más feras e expulsar as injustiças. Não fique calado diante do mal. Lute para que o bem vença. Por fim, uma frase de Martin Luther King: "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."

Tatyana Casarino. 


sábado, 7 de julho de 2012

Elevação

Eleva minh'alma
as doces verdades de Faetonte.
Narciso era o orgulho
que se perdeu na fonte.

Meu minotauro silencia
as moradas de tuas ninfas.
Onde vão os versos meus?
Vão fazer rir a Monalisa?

Creio que um raio de Deus
quando atinge o horizonte
faz tremer a terra,
faz cair o Faetonte.

Ah! Sinto-me como o Teseu
faminto por liberdade,
perdido no labirinto
da mente obscura.

Cadê o minotauro confuso
que quer devorar os sonhos?
És tu, Teseu belo,
mais forte que o feroz castelo
de sombras da mente?

Quão doente são os sonhos
que atormentam a liberdade?
Querem eles o poder sombrio?
Oh! Loucura, oh! sanidade,
até quando se terá fraternidade?

Uma criança velha e faceira
que brinca de ser grande,
há lágrimas de pérolas
caindo em cascatas no horinzonte.

A flor quer florescer
e espalhar sementes,
nutridos os sonhos do ser,
desejo ardente!

Inconsciente, são os teus frutos doces?
Ou são teus os frutos doentes?
A doçura da tua voz
sussurrando essa poesia
não é a mesma de quando
tu queres ser algoz.

A tua árvore é vasta,
há frutas e lágrimas
perdidas no horizonte
do carro de Faetonte.

Governarei os campos da mente,
destronarei o rei do inconsciente,
serei rainha das flores doces
e das sementes.
Taty Casarino

*Poema com referência à mitologia grega e à psicologia.

O inconsciente é fascinante pela forma com a qual nos fornece inspiração, imaginação, romantismo e criatividade. No entanto, é perigoso deixar as rédeas de nossa mente em suas mãos, tendo em vista que sua obscuridade e seus recantos obscuros e isentos de sanidade podem confundir a nossa alma.
É necessário um justo equilíbrio entre a clareza de nosso consciente e a imaginação de nosso inconsciente em prol de nossa harmonia e felicidade.

Para quem gosta do mito de Faetonte e de poemas com referências mitológicas, sugiro um dos meus poemas prediletos cujo título é "(Des)Governada". Inspirei-me em mitologia, psicologia e sociologia para escrevê-lo.
Para conferir, clique no seguinte link: http://www.tatycasarino.blogspot.com.br/2012/01/desgovernada.html






sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

(Des)Governada





Naquele momento de ira descabida,

em que perdera o domínio de si mesma,

sentiu-se como Faetonte.


Almejou guiar os cavalos

de seu inconsciente inato,

mas eles eram tão desgovernados

quanto o carro de Apolo

nas mãos de Faetonte desventurado.


Ó Júpiter, celestial Zeus,

conceda-me rédeas!

Sem o governo d'alma,

conhecerei trevas!




Ensina-me a guiar

os cavalos d'alma.

Essa ira quente como Apolo

faz o espírito fraquejar.



Há dois cavalos

acoplados em um carro.

Um é branco, o outro preto,

e não há rédeas.



Sou o destemido arcano sétimo

do tarô de Marselha.

Para onde vou?

Onde eu estou?


Esquerda ou direita?

Direita ou esquerda?

Qual cavalo devo seguir?


O branco quer ir à direita,

e o preto quer ir à esquerda.

Porém, tento com força descomunal,

trilhar o caminho do meio.




Ó vale limítrofe,

dessa insanidade triste,

conceda-me o equilíbrio.




Que os opostos de minh'alma

se casem hoje, ó emoção!

O brilho nasce da junção,

Ó equilíbrio!

Tatyana A.F Casarino


Esta minha poesia, inspirada no mito de Faetonte, procura unir alegorias mitológicas ao universo subjetivo poético e à psicologia. Quantas vezes nós nos sentimos indecisos, sem saber onde ir? Quantas vezes a nossa ira descabida nos deixa sem as rédeas de nossa alma? Quantas vezes nós lamentamos os momentos em que nossas atitudes não estiveram em simbiose com nossos princípios? Muitas vezes, não é?

Quando afirmamos: "A ira me cegou" ou "Eu estava fora de mim naquele momento", estamos afirmando que nós estávamos "desgovernados", ou seja, sem as rédeas de nossas próprias ações, sem autocontrole e que fomos escravos de nós mesmos.

Libertar-se é equilibrar-se, exercitar o autoconhecimento e liderar nossas próprias atitudes, sem nos envenenarmos com nossas próprias emoções exacerbadas. Quando se percebe que minutos de descontrole emocional podem realmente destruir uma vida, nós nos tornamos mais cautelosos em relação às nossas próprias atitudes.

Mas, essa cautela tem de ser a mola propulsora de exercícios diários de conscientização acerca do que sentimos. Logo, devemos sempre estar em sintonia com as nossas emoções e perceber o que nos provoca, o que nos deixa irados e também o que nos deixa felizes para termos prudência diante de nossas fraquezas e usufruirmos diante daquilo que nos faz bem.

Por que eu escolhi fazer alusão ao mito de Faetonte no meu poema? Porque Faetonte, no mito, não consegue governar o carro de seu pai, e o fato de o carro do sol ficar desgovernado coloca em risco a vida da natureza, a qual quase acaba em chamas. Júpiter(Zeus), o pai dos deuses, teve que arrancar Faetonte do carro de Apolo para que a sua audácia não prejudicasse a natureza.

Desse modo, podemos fazer uma analogia entre esse mito e o nosso descontrole emocional, pois, quando não conseguimos "governar" nossas próprias ações, colocamos em risco o curso de nossa própria vida. Por causa disso que citei o mito.

Na psicologia, há quem afirme que nosso inconsciente é como se fosse um "cavalo" que precisa ser domado.

No âmbito místico, o arcano sétimo do tarô, o Carro, revela um homem em movimento, o qual dirige uma espécie de carruagem que possui dois cavalos. Esses cavalos parecem ir em direções opostas, porém, se o homem souber comandá-los corretamente, irá onde desejar com prosperidade. Esse arcano ainda pode significar progresso sobre o que se deseja.

Para finalizar, nós devemos agir com equilíbrio e prudência e exercitar sempre o autocontrole para não nos sentirmos "desgovernados".

Bibliografia:

*O Livro De Ouro Da Mitologia, Histórias de Deuses e Heróis. Autor: Thomas Bulfinch. Ed: Ediouro.

*Curso Completo De Tarô. Autor: Nei Naiff.