O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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domingo, 14 de fevereiro de 2021

O frio inspirador

 



Metrópoles não têm o charme acolhedor

daquele lugar frio, belo e cheio de amor

que um dia me amou e me abrigou.

Cidades pequenas são lindas e ternas. 


A serra gaúcha circundava a misteriosa cidade,

a qual era abraçada pelo frio, doce beldade.

O frio soprava o vento divino e inspirador

que me fez conhecer a sabedoria e o amor.


A fumaça do inverno quase virava neve.

Os ventos sopravam em todas as direções

e uivavam aflitos sob aquele nobre inverno.

O tempo nublado era gótico e terno. 


Deixe-me sentir o inverno mais uma vez, 

deixe-me sentir o inverno mais uma vez.

Quero sentir o gosto amargo do chimarrão,

o frio lá fora e o doce calor em meu coração. 


Deixe-me sentir o inverno mais uma vez,

deixe-me ouvir o vento uivando mais uma vez.

Tudo era tão suave, doce, inocente e romântico. 

Eu quero aquele frio inspirador me tocando. 


Deixe-me sentir o inverno mais uma vez,

deixe-me ver a serra gaúcha mais uma vez.

Deixe-me recitar doces poesias nos teatros

diante da plateia que ama seu mate amargo.


Deixe-me beijar o coração do Rio Grande do Sul,

cantar a minha esperança e celebrar a minha alegria.

Quero sentir novamente o frio de Santa Maria,

oh! doce Mãezinha que deu nome à cidadezinha.


Poesia escrita por Tatyana Casarino. 


Essa poesia é uma homenagem à cidade de Santa Maria/RS.


    


Imagem de Santa Maria/RS


Morei em Santa Maria/RS boa parte da minha vida: dos 04 anos de idade aos 23 anos. Sou apaixonada pela cidade e por todos os seus singelos encantos. O final da poesia traz um pequeno e doce pedido para Nossa Senhora: o desejo de viver novamente em Santa Maria/RS um dia. 


*Curiosidades:


*Cidades que já morei em minha vida:


*Nasci em Presidente Prudente/SP (1992);

*Morei 2 anos em Natal/RN (1994-1996);

*Morei 19 anos em Santa Maria/RS (1996-2015);

*Morei 2 anos em Fortaleza/CE (2016-2018);

*Morei 1 ano e 10 meses em Brasília/DF (2018-2019);

*Atualmente moro em Assunção, a capital do Paraguai (Dezembro de 2019 até o momento atual). 


Tatyana Casarino. 

domingo, 13 de setembro de 2020

Só a paz interior importa

 


Quando eu era menina,
queria provar que eu conseguia
subir bem alto na minha longa vida
diante de quem duvidou de mim um dia.

Percebi que a vida era correria,
uma alucinação frenética do ego.
A vida material é correr para o vento,
mas abandonei tudo e segui outro sentimento. 

Se você calar a voz do ego,
certamente ouvirá vozes mais puras.
No fundo da alma, sussurram vozes,
vozes iluminadas, suaves, doces e maduras.

Para ouvir as vozes da alma e do Além,
é preciso abandonar tudo e ser uma maga.
A voz da alma não quer provar nada,
pois não é preciso provar nada para ninguém.

Despojada de todos os meus títulos,
até esqueço que sou advogada.
Com roupas simples e descalça,
vivo a vida simples e abençoada.

Viemos ao mundo nus e frágeis,
morreremos despidos e sem vantagens.
Toda essa vida é uma miragem de vaidade,
correr para o vento como está em Eclesiastes.

Os títulos perdem a importância,
os bens materiais perdem o deslumbre.
A vida deixa de ser vaidade e ganância
e passa a ser espiritual abundância.

O importante é sentir paz no coração,
leveza discreta, simples e incorruptível.
O importante é a simplicidade invisível,
o que realmente tem valor não é exibido.

O mundo está doente e ególatra,
repleto de exibicionismo em redes sociais.
As pessoas exibem a felicidade que não sentem,
correm contra o vento numa vaidade doente.

Quem já me viu de cabeça erguida,
de salto alto, maquiagem e purpurina,
talvez tenha pensado que eu sou metida.
Eles não conhecem minha visão sabática da vida.

Minha visão sabática da vida 
gira em torno de uma discrição silenciosa.
É preciso ser feliz por dentro da alma,
afastando-se do mundo numa aura misteriosa.

Afastada do mundo e longe do exibicionismo,
encontro a felicidade que vem do espírito.
Essa felicidade é real, etérea e invisível,
porque brota do meu encontro com o infinito.

Uma rede social fechada e discreta
indica uma alma aberta e desperta.
Isolada do mundo, encontro a natureza,
a solidão também tem alegria e beleza.

A humildade é a força mais viável,
porque o simples é o inabalável.
Quem anda com os pés fincados na terra
é humilde, seguro, firme e não tropeça.

Por que se preocupar com o dia?
A graça de Deus proverá tudo.
A beleza do lírio é pura poesia
que Jesus recitou em tom absoluto.

Metade do caminho espiritual
é lutar pela nossa transformação interior.
A outra metade do caminho espiritual
é deixar a graça de Deus agir com esplendor.

A vida frenética não me representa mais,
tudo o que eu quero é um momento sabático.
O silêncio é o grande mestre da humildade
que conduz a minha alma à simplicidade.

No meio dos advogados e juristas, 
já não me sinto mais como eles.
No meio de escritores e poetas,
já não me sinto mais como eles.

No meio de tantos títulos,
já não me importo mais com eles.
Descobri que nada mais importa,
exceto a paz que tudo suporta.

Sinto que minha simplicidade é ternura,
e minha doçura deixa minha alma pura.
Não tenho mais tempo para a minha vaidade
nem para as diversas vaidades dos outros. 

Só quero viver em busca da paz interior,
só quero sentir fé, esperança e amor.
Quero amar a Deus sobre todas as coisas,
porque só a paz desse amor importa.

Poesia escrita por Tatyana Casarino.

Tatyana Casarino é Especialista em Direito Constitucional, Advogada, escritora e poetisa. 

    


   Essa poesia representa o momento sabático da minha vida. Longe do meu país e das minhas atividades acadêmicas e profissionais, descobri a expansão de uma nova consciência espiritual e uma visão mais humilde e sábia da vida. É bom estar longe dos holofotes, pois descobrimos, desse modo, que as verdadeiras luzes estão dentro de nós.
  Quando acendemos as luzes da alma, percebemos, de forma lúcida e espiritual, que somente a paz interior importa. Em um período sabático, não trabalhamos externamente, mas o desenvolvimento espiritual do nosso interior é bem trabalhoso e intenso para a alma. 

Tatyana Casarino. 

Trechos Bíblicos que inspiraram a poesia:




Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.


Mateus 6:25-34

Sobre a passagem bíblica "Olhai os lírios do campo":





Eclesiastes 5:
15 O ser humano sai nu do ventre de sua mãe; assim como vem ao mundo, assim parte deste. De todo o trabalho em que se extenuou nada poderá levar consigo! 16 Mas há ainda outro mal doloroso: concluir ao final da vida que simplesmente correu atrás do vento; do mesmo modo como veio; assim vai.


Sobre o livro bíblico Eclesiastes:



Tatyana Casarino. 




sábado, 7 de março de 2020

Cachorro: nossa cura



Cachorro é uma estrela peluda
que você toca quando o céu brilha.
É o pedido que a estrela cadente deu,
é a doçura que o ser humano perdeu.

É o entusiasmo que o mundo apagou,
é abanar o rabo para quem te magoou.
É o perdão eterno, a graça de Deus,
é louvar a existência por ser teu.

Tem gente que, quando está triste,
toma Rivotril e fica muito robotizado.
Eu nunca tomei nada que é psiquiátrico,
pois meu cão me cura ao abanar o rabo.

Tem gente que, quando está ansioso,
bebe bastante cerveja e traga um cigarro.
Mas, eu quando estou irritada e nervosa,
passeio com meu cão no pátio ou no carro. 

Ser poeta é aguentar tudo 
sem reclamar do nosso mundo.
É aguentar na raça o peito
e as angústias de ser profundo.

Eu aguento na raça mesmo
todas as angústias do meu peito.
Sem Rivotril, sem álcool, sem cigarro,
atravesso lúcida o túnel dos angustiados. 

Há uma luz em superar por si mesmo!
No tempo dos Vikings, não havia Rivotril!
Mas, em todo o tempo, havia guerra.
A vida é batalha dura, caro poeta.

Gosto da espada afiada e da armadura,
gosto da cara lavada, da verdade nua e crua.
Somente os cães e as nossas poesias
vão suavizar os pesos das nossas vidas.

Eu aguento tudo no peito e na raça,
desde que um cachorro me acompanhe.
Meu melhor amigo pode ser de qualquer raça,
vou amá-lo mesmo se for um livre vira-lata.

Cachorro é calmante melhor que Maracugina,
é sabor de Coca-cola gelada do bar da esquina
Cachorro é o raio de sol do novo e colorido dia,
que aquece o coração como uma bela poesia.

Quando estou triste e sem energia,
a recepção calorosa de um cão me revigora.
A alegria, os pulos e os latidos:
tudo reacende o entusiasmo perdido.

Naqueles dias em que o coração é silêncio,
o barulho animado do seu cachorro
é o seu maior e mais belo tesouro.
O cão tem as chaves dos celestes reinos. 

O cachorro é a nossa cura,
pois reúne o calor do sol dourado
com o encanto prateado da lua.
Ter um cão é ter uma constelação só sua.

Quem disse que cão não tem espírito?
Quando olho em seus olhos escuros,
vejo duas estrelas do universo, dois mundos.
Eles merecem o céu antes de qualquer ser vivo. 

Cachorro é a nossa estrela-guia,
guia de como chegar ao paraíso.
Ter um cão é garantia de sorrisos,
grata pela minha estrela viva.

Meu coração peludo, meu bibelô,
para sempre o meu bicho amado.
Quem não ama os cães é amargurado,
não tem a beleza dos bem-aventurados.

Bem-aventurado quem ama o seu cão,
dispensando o álcool e o cigarro.
O cachorro é a garantia de ser amado,
melhor antídoto contra a depressão.

Poesia escrita por Tatyana Casarino.


                     

Foto da cachorrinha da Taty Casarino, a autora da poesia. 
Essa linda cachorrinha é da raça Maltês e se chama Estrela. 



  Essa poesia evidencia a paixão da poetisa por animais, especialmente pelos cachorros. O amor fraterno e a ternura que o ser humano pode nutrir pelos animais aquece a alma, cura as feridas, afasta as nossas angústias e revigora o espírito. Além disso, todo amor doado a qualquer cachorro retorna em dobro para o ser humano. Sentir-se amado por um animal de estimação cura as nossas carências existenciais e mostra o caminho do amor universal. 
   O amor pela natureza e pelos animais pode levar à compreensão profunda dos mistérios de Deus, já que toda a natureza e todas as criaturas estão louvando a Deus com a sua existência. Amar a natureza também é louvar a Deus e descobrir o que há de melhor em nós. Esse é o amor que nos conecta diretamente com a nossa essência e que dispensa qualquer remédio artificial ou vício do mundo humano. Esse amor é a fonte da paz interior, pois é a fonte da verdade. 

             

Imagem de São Francisco de Assis 

    

    Por fim, amar a natureza traz humildade ao coração humano, simplicidade à alma e nos ensina o caminho da paz, do amor e do perdão. A sabedoria da natureza esteve presente no caminho de muitos Mestres Espirituais e de muitos santos, como na vida de São Francisco de Assis. Que São Francisco de Assis aprofunde o nosso amor e o nosso respeito pela natureza! Que São Francisco de Assis proteja os nossos abençoados animais!

Tatyana Casarino.

Tatyana Casarino é Especialista em Direito Constitucional, Advogada, Escritora e Poetisa.