O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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sábado, 24 de novembro de 2018

Como sonham as sereias



Como cada anoitecer,
Nancy se deixa ver,
ao olhar as estrelas
dessa bela praia.

E Louis não sabe mais
viver sem o sal do mar.
Nunca houve um herói assim,
entre os demônios e os serafins.

Ele tem tanta, tanta mágoa.
Mágoa afogada no vinho
renasce em forma de espinhos.
Então, ele quer a cura da água.

Mágoa se cura com água,
água de suor, mar e lágrimas.
E quanta, quanta mágoa...
A alma dele precisa ser lavada.

Certa vez, pulou de seu navio
no meio dos trovões da tempestade.
Buscava apagar sua dor com a morte,
mas foi salvo por sua beldade.

A sereia docemente o carregou
enquanto cantava com os serafins.
Levou o príncipe até a praia
e mergulhou num beijo sem fim.

Ele aprendeu a amar a vida,
a ser lúcido e a apagar as mágoas.
Tudo por causa do chamado doce
que brotou do fundo da água salgada.

Nancy disse para Louis 
"Nossa história precisa ser contada."
Desde então, sussurram em meus ouvidos
"Taty, Taty, Taty, Taty."

Sonho que surgem do mar
paraísos feitos de pérolas,
cálidas histórias de amar
sussurradas docemente.

"Taty, Taty, Taty, Taty,
escreva a nossa história de amor
que sobreviveu à tempestade.
Taty, Taty, Taty, Taty".

E agora sonho com contos de sereias,
escrevo poesias sobre os mares
nas asas de um caranguejo alado.
Respiro o ar da lua e das estrelas.

Durante a noite, meu espírito navega
nos oceanos, nas praias e galáxias.
Minha camisola branca esvoaçante
beija o mar e abraça a lua.

Este é o meu desejo,
esta é a minha inspiração.
Serei para sempre lembrada
como alguém que amou e foi amada.

Toda a minha vida tem um chamado,
e eu não posso afastar-me desse prados.
Tudo o que você precisa é ouvir o coração
e nadar no mar como se ele fosse uma canção.

O crepúsculo é pouco para nós,
nós queremos a música da noite.
Como um fantasma mascarado,
nós queremos o encanto mais prateado.

Histórias nasceram para viver,
encantar, emocionar e tocar.
Não há nada mais verdadeiro
que o encanto do poeta faceiro.

Há belas que amam feras,
há fantasmas sob as estrelas.
Há versos que navegam no mar
e viram palavras na areia.

Eu nado com uma cauda prateada
sob o céu noturno e a lua brilhante.
Eu nado ao lado de outra sereia
que sussurra versos a noite inteira.

"Não se esqueça de mim em terra firme."
Ela dizia durante a travessia.
Cheguei até a areia dourada
e vi um príncipe vestido de poesia.

Ele me carregou no colo sorridente
e jogou meu corpo para as estrelas.
Entrei nas nuvens do céu noturno,
entrei em um livro com brumas de netuno. 

Devo escrever esta história,
devo contar para o mundo.
Eis a felicidade do mar,
nosso desejo mais profundo.

Poesia escrita por Tatyana Casarino.

Tatyana Casarino é Especialista em Direito Constitucional, Advogada e Poetisa.

Essa poesia é inspirada em um conto que Taty Casarino está escrevendo sobre o amor de uma sereia por um humano. A música "Como sueñan las sirenas" da cantora espanhola Ana Torroja inspirou o título da poesia e os primeiros versos. 

***Confiram a música "Como sueñan las sirenas de Ana Torroja"

                       
https://www.youtube.com/watch?v=2TJEqExYVaw


***Curiosidade

A canção "Como sueñan las sirenas" lançada pela cantora espanhola Ana Torroja em 1995 teve um versão em português no Brasil com o nome "Príncipe dos Mares". Esta canção "Príncipe dos Mares" foi lançada pela dupla Sandy & Júnior em 1999 no álbum "As quatro estações". 

Confiram a música "Príncipe dos Mares" de Sandy & Júnior


https://www.youtube.com/watch?v=mTHPH-WCyUo


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**Spotify 

tatycasarino-br (nome do perfil) -- Repleto de músicas boas e Playlists ecléticas que vão desde o Rock Metal até o Pop leve e romântico. Confiram Playlists astrológicas (Taty Casarino criou uma playlist para cada signo do zodíaco), românticas, rockeiras e inspiradoras -- você escutará até mesmo músicas que inspiram as Poesias de Sereias e Vampiros. Do New Age até Trilhas Sonoras de filmes (Animações da Disney e Musicais como Mamma Mia e O Fantasma da Ópera) você encontrará de tudo por lá. 

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**YouTube

**Taty Casarino (nome do perfil) -- Taty Casarino tem um canal no YouTube de poesia, conhecimento, misticismo, astrologia, romantismo, religião, oração e reflexões. O propósito do seu canal no YouTube é ser uma extensão do seu blogue, o Recanto da Escritora, promovendo suas ideias e poesias. Além dos vídeos de poesias, você encontrará vídeos diversos. Os temas tratados no YouTube são variados, mas todos estão em harmonia com o objetivo de incentivar a arte, a cultura e os bons e belos sentimentos. Seja feliz, navegante da internet que veio parar nos perfis da Taty! 

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Tatyana Casarino (nome do perfil) -- Tatyana Casarino tem um perfil no mais famoso site e aplicativo de imagens, o Pinterest. Em seu perfil no Pinterest, Taty organiza em pastas as gravuras por temas. Lá você encontrará a maioria das gravuras que a Taty usa no blogue. Alguns exemplos de pastas dela no Pinterest -- Sereia, Moda, Animais fofos, Divas da Moda, Humor, Romantic, Poesia, Arte, Anjos, Flores, Sagrado Feminino, Contos de Fadas, Espiritualidade, Misticismo, Princesas, Natureza, Direito, Castelos e etc. 

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https://br.pinterest.com/tatyanacasarino/





***Confiram todas as poesias com o tema "Sereias" já publicadas nesse blogue

http://tatycasarino.blogspot.com/search/label/Poesias%20de%20Sereias

***Confiram as Poesias que narram o conto citado na Poesia de hoje

*De Sereia à Imperatriz

http://tatycasarino.blogspot.com/2017/08/de-sereia-imperatriz.html

*A Sereia da Cauda Prateada

http://tatycasarino.blogspot.com/2016/12/a-sereia-da-cauda-prateada.html


Tatyana Casarino. Todos os direitos reservados. 

sábado, 10 de novembro de 2018

Valentin: O Vampiro inglês



Ele era um bom menino,
estudioso e bem quietinho.
Estudou em colégio religioso,
era moralista e virtuoso.

Seu pai era um rei bondoso
que ajudava a vila e o povo.
Sua mãe era uma rainha formosa,
muito bela, meiga e caridosa.

Valentin não queria ser príncipe,
tinha aversão ao seu próprio poder.
Não queria participar de batalhas,
tinha pavor de todas as armas.

Valentin gostava de ir à missa,
tinha decorado toda a bíblia.
Estudava para ser o novo padre
usava até o cinto da castidade. 

Certo dia, a eclosão de uma guerra
devastou o reino de sua Inglaterra.
Seu pai e sua mãe morreram,
e ele sobreviveu como único herdeiro.

Quando soube que estava órfão,
seus olhos azuis ficaram arregalados.
Naquela noite, raios e trovões pesados
faziam tremer o mosteiro de seu seminário.

Lágrimas logo caíram sobre a bíblia
assim que ele chorou e gritou.
A saudade dos pais quase o matou 
junto da culpa que o dilacerou.

"Por que eu não fui à guerra
para ajudar o reino da Inglaterra?"
Ele se questionava em culpa e lágrimas
por se esconder num mosteiro sem armas. 

"Será que, se eu tivesse lutado,
meus pais e o reino estariam salvos?"
Ele indagava para a lua cheia
enquanto sentia o peito angustiado.

"Será que eu tentei ser virtuoso,
mas minha omissão foi desastrosa?"
Perguntou Valentin de forma chorosa
antes de descer as escadas em espiral.

Correu para o seu castelo,
queria ajudar o seu reino.
Mas avistou o usurpador francês
que matou seu pai pelo reino inglês.

Escondido atrás das árvores,
Valentin viu um rei falso e maldoso
ao lado de uma rainha feia e sem graça.
Eles não eram como seus pais virtuosos.

Os usurpadores estavam debruçados na janela
e tomavam vinho enquanto falavam de guerra.
Valentin chorou silenciosamente sob a lua
quando viu seu jardim devastado e a terra nua.

Voltou correndo para o mosteiro,
subiu as escadas bufando de ódio.
Os outros padres ficaram preocupados,
mas Valentin estava silencioso e mórbido.

Revirava em sua cama durante a noite,
sua febre provocava ardência no corpo.
Relampejava quando sua testa suava,
e, então, ele acordou para o lunar açoite.

Perguntas açoitavam a sua alma:
"Vale a pena seguir a virtude
se os reis maus sucedem os bons?
Vale a pena seguir a caridade?"

Acordou com os olhos vermelhos,
queimou o seu cinto de castidade
e rasgou a sua sagrada e sonhada batina.
Soltou os cabelos negros, apagou a lamparina.

Desceu as escadas bufando,
queria fugir daquele seminário.
Seu professor tentou impedir a fuga,
mas Valentin agrediu o bispo com fúria.

Sua força foi multiplicada pela lua,
e ele quebrou a janela ao arrombar a porta.
Saiu a correr feito um profano cego
por aquela floresta que lembrava o deserto.

Adentrou em um bordel francês
que foi trazido pelo novo rei.
Dançou, gritou, bebeu, cantou,
tomou um litro de vinho e depois urrou. 

Sua forma de lidar com a dor
foi a de enlouquecer profundamente.
A angústia arrebentou as cercas da alma,
libertando todos os vícios latentes.

Beijou três prostitutas sob a lua,
arrancou as máscaras delas e as plumas.
Da castidade mais rígida do internato,
ele saltou para a luxúria mais insana.

Quando não sabemos encontrar o equilíbrio,
o excesso de virtude pode ser maléfico
ao trancafiar os desconhecidos vícios.
Só a balança traz o meio do caminho.

Arrancou a peruca branca de uma prostituta
que usava uma maquiagem bem forte.
Puxou os cabelos castanhos dela num suspiro
enquanto a lua o transformava num vampiro.

Escolheu esta prostituta de cabelo escuro
para ter a sua primeira noite de prazer.
Subiu as escadas do bordel em segundos 
enquanto latejavam os seus instintos obscuros.

Sentiu sede do sangue da francesa
e atacou a bela mulher indefesa
cujo pescoço sofreu e sangrou.
O vampiro gargalhou e chorou.

O bordel chamou a polícia
por causa da mulher mordida.
A francesa sangrava sobre a cama,
mas o vampiro logo escapou.

Ao ver que tinha se tornado um monstro,
quebrou os espelhos do quarto do bordel
com um cinzeiro prateado e dourado.
Depois, pulou a janela e escapou dali.

Correu com monstruosa velocidade
no meio do bosque e camuflado nas árvores.
Decidiu se vingar do sarcástico rei usurpador
para honrar o pai e a guerra que acabou.

Quando chegou perto do castelo,
avistou a princesa Catherine Lee.
Diferentemente do rei e da rainha dementes,
Cathy era bela, bondosa e sorridente.

"Vingar-me-ei do rei ao matar a sua filha
que parece ser tão virtuosa, doce e inocente.
Eu era tão inocente quanto essa donzela,
não suporto ver seu sorriso atrás da janela!"

Certa noite, foi marcado um baile
cujos convidados estariam mascarados.
Valentin apareceu na festa
e caçou pelo salão a donzela.

Cathy usava uma peruca roxa,
uma máscara prateada brilhante 
e um vestido preto de renda.
Este é só o início dessa lenda. 

Poesia escrita por Tatyana Casarino.




*Tatyana Casarino é paulista da cidade de Presidente Prudente/SP. Todavia, ela morou boa parte de sua vida em Santa Maria/RS, já passou por Fortaleza/CE e atualmente vive em Brasília/DF. Ela é Advogada, Especialista em Direito Constitucional, poetisa e escritora. 

 Mais sobre Tatyana: Suas poesias costumam ser místicas e simbólicas. Seu principal objetivo na literatura é levar a conscientização da importância de olhar para dentro de si mesmo e aperfeiçoar a personalidade. Somos seres humanos em constante evolução. 

*Sobre a Poesia desta postagem:



**A poesia alerta para a necessidade de trilhar o caminho do meio entre as virtudes e os vícios, já que sufocar os vícios em busca de uma santidade impossível pode trazer o efeito contrário. Na história contada pela poesia e criada por Taty Casarino, o personagem Valentin expandiu os vícios após um acesso de loucura, restando perigosa e contraditória a sua obsessão inicial pela virtude. 




**Leia mais poesias de Vampiros (o leitor perceberá que muitas delas também pertencem à história descrita pela poesia desta postagem) no seguinte Link:

http://tatycasarino.blogspot.com/search/label/Poesias%20de%20Vampiros

**Observação: O Link citado remete a todas as poesias de vampiros já escritas nesse blogue. Se você gostou do viés gótico da poesia de hoje, certamente gostará das outras poesias. ;) 

Tatyana Casarino 


*Confira uma música que combina com a postagem por representar o conflito entre a libido humana e o anseio pela pureza religiosa:


Sadeness - Enigma 


https://www.youtube.com/watch?v=4F9DxYhqmKw

*Tradução da música citada:

https://www.letras.mus.br/enigma/12926/traducao.html

sábado, 29 de setembro de 2018

Mais quente do que o vinho



"Há um prazer na floresta sem caminhos,
há um arrebatamento na costa solitária."
Lord Byron 


Príncipe Louis, cuidado com o vinho,
pois, no fundo da taça, está o destino.
No mar, as ondas estão muito agitadas,
bem como os sentimentos de sua alma.

Os demônios do mar tentam lhe derrubar,
mas sua alma é forte como o trovão.
Enquanto sua consciência cai no oceano,
o canto da sereia embala o seu coração.

Suspira olhando as estrelas em brasa
durante a tempestuosa e longa madrugada.
E o sangue corre entre as sensações do espírito
como se fosse um rio feito de dor e vinho.

Você tenta sobreviver ao chutar as ondas,
mas o mar é mais forte que sua teimosia.
Quem será a próxima rainha da França?
Sem a sua paixão, não há mais esperança.

Nosso peito explode de mágoa e fé
durante o brilho das estrelas francesas.
Se você quer mais amor, mergulhe.
Se você quer mais paz, orgulhe-se.

O céu noturno é amplo como seu desejo
e profundo como seu instinto de viver.
Sem a sua coroa, Louis, quem é você?
Qual é a imagem que está no seu espelho?

O amor é forte como o oceano,
sendo renovado a cada bela onda.
Inconsciente, você navega nos braços do amor,
quando a sereia acende seu lado profano.

Por trás de sua máscara fria,
um homem apaixonado e sensível.
Por trás de sua biblioteca,
aquário, flores e poesias.

A sereia bela logo te salvou
e te carregou à terra firme.
Um beijo doce te despertou
das ilusões mentais sem limites.

Viva a consciência despertada
e a lucidez plena da alma.
Viva o amor que é tão divino
e mais quente do que o vinho.

Poesia escrita por Tatyana Casarino.

A poesia retrata um capítulo importante do Conto de Taty Casarino sobre Sereias. Através da fantasia dos Contos de Fadas, podemos refletir a respeito de vários elementos da realidade, tais como: amor, fé, perseverança, perdão e a luta moral do bem contra o mal. 

*Gravura da artista Victoria Frances, famosa por suas pinturas místicas, góticas, sensuais e femininas. Site da artista: http://victoriafrances.es/

**Confira um vídeo com músicas instrumentais e góticas que combinam com a poesia:


                                    https://www.youtube.com/watch?v=Yp3IoC01drc

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Tenha um olhar mais profundo



O homem extrovertido é como vagabundo:
vai onde o vento leva, não tem amor fecundo.
Gosto de homens quietos, inteligentes e profundos,
que são introspectivos, sensíveis e sortudos.

O homem tem de ser mais que bonito,
ele tem de carregar um quê de triste,
um quê de homem que não se enquadra.
Se for apenas bonito, então valerá nada.

A razão do sofrimento das mulheres
é apaixonar-se pelo playboy bonitão,
que é vazio por dentro e muito fanfarrão.
Mil vezes uma Fera que um tolo Gaston.*

Dê uma chance para o quietinho, mulher,
aquele que tu pensas ser pacato até demais.
É dentro dele que está a chama viva do amar,
e é na cama e na intimidade que ele se soltará.

Um óculos de grau pode ser sexy,
bem mais sexy do que músculos,
porque indicam vistam que leem muito.
E todo homem que lê é bem profundo.

Dê uma chance para o nerd, mulher,
para aquele branquelo de camiseta preta.
Ele é aquele típico homem recluso,
que não toma sol e vive para os estudos.

O fanfarrão é um maria-vai-com-as-outras:
sem personalidade, sem conteúdo e sem futuro.
Daqui a dez dez anos será um solitário barrigudo
que viveu para a cachaça e esqueceu os estudos.

O garoto popular e bonitão da sala de aula
será careca, sem graça e barrigudo no futuro.
Mas, tu, cara mulher, será mais linda em tudo,
levanta a tua cabeça e tenha um olhar mais profundo.

É o nerd que te merece, mulher,
pois ele tem um peito largo e amoroso.
O musculoso tem o cérebro atrofiado,
mas o nerd tem mente e corações alargados.

A alma alargada do tímido
é azul como a cor do mar:
dá vontade de pular e mergulhar
e nunca mais sair daquele lar.

Não posso ver um tímido
que sinto vontade de abraçar.
E é naquele abraço caloroso
que tu conhecerás todo o pulsar.

Não gosto de homens tagarelas
que somente vivem para falar.
Gosto é de homem quietinho
que diz tudo em um só olhar.

Viva o homem quieto que ama, 
posto que seu amor é mais que chama
e não depende do humor do vento.
Só o introspectivo tem leal sentimento.

Palavras são tão desnecessárias,
não gosto de falsas gargalhadas.
Não aprecio as barulhentas baladas,
prefiro as silenciosas e nobres batalhas. 

Os introspectivos reinam como estrelas,
basta olhar as suas coroas de prata.
Solitários no meio do céu noturno,
sua quietude esconde as suas brasas. 

Oh! Garota do colegial com jeans rasgado,
teu All Star roxo ainda será um Scarpin lindo. 
E, ao invés de uma tiara jovial cor de vinho,
em sua cabeça terá a coroa dos tímidos.

Teu olhar mais profundo ainda te levará longe
quando o seu caranguejo se transformar num leão.*
Tu serás a rainha dos introspectivos em plena ascensão,
pois serás, para todos os tímidos, o exemplo de autoexpressão. 

E, se porventura passares a imagem de convencida,
será justamente por estar no caminho correto da sua missão.
Não poderás mais ser tímida nem deixar a poesia oprimida,
deverás expressar todas as chamas de seu nobre coração.

A humildade reside em compartilhar e não em se esconder,
é inspirando com amor as pessoas que a humildade irá viver. 
Ensina tudo o que sabes, escreva e fala tudo o que pensas,
assim inspirará os tímidos que contigo irão ascender. 

Poesia escrita por Tatyana Casarino. 

*Referência à História de Conto de Fadas "A Bela e a Fera." 

*Referência astrológica aos signos de Câncer e Leão -- um signo tímido e um signo autoconfiante respectivamente. 

                      


   Essa poesia expressa as minhas metas mais sensíveis no mundo da poesia e da literatura desde o início: levar paz aos corações angustiados e inspirar os tímidos a se expressarem sem medo. 

  Nos primeiros versos, a poesia é um pouco sarcástica em relação à realidade de alguns extrovertidos para introduzir com humor o universo dos tímidos -- tão brilhante e, ao mesmo, subestimado por grande parcela da sociedade. Sendo assim, para combater o preconceito em relação aos tímidos, a poesia ressalta o valor dos homens introspectivos. 

  Nos últimos versos, a poesia muda a abordagem e assume tom mais reflexivo e filosófico sobre a missão da poetisa e a lembrança do despertar de seus dons ainda na adolescência. O desenvolvimento de seus dons ocorreu com a perda da timidez. Ainda no processo de autoexpressão, os tímidos não foram esquecidos, pois serão o alvo principal de sua poesia.  

  A poetisa, de forma divertida, afirma ser a "rainha" dos tímidos e almeja inspirar os introspectivos a deixar a sua luz brilhar. Para isso, ela mesma precisa expor a sua luz a fim de inspirar os demais, o que pode passar uma "aura" convencida. Basta um olhar mais profundo para ver a humildade por trás da autoexpressão verdadeira e para ver a luz por trás de um tímido. Dentro de um tímido, também há muita luz. E, dentro de uma pessoa expressiva, também pode haver um passado tímido. 

    Se esta poesia incentivar pelo menos uma pessoa a se expressar ou a valorizar mais os tímidos, a poetisa ficará feliz. 

**Observação:

                


     A imagem da poesia é uma cena do clipe "Enjoy the silence" da Banda Despeche Mode. Trata-se do cantor e compositor britânico Dave Gahan usando uma coroa dourada e uma capa vermelha típica de rei. No clipe, ele caminha por diferentes paisagens solitário, como se reinasse em seu próprio mundo interior -- comportamento semelhante ao das pessoas interiorizadas. 
     A letra da música faz alusão à importância do silêncio. Adoro esta música e penso que, num mundo tão tagarela e extrovertido, quem consegue penetrar no misterioso silêncio da alma é rei. 

Tatyana Casarino 

**Confira o clipe da música Enjoy the silence (Aprecie o silêncio):

"Words are very unnecessary,
they can only do harm.
Enjoy the silence."

"Palavras são tão desnecessárias,
elas só podem machucar.
Aprecie o silêncio."

Trecho da música citada. 

*Letra e tradução completas da música:

https://www.letras.mus.br/depeche-mode/10455/traducao.html

*Clipe:




                         https://www.youtube.com/watch?v=aGSKrC7dGcY

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Let the sun shines




Você me ronda e me seduz
ao me dizer coisas da luz.
E me convence que a realidade
é a mais feliz das beldades.

O mundo gira em torno de você,
e você gira em torno de mim.
Você arranca todos os meus medos
e me faz ser bem mais feliz.

Nas tuas grandes asas douradas, 
você, oh! sol, ensina-me a ser leve.
E, voando pelo céu, sinto-me animada
para concretizar o que minh'alma pede.

Você me arranca do mundinho da lua
e me faz ser mais realista e pura.
Você retira o excesso de poesia obsoleta
e me traz um diploma e uma toga preta.

Você sussurra em meus ouvidos
cantos de amor, paz e lucidez.
Você me motiva a ser próspera
além de queimar a velha insensatez.

Os metais de marte rasgam minh'alma,
queimando todas as minhas feridas lunáticas.
E, assim, minh'alma é muito lapidada
pelo guerreiro da armadura dourada.

Perdida entre as sombras da noite,
tocar em sua luz deixou minh'alma curada.
E, quando a loucura gritava nas sombras,
a lucidez venceu pelo sangue da sua espada.

Atormentada pelos fantasmas do inferno,
rezar pela sua luz ressuscitou o paraíso.
E, quando tudo parecia frio e perdido,
seu sorriso terno trouxe o calor que eu preciso.

A lua jamais terá o calor do sol,
não importam quantas bandeiras sejam levantadas.
Queriam que eu me revoltasse contra ele,
mas estou completamente apaixonada.

Querem apagar as luzes do mundo
e me fazer acreditar em ideias lunáticas.
Mas, eu rezo todo dia para o seu calor paternal
brilhar com ordem e força sobre as almas.

O mundo da lua é infantil e carente
enquanto o sol é realista e inteligente.
O mundo da lua é poesia e fantasia
enquanto o sol brilha sobre a nossa vida.

Já me senti tão diferente e lunática
que cheguei a perguntar se a vida era para mim.
Minha sensibilidade era tão aflorada
que tudo doía e se esparramava em mim.

Mas, o sol me disse que a vida vale a pena
e que a realidade pode ser o mais doce poema.
Ele só pediu que eu sacrificasse a lua
e, então, ele me daria a lucidez mais pura.

Ele cantou versos de amor em meus ouvidos
como um Romeu ousado e destemido.
Prometeu colocar paz em meu coração
se eu sacrificasse a lua, a rainha da tensão.

Ele me disse coisas belas sobre a luz do dia
e que, sob o sol, as flores ficavam coloridas.
Ele me disse que nem todas as estrelas juntas
poderiam brilhar mais que a sua luz astuta. 

Ele me beijou com seus lábios quentes
e entrelaçou meus dedos nas mãos dele.
Depois, me conduziu à realidade
ao atravessar a ponte da luz e da verdade.

Ele me arrancou do mundo dos anjos,
das estrelas, das fantasias e das crianças
para me levar ao mundo dos adultos:
sérios, engravatados, serenos e lúcidos,

Ele me prometeu um lugar ao sol
e me mostrou a beleza da claridade.
Desde então, nunca mais quis a noite
que, com suas brumas, encobre a verdade.

Ele me beijou com todo seu ardor
depois me acariciou suave e lentamente.
Foram embora minhas preocupações e medos
assim que ele me envolveu com beijos.

Oh! Sol, você pode me ajudar?
Envolva minh'alma em seu esplendor
e leva embora toda a minha dor.
Que toda a angústia você possa queimar.

Ele me beijou como um Romeu apaixonado
enquanto arranca a minha pureza lunar.
Mas, todo Romeu pede sacrifícios para amar,
e ele me pediu para abandonar o passado.

Ele cortou as minhas asas prateadas 
e meus cabelos de anjo com sua espada.
Depois, queimou meu vestido florido
e me emprestou a sua armadura dourada. 

A poeira dos anjos nunca brilhou tanto
sob a luz dourada do imenso sol.
O beijo do príncipe despertou a princesa
que dormia na lua com sua beleza. 

I'll sacrifice all the moon in me
to let the sun shine.
I'll sacrifice, I'll sacrifice
all the moon in me, sacrifice. 

I'll sacrifice all the moon in me
to let the sun shine.
I'll sacrifice, I'll sacrifice
all the moon in me, sacrifice.

I'll sacrifice all the moon in me
to adapte to life.
I'll sacrifice, I'll sacrifice 
the moon in me to love the life. 

Love the life, love the life,
sacrifice, sacrifice.
I choose the life,
choose the life. 

I choose the sun shine,
i choose live the life.
I choose my light side,
I'll sacrifice my dark side. 

I'll sacrifice all the night in me
to let the sun shines.
I'll sacrifice, I'll sacrifice
all the moon in me, sacrifice.

Sacrifice, sacrifice,
live the life, live the life.
Let the sun shines,
let the sun shines.* 

Poesia escrita por Tatyana Casarino 

*Significado da Poesia: 

           


    Apesar de parecer a narrativa de um romance, a poesia vai muito além de um enlace romântico de contos de fadas. Repleta de metáforas e simbologias astrológicas, místicas e alquímicas, a poesia busca transmitir a transformação de uma pessoa sensível em uma pessoa madura. 
 De forma metafórica, há na poesia um romance entre o "sol" e a "lua", os quais representam o mundo da realidade e o mundo das fantasias respectivamente. Ao se apaixonar pelo homem que representa o sol (o personagem masculino seria a personificação do sol), a mulher (personagem feminina que representa a lua e narra a poesia) abre mão da escuridão da noite para seguir a luz do dia. 
  A escuridão noturna representa o mundo de sua alma lunar (advinda da lua): o mundo dos poetas, dos anjos, das crianças, dos sentimentos incompreendidos, das lágrimas, da alta sensibilidade e da fantasia. Entretanto, pertencer apenas no "mundo da lua" estava impedindo o fluxo da vida e causando dores emocionais, angústias e loucura (dizem que os loucos são "lunáticos", já que é típico da lua o afastamento da realidade). 
    A fim de obter paz no coração, lucidez e realizações, a personagem poética sacrifica o seu "mundo da lua" e decide viver sob a luz do sol, ou seja, no mundo da realidade, da lógica, do serviço e do cotidiano. 
       Vale lembrar que, consoante a Astrologia, a lua é regente do signo de Câncer e influencia as mulheres, os sentimentos, a criatividade, a arte, a loucura, a sensibilidade, a maternidade, a água, o mar, as marés, as crianças, as inspirações e as paixões. A lua seria também a regente dos registros da alma, das memórias, emoções, traumas, instintos e comportamentos inatos. 
       O sol, por sua vez, seria o representante do signo de Leão para a Astrologia além de reger o espírito. Quando superamos a lua (comportamentos irrefletidos), tocamos o sol espiritual, a nossa centelha divina, o fogo do espírito que concede amor à vida, lucidez, imparcialidade, racionalidade, sensatez e maturidade. 
        Além do mais, quando tocamos o sol espiritual, vencemos as nossas carências, superamos vícios e paixões para expressarmos um orgulho positivo de nós mesmos e de nossa missão na realidade. 
      O correto sempre é o equilíbrio, ou seja, sabermos transitar entre o mundo da lua (emocional) e o mundo do sol (racional). Muito embora a poesia seja dramática e cite de forma romântica o sacrifício de toda a lua para viver o nosso lugar sob o sol, é recomendado que tenhamos um vínculo saudável com a nossa parte emocional a fim de não ficarmos muito "secos" e práticos. 
       O casamento do sol e da lua ( sol e lua estão representados por personagens apaixonados na poesia) é uma metáfora para a união equilibrada entre a nossa razão e emoção. Portanto, apaixonar-se pelo "sol" é a decisão de amar a vida e deixar para trás nossas atitudes imaturas ou lunáticas. A maturidade dói, mas é necessária para a evolução do espírito. 
        Salienta-se que a maturidade é um momento belo de despertar espiritual, onde abrimos os olhos para a realidade e abandonamos certos sonhos e ilusões. Tal despertar pode ser muito bem representado pelo Conto de Fadas "A Bela Adormecida" cujo "príncipe" é o nosso lado solar que beija nossos lábios e faz nosso espírito acordar. 

Tatyana Casarino 





*Tradução do título da Poesia:

Deixa o sol brilhar

*Tradução das estrofes em inglês:

Eu sacrificarei toda a lua em mim
para deixar o sol brilhar.
Vou sacrificar, vou sacrificar
toda a lua em mim, sacrifício.

Eu sacrificarei toda a lua em mim
para deixar o sol brilhar.
Vou sacrificar, vou sacrificar
toda a lua em mim, sacrifício.

Eu sacrificarei toda a lua em mim
para me adaptar à vida. 
Vou sacrificar, vou sacrificar
a lua em mim para amar a vida.

Ame a vida, ame a vida,
sacrifício, sacrifício.
Eu escolho a vida,
escolha a vida. 

Eu escolho o sol brilhar, 
eu escolho viver a vida.
Eu escolho o meu lado iluminado,
eu vou sacrificar o meu lado obscuro.

Eu sacrificarei toda a noite em mim
para deixar o sol brilhar.
Vou sacrificar, vou sacrificar,
toda a lua em mim, sacrifício.

Sacrifício, sacrifício,
viva a vida, viva a vida.
Deixa o sol brilhar,
deixa o sol brilhar.

Tatyana Casarino 



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