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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O lamentável preconceito entre ateus e religiosos

      O lamentável preconceito entre ateus e religiosos


 Ciência e fé sempre foram antagônicas e conflitantes no contexto da sociedade em que vivemos há muito tempo. Há os que confiam mais na ciência e se tornam céticos, e há os que entregam suas vidas à devoção de sua fé. E também há ainda aqueles que, embora tenham crenças íntimas e peculiares, conseguem conciliar conhecimento científico e devoção espiritual, fé e razão, equilibrando-se na "corda bamba" de uma vida intelectual diferente.
        Longe de querer discutir de forma profunda quem carrega mais legitimidade e valor, se é a fé ou se é a razão, esta postagem do blog vai falar de um assunto muito delicado e que me entristece muito: o preconceito entre ateus e religiosos.
        Todas as formas de preconceito me entristecem bastante, e é por isso que eu me sinto muito motivada a escrever trabalhos dos Direitos humanos das minorias sócias (grupos que, independentemente da quantidade de pessoas, são chamados de "minorias" sociais pelas características que o diferem do "padrão" social e que os leva à exclusão e ao preconceito como ocorre com afrodescendentes, índios, homossexuais, pessoas obesas, pessoas com dificuldade econômica, idosos, pessoas com alguma limitação física ou psíquica e etc).
                

          Para os meus olhos, todo ser humano é igual. A morte iguala todos nós, e isto é fato. A morte é a única verdade que podemos crer assim como tudo que a circunda: a igualdade, a falta de importância dos bens materiais diante da vida, a falta de importância do ego, da vaidade e do sucesso e o valor do amor, pois só a forma como amamos os outros importará depois. Se fomos amáveis, deixaremos, ao menos, saudade e bons legados. Se não éramos amáveis, não deixaremos nada.
               

           Se a morte igual a todos, por que a vida em sociedade continua a excluir, a oprimir, a marginalizar, a sufocar, a ridicularizar, a julgar, a criticar, a ferir e a corromper as pessoas? Não deveria a vida em sociedade respeitar a todo ser humano com sua dignidade, já que todos somos mortais?
        A Constituição Federal fixa como um dos grandes objetivos da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária:


"Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
 III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."

Na bíblia, também consta que Deus não faz acepção de pessoas, e que os homens não deverão julgar os outros pela aparência.

 Infelizmente, muitos continuam a desrespeitar a Constituição, condutas de corrupção e preconceito ocorrem em nosso país e, muitas vezes, as pessoas já se acostumaram a conviver com esse males e nem se revoltam mais, como se as mazelas fossem "normais" e como se não houvesse mais esperança.

Em todo esse contexto, se encaixa o trecho da música de Renato Russo retratado acima.

 Bem, mas se fôssemos discutir os conflitos de todas as minorias sociais e de tudo que ocorre em nosso país, não conseguiria escrever uma postagem de blog, mas um longo livro.
   Vou falar de uma minoria social peculiar e que sofre muito preconceito (principalmente, em nosso país que tem um histórico cristão e costumes religiosos tradicionais), mas também muitas vezes também é a própria autora de condutas de arrogância e de preconceito. Esta é a minoria social composta por ateus e agnósticos.
     Em meus estudos de Direitos humanos e democráticos, ao ler o livro do sociólogo francês Alain Touraine "O que é democracia?", percebi que os grupos de isolamento social por sofrerem discriminação social, muitas vezes, se fecham entre si e adotam uma postura de revolta e violência, devolvendo  à sociedade o preconceito que recebem e, ao invés, de lutarem por união e igualdade, encarnam o ciclo vicioso do preconceito. É a lei da física: toda ação possui sua reação. E a violência e o preconceito só geram mais violência e preconceito numa luta de egos e de arrogância.
      Um exemplo disto é o feminismo radical. Ao invés de as mulheres lutarem contra o machismo e expressarem todo seu valor e dignidade humana, muitas se revoltam e exageram nesse sentimento, criando noções radicais de dominação e de desejo de vingança contra o sistema patriarcal em uma luta contra o homem. Muitas se masculinizam e têm vergonha de serem femininas e delicadas, pois acham que assim perderão sua credibilidade intelectual, e acabam por cometer os mesmos erros do grupo antagônico que tanto elas criticam--o machismo.  
   Sendo assim, mergulham no abismo criado por elas próprias ao invés te terem orgulho de sua dignidade, de seu corpo, de sua personalidade. As mulheres deveriam pensar: "Sim, eu sou mulher, eu sou mais delicada, eu sou feminina e eu posso ser tão inteligente e competente como qualquer pessoa e como qualquer homem".
      

    Homens e mulheres apesar de diferenças físicas e psíquicas são seres humanos e têm o mesmo valor! Nenhum gênero é mais importante que o outro! O mundo precisa de homens e mulheres assim como precisa do dia e da noite! Vamos nos unir aos seres humanos e viver em harmonia com os homens agindo pelo bem da sociedade e fazendo o melhor que podemos fazer. Homens e mulheres unidos em virtudes pela paz e pela dignidade humana.


      Outra grupo de minoria social que sofre preconceito e ao invés de lutar por igualdade e harmonia, se fecha em si mesmo orgulhoso e devolve o preconceito com mais preconceito e até arrogância, muitas vezes, são os ateus e os agnósticos.
      Não podemos generalizar, é claro, mas muitos deles, ao invés de lutaram de modo inteligente e justo por seus direitos, atacam os religiosos e acabam se tornando tão "fervorosos" em seu ateísmo que acabam ficando, paradoxalmente, parecidos com aquilo que tanto criticam: a religião fervorosa. Eis o paradoxo de nossos tempo: o excesso de feminismo se assemelha ao "machismo" e o ateísmo fervoroso fica com aparência de "religião". Confuso e contraditório, não é?

   Eu fico indignada com qualquer tipo de preconceito. Eu fico triste quando ouço um religioso julgar um ateu equivocadamente: "Nossa, aquele lá não crê em Deus! Que horror ele não ter Deus no coração, não deve ser boa pessoa." Esta frase é completamente preconceituosa e lamentável, porque caráter não tem nada a ver com religião. Há pessoas religiosas boas e ruins, há ateus bons e ruins, há agnósticos bons e ruins e assim por diante.
    Não é necessário que haja crença em Deus para a existência de uma conduta virtuosa e bondosa. Não é necessário temer um castigo divino para que não se pratique um mal. Se isto fosse necessário, nosso caráter humano, independentemente de fé, seria duvidoso.
     Como dizia Albert Einstein(que tinha sua fé peculiar, acreditava que Deus estava nas forças do universo) : "Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível."
        
  É de Albert Einstein outra frase interessante também: "A ciência sem religião é manca e a religião sem a ciência é cega".

   É evidente que caráter e virtude são independentes de fé. Aristóteles que escreveu Ética a Nicômaco afirmava que a justiça deve ser a base da sociedade.
   Embora eu seja uma mulher de fé e minhas crenças espirituais influenciem muito a minha conduta, além de Deus, eu creio na virtude, e eu escolhi o caminho da virtude embora tenha vícios a lapidar não por uma questão de fé, mas por uma questão de princípio moral humano: eu respeito o ser humano, porque também quero ser respeitada.
    Eu creio num mundo melhor e meus atos são o reflexo do que eu quero ver no mundo. Sem hipocrisia, se eu quero um mundo mais honesto, eu primeiramente devo ser honesta, independentemente se os políticos são corruptos ou se a maioria das pessoas ao meu redor não é honesta.
    Eu acredito que a justiça é a base da sociedade, e a virtude que eu quero ver no mundo tem que nascer primeiro em mim.
  
   Eu gosto muito dos enunciados do filósofo Kant muito discutidos no curso de Direito:
  
  "Age como se a máxima da tua ação fosse para ser transformada, através da tua vontade, em uma lei universal da natureza."
 

  "Age de tal forma que uses a humanidade, tanto na tua pessoa, como na pessoa de qualquer outro, sempre e ao mesmo tempo como fim e nunca simplesmente como meio".

  A primeira frase diz respeito a agir de forma que sua atitude possa ser moral de forma universal e aplicável para todas as situações. Exemplo: É errado estacionar na vaga de estacionamento especial. Isto sempre será errado, não importa se eu ficarei 5 minutinhos ou 5 horas no estabelecimento. Eu não desejo que as pessoas estacionem em vagas especiais, pois se a lei for desrespeitada, a sociedade vira um caos. Logo, eu não posso fazer uma "brecha" na lei para mim só pelos meus "5 minutinhos"

 Já a segunda frase fala sobre o valor do ser humano. É preciso enxergar o ser humano como um fim em si mesmo e não como um meio para atingir objetivos. Jamais "usar" um ser humano para atingir benefícios.

  Infelizmente, muita gente pensa que fé e caráter são unidos, o que não é verdade. Cada religião tem sua própria moral, mas não fazer parte de nenhuma não significa ausência de moral ou de virtudes.
   
   Eu admiro e respeito os ateus e agnósticos, pois, muitas vezes, eles são melhores que muitos religiosos. Quando eles fazem o bem, é devido ao bem ser inato a eles como os princípios de virtude dentro deles e não por seguirem a moral de uma determinada uma religião.

   Porém, muitas vezes, eles são preconceituosos e arrogantes. Muitos dizem que as pessoas que creem em Deus são menos inteligentes ou fracas. Que quem precisa acreditar em vida após a morte ou crer em Deus para se reerguer é fraco. Todas essas afirmações não passam de falácias sem credibilidade.
  Há pessoas de fé fortes e há pessoas céticas fortes. Ao contrário do que dizem, não é que "pessoas de fé precisam de Deus para se apoiar", mas crer nele as deixam mais confiantes, mas são nelas mesmas e em sua luz interior que elas se apoiam. Além disso, como diz  o filósofo Epicuro: "A morte não é nada para nós". Segundo Epicuro, se a morte é o fim das sensações, ela não poder ser dolorosa fisicamente, e se ela é o fim da consciência não pode haver dor emocional. Logo, não há razão em considerar a morte algo terrível.
   E, é preciso ressaltar que a escolha por crer em vida após a morte não é para aliviar o medo da morte, o qual é impossível de ser totalmente aliviado, essa crença é apenas o reflexo da crença no mundo astral, o mundo das almas e onde essas retornarão ( ou seria o"mundo espiritual" aquele mundo das ideias que Platão afirmava, o verdadeiro mundo do qual somos apenas reflexos?)
 
  
  
   Assim como caráter não tem nada a ver com religião, inteligência não tem nada a ver com ceticismo. Se você for analisar a história da humanidade, tanto ateus quanto religiosos tiveram gênios ímpares.
Exemplos: Nietzsche e Freud eram ateus e geniais, assim como Albert
Einstein e Friedrich Gauss eram pessoas geniais e acreditavam em Deus.

    Genialidade não é uma questão religiosa. Há mentes brilhantes que convivem com fé e inteligência e há mentes céticas brilhantes também.

          
     Eu conheço pessoas inteligentes e de bom caráter nos mais diversos grupos sociais. Desde o ensino fundamental, tive colegas agnósticos e ateus geniais, e também conheci espíritas, evangélicos, católicos e pessoas com fé inteligentíssimas também.  Caráter não tem a ver com fé, e inteligência também não tem a ver com a fé ou com a falta dela.  


   Há algum tempo, ateus e agnósticos fazem campanhas bem originais, e algumas bem irônicas e agressivas.

Vejam algumas campanhas:
 

Esse outdoor não é, para mim, agressivo embora tenha uma pitada de ironia aí, principalmente pela frase estar sobre a gravura de um céu. Mas, expressa uma realidade: Você é bom sem Deus? Milhões são. Bondade e caráter não precisam estar vinculados a qualquer tipo de moral religiosa. Há ateus e agnósticos bons. As pessoas precisam parar com o preconceito de que eles são pessoas "sem Deus no coração" ou pessoas más. Muitos até sofrem exclusão social ou escondem seu ateísmo por terem medo de críticas sociais, o que é lamentável.

Entretanto, vejam o quanto é ridícula, absurda e arrogante a frase a seguir:

 
"Adultos com amigos imaginários são burros/estúpidos". Além disso, há símbolos religiosos sendo desrespeitados e indo para a lixeira. Se para um cético, anjos, santos e Deus são simplesmente "amigos imaginários", para muitos, eles representam uma realidade transcendental, que não pode ser vista, mas sentida (assim como os sentimentos não podem ser vistos, apenas sentidos). A fé merece respeito e as religiões, bem como seus símbolos também.

  Está mais do que evidente que inteligência não tem nada a ver com a fé ou com a falta dela, e que crer no invisível não o torna nem genial e nem estúpido. Ter fé não o torna pior ou melhor que ninguém. A maior estupidez que existe, para mim, é o preconceito.

A frase da gravura preconceituosa para mim é triste e desnecessária. Se os ateus e agnósticos querem respeito, não é desrespeitando as crenças dos outros que eles vão conseguir. Se eles querem tolerância, então que sejam tolerantes também.
 Sem querer propagar qualquer mensagem moralista com viés religioso, eu defendo, em primeiro lugar, a ética. E é por isso que escolho citar uma expressão filosófica (já comentada na postagem) e não religiosa para defender o respeito, a dignidade humana e a moral:
 
"Age como se a máxima da tua ação fosse para ser transformada, através da tua vontade, em uma lei universal da natureza."

     Se o grupo de ateísmo quer respeito, eles deveriam ter atitudes a favor do respeito. Já pensou se o desrespeito e a arrogância de afirmar que pessoas que creem são estúpidas se tornassem universais? Eles que não gostam de opressão e de arrogância não deveriam agir assim. Muitas religiões são arrogantes em seus dogmas e desrespeitam os ateus, o que é errado, mas eles não precisam sair atirando pedras em todos, porque se revoltam com isso.

    É preciso tomar cuidado para não considerar geniais apenas aqueles que pensam como nós e para não chamar de estúpidos apenas aqueles que são diferentes. É preciso reconhecer a genialidade que há nas mentes que discordamos sejam elas ateístas ou com fé. Há pessoas inteligentes com fé e há pessoas céticas inteligentes também.
    A frase preconceituosa "Adultos com amigos imaginários são burros/estúpidos" não passa de uma violência verbal sem fundamento.
 
  

Vamos nos unir pela harmonia e pelo bem-estar de uma sociedade livre e justa. A liberdade de crer em algo ou de não crer em nada é um direito de todos nós. LIBERDADE é um direito fundamental!!!

A Declaração universal dos direitos humanos diz:
 
Art. XVIII
 
Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.


 
 Se você é ateu, agnóstico ou religioso, lembre-se de que a liberdade religiosa é um direito humano. Assim como há a liberdade de pensamento para não crer em absolutamente nada, há a liberdade religiosa para se crer no que quiser. Religião ou falta dela não torna ninguém um ser humano pior ou melhor.
 Além disso:
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
— Artigo 1º Declaração Universal dos Direitos do Homem

 Se você crê em Deus e no mundo espiritual, lembre-se que além da liberdade religiosa ser um direito humano, não se sinta ofendido se suas crenças forem subestimadas ou se a realidade em que você crê é chamada de "ilusão de amigos imaginários". Não se revolte e nem sinta qualquer sentimento ruim com isso, apenas lembre-se dos ensinamentos de Cristo:

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.Romanos 12:10

Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis.Romanos 12:14

Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.Romanos 12:21


Texto escrito por Tatyana Casarino, estudante de Direito, poeta, espiritualista e que acredita numa sociedade mais fraterna.

  

 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ensinamentos Místicos de A Bela & A Fera

Ao ler uma história ou ao assistir a um filme, há três espécies de interpretações que podem ser feitas:

1) Interpretação literal: É aquela que explica a narrativa de modo puro e simples, entendendo as ações e os elementos de espaço e tempo.
2) Interpretação moral: É aquele que abstrai preceitos morais a partir de uma narrativa. Esse tipo de interpretação é comum nas fábulas, onde se tem a "moral da história" no final, como, por exemplo, na fábula da Tartaruga e a Lebre, são extraídos valores morais como a importância da perseverança e do respeito, bem como dos malefícios da preguiça.
3) Interpretação simbólica e mística: É um tipo raro de interpretação, onde se procura saber o que há por trás da história. Essa interpretação é a mais profunda que existe e a mais difícil de se obter. Mas, para chegar até ela, é necessário passar pelas estapas anteriores referentes aos outros tipos de interpretação: literal e moral. Afinal, como se obterá uma interpretação profunda se nem sequer se obteve um entendimento superficial dos fatos? Antes de se aprofundar no simbólico, é necessário entender o literal.

Então, ao assistir ao filme A Bela e a Fera, comecei a interpretá-lo simbolicamente e me surpreendi com o quão infinita pode ser a interpretação mística dessa história, a qual abrange: ensimentos místicos, tarô, astrologia e etc.
É surpreendente assitir a um conto infantil com os olhos já adultos e com a mente repleta de ensinamentos culturais, simbólicos e místicos dos quais eu ainda não possuía quando era criança.  
Esses contos infantis trabalham com o inconsciente coletivo das crianças a partir de acontecimentos que elas enfrentarão na vida real e no mundo adulto: Bem X Mal, sentimentos nobres( amor, caridade, compaixão, bondade, perseverança e etc) X sentimentos maléficos (inveja, raiva, orgulho, cobiça e etc), bem como a jornada do "herói" ou da "heroína" que é como a jornada da vida.
Há um recado de esperança intrínseco em cada desenho animado que marca o incosciente ao dizer: "Não importa quantos dragões eu deva enfrentar, o importante é que o bem triunfará sempre."
 Pode-se fazer uma analogia entre as tragédias gregas e os contos infantis. A única diferença entre eles é que, na tragédia grega, o final era infeliz, porque narrava a jornada de alguém que se deixou levar por um sentimento maléfico ou teve circunstâncias desafortunadas. Enquanto que, nos contos infantis, o "heroi" ou a "princesa" perseveram na luta do bem, tendo como consequência o final feliz.
No entanto,a essêcia dos ensinamentos da tragédia grega e do conto infantil é a mesma: o final da jornada tem relação com o caminho escolhido pelo herói. Isto tem uma grande relevância moral ao nos ensinar a optar pelo caminho do bem seja devido ao fato de desejarmos um final feliz como nos contos de fada, seja devido ao medo da tragédia como ocorre nos contos gregos.  
Todos os contos infantis possuem ensinamentos morais e também místicos por trás. Mas, considero "A Bela & a Fera" e "O Rei Leão" os dois melhores filmes da Disney e também os contos que mais possuem ensinamentos filósoficos e espirituais. Esses contos são fascinantes e muito emocionantes.

Eis as interpretações de A Bela & A Fera:

1)Interpretação literal: Uma garota bonita e sonhadora que ama ler e ambiciona um mundo melhor. Ela morava numa aldeia retrógrada, onde as pessoas não gostavam de ler e não se preocupavam com as questões mais profundas da vida.
As pessoas dessa aldeia francesa a consideravam uma garota bonita, mas também muito esquisita. Elas também são preconceituosas, amargas e ignorantes. Bela, no entanto, é isenta de preconceitos,doce e inteligente.
Gaston, o maior caçador da aldeia, é um rapaz bonito externamente, porém é arrogante, orgulhoso e isento de virtudes interiores. Ele se apaixona por Bela e quer se casar com ela só por ela ser a moça mais bonita da aldeia. Bela o rejeita, pois não o ama e não quer se casar com alguém tão "vazio" de valores como Gaston.
Todas as moças da aldeia desejavam o Gaston por sua beleza, exceto Bela que enxergava além das aparências. Isso fez com que todas as pessoas da aldeia pensassem que Bela era esquisita ou louca.
Na realidade, Bela é inteligente e era a única mente sábia da aldeia( opa, já fiz uma pequena interpretação moral aqui).
Enquanto isso, em um castelo distante da aldeia, vivia Fera. Fera era um príncipe arrogante que se recusou a abrigar uma velhinha numa noite fria que lhe oferecia apenas uma rosa como retribuição. Mas, a velhinha era uma feiticeira que estava a testar sua compaixão. Ao ver que o princípe era arrogante e materialista, ela o transformou numa Fera horrenda e transformou seus criados em objetos. Para desfazer o feitiço, ele teria de aprender a amar alguém e ser retribuído antes de a útima pétala da rosa da feiticeira cair.
Quando o pai da Bela se perdeu na floresta durante uma viagem para mostrar sua nova invenção, ele ficou aprisionado no castelo da Fera. A Bela, ao saber disso, pediu para ficar presa no castelo no lugar do pai doente. Ao decorrer da história, a Bela ensina a Fera a gostar de ler, a dançar e a alimentar os pássaros. Fera se encanta pela sensilibilidade da moça, se apaixona por ela e passa a ser mais sensível. Bela, ao enxergar a sensibilidade oculta por trás de seu jeito (outrora) feroz e de sua má aparência, também se apaixona por ele. Esse amor quebra o feitiço, e a Fera se transforma em príncipe. Logo, todos os objetos voltam a ser humanos de novo.

2) Interpretação moral:
*A beleza está no interior das pessoas.
* A arrogância é tão feia como uma fera, e a doçura é bela.
*É preciso ir além das aparências.
*Nem sempre o que a maioria pensa é o correto, pois a maioria das pessoas da aldeia da Bela estavam erradas sobre o caráter de Gaston e sobre a Bela.
*O caminho da sabedoria é um caminho solitário.
*O amor tem poder transformador.
*A sensibilidade adocica a vida.
*Não se deve julgar as pessoas de modo precipitado.
* A excentricidade dos sábios, às vezes, é vista como loucura pelos ignorantes. Bela e seu pai eram considerados loucos. Na realidade, eles eram visionários e inteligentes enquanto o pessoal da aldeia tinha a mente estreita demais para compreendê-los.

3) Interpretaçõa simbólica, mística ou espiritual:
*A frase "a beleza está no interior das pessoas" vai muito além do fato de que não se pode julgar as pessoas feias, pois elas podem ser boas e bonitas moralmente. Essa frase diz que a beleza está no fundo de nossa alma, convidando-nos a um autoconhecimento profundo.
A Bela e a Fera, para o misticismo, não são dois personagens distintos que se apaixonam, mas dois arquétipos de um mesmo ser humano. Todos nós carregamos luz e sombra, virtude e vício, aspectos feios e belos em nossa personalidade. Mas como encontar beleza entre os elementos sombrios da alma? Como lapidar os nossos vícios? Através do trabalho da virtude e de humanização. O ser humano é um animal que, ao longo da vida, tem de se humanizar. Assim como a Fera se transforma em príncipe, o ser humano deve aprender a controlar seus instintos animais a fim de ser mais humano, mais sensível e lúcido.
Não há como matar os nossos vícios, pois é uma utopia querermos ser santos. Devemos aceitar a nossa natureza dual de luz e sombra para controlar a sombra de modo que ela nunca possa ofuscar o nosso brilho.
A Bela não mata a Fera. Ela humaniza-o, transforma-o em um príncipe virtuoso. É isso que devemos fazer com nosso lado sombra: dar luz a ela e canalizá-lo para o bem. E como fazer isso? Conectando-se com a centelha divina, com a pequena faísca de Deus que habita o fundo de nossa alma.
A harmonia entre a sombra e a luz, o equilíbrio universal entre a Bela e a Fera, é a nossa busca. Nós, seres humanos, estamos no caminho do meio. Nós vivemos no fio da navalha entre a Bela e Fera, entra a sombra e a luz.
Cabe a nós, trabalharmos os nossos vícios, encontrarmos a nossa força interior debaixo do lodo sombrio e canalizá-la para o bem a fim de que uma iluminada flor de lótus nasça do lodo sombrio ou de que a "Fera"se transforme em "príncipe".

Uma das minhas cenas favoritas do filme é quando Bela ensina A Fera a alimentar os pássaros. Ela percebe que há "alguma coisa" por trás de sua aparência.
 Confira a cena: https://www.youtube.com/watch?v=-c2kyzty4Lk

Para quem admira o conto, sugiro que assista a versão La Belle et La Bête feito por atores franceses e produzido pelo talentoso Jean Cocteau. Para mim, esse filme é épico!

Cena do filme francês citado: https://www.youtube.com/watch?v=2fWdHHjOt7w

                          Texto escrito por: Tatyana Casarino.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Big Ciência


É tempo de uma ciência instrospectiva. Talvez seja mais fácil encontrarmos as respostas cruciais da filosofia dentro de nós do que no mundo externo. "Quem somos nós, "Por que existimos", "Para onde vamos", "O que significa existir", "Por que eu sei que eu existo...
...A maioria dessas perguntas continua sem respostas. Religiões e ciências buscam sem cessar por respostas mais sólidas. A física primitiva acreditava que a matéria era estática e estava fadada a ser o "fantoche" das leis físicas.
A concepção de que o mundo externo é a grande e poderosa realidade e que nós somos humanos insignificantes perante a realidade "incontrolável" ao redor de nós já foi ultrapassada pela física quântica. Esta "nova física" mudou radicalmente as velhas concepções científicas ao afirmar que nós somos o centro da realidade, sendo o mundo externo uma mera percepção captada por nossos pensamentos. O mundo externo passou a ser pequeno a partir do momento que nós percebemos a nossa grandeza interna.

 
A nossa mente é muito maior que o tamanho do nosso cérebro físico, pois ela é infinita. Nós não somos matérias estáticas presas às leis físicas, nós somos o infinito. Se há um Criador, Deus, certamente Ele tem a grandeza do infinito, e dentro dessa perspectiva(da qual eu acredito), nós como filhos Dele também temos essa grandeza dentro de nós. Assim, o infinito está no nosso DNA, e o finito e o efêmero são só ilusões.
O nosso corpo pode estar preso à lei da gravidade, da ação e da reação e ao tempo, mas a nossa mente é mais livre do que se imagina. Creio que há uma parte em nós, uma mente espiritual por trás do nosso cérebro físico, que não é matéria, mas alma. Não temos consciência dela, mas ela pode ser mais real do que todas as partes físicas do nosso corpo.
Tudo o que a gente pensa que é real pode ser apenas percepção, assim como tudo o que é aparentemente irreal pode ser muito mais real que tudo o que nós conhecemos. Há uma "veia mística" oculta e latente na filosofia e até na física quântica, mas, muitas vezes, quando uma teoria tenta unir ciência e religião ou ciência e arte há o risco de ela ser taxada como pseudo-ciência. Isto ocorre devido aos mais céticos associarem a ciência e a filosofia como as inimigas do oculto ou como as rainhas do ceticismo exacerbado.

                 

       
   Um pouco de ceticismo não faz mal e eu até gosto. O que se torna inviável é o ceticismo fechado, aquele que se fecha no puramente exato e é alégico às aréas de conhecimento que não são "exatas". É tempo de deixarmos os outros setores de estudo(até os que não são exatos) tocarem a ciência não para fazermos pseudo-ciência, mas para construirmos uma Big Ciência, que seja ampla, completa e amiga de todas as áreas do conhecimento.
         
             


   A separação das áreas de conhecimento foi útil para que elas pudessem se desenvolver. Separar o "joio" do "trigo" foi bom para a formação da identidade das ciências, das artes e das demais áreas. Essa prática de separação "cartesiana" foi extremamente útil sem dúvidas. Mas, agora que as ciências atingiram o ápice de refinamento cultural, artístico e tecnológico esta na hora de uní-las outra vez.
Ah! E por falar em prática cartesiana, Descartes responderia de forma simples uma das peguntas que eu fiz no início do texto, "Por que eu sei que eu existo". Ele me diria que eu sei que eu existo pelo fato de eu pensar. Penso, logo existo é a célebre frase de Descartes. Se eu conversasse com esse gênio (René Descartes), eu perguntaria se os pensamentos então são a chave de nossa existência.
Penso que ele certamente diria "sim" à pergunta, afinal, ultimamente a ciência (principalmente a física quântica) anda afirmando que pensamentos talvez sejam a chave daquilo que percebemos como realidade.
 
             

  
  Livros como "O Segredo" e outros aconselham às pessoas a pensarem positivo para que possam atrair prosperidade. Aliás, no âmbito esotérico, sempre se falou do poder do pensamento positivo, da fé e da oração. Há semelhanças entre o esotérico e o científico muito mais fortes do que se pensa.
Eu ainda sonho com uma big ciência fruto da união de todas as ciências. Unir teorias, cruzar ciências e relacionar teses de todos os âmbitos desde a ciência mais exata até o campo mas "místico" e "improvável" é o meu sonho.
Vou lutar por esse sonho mesmo que ele seja idealista, inocente ou até mesmo distante demais. Bem, pelo menos eu não preciso pagar impostos para sonhar. Então, eu sonho e sonho muito...


Texto de Tatyana Casarino