O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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sexta-feira, 5 de maio de 2023

Mergulhando na fé que cura

 Mergulhando na fé que cura






Nuvens passam sobre as crianças

na escola durante o sombrio outono.

E eu vejo o amado Deus no seu trono,

dando-me a cruz e as glórias mansas. 


Sentada no banco da escola,

chutando as pedrinhas cinzas,

eu chorava alto uma dor infinita

que eu não sabia dar nome ainda.


Correntes espirituais e psíquicas

prendiam minh’alma ultrassensível.

Eu era tão frágil quanto incompreendida

enquanto sofria uma fobia perdida.


Diziam-me que eu nunca superaria

aquele choro histérico e sem nome. 

Diziam-me que eu nunca superaria

aquela dor que nunca se calaria.


E eu batia de porta em porta

em cada consultório holístico.

Conheci o doutor mais místico

e a doutora dos florais em voga. 


Recebi bênção de padre,

benzimento numa garagem,

passe de médium espírita

e o Reiki da Dona Rita.


“Feche os olhos e sinta-se bem,

sinta o seu espírito numa praia

cujo céu está nublado e frio

e a areia quente e cheia de graça”.


No parque Itaimbé*, o bibliotecário reikiano

meditou comigo como um sábio anjo.

Depois, vieram os amigos esotéricos,

rezando em círculos de mistérios. 


Reiki, floral, cristais,

psicóloga junguiana,

doutor holístico, reikiana,

espírita e pai de santo.


Reiki, floral, cristais,

meditação, oração,

padre, médium, monge,

professor, homeopata e holísticos.


Extraindo a sabedoria de tudo,

tomando os remédios espirituais

de todas as grandes religiões e rituais,

eu me curei como a fênix em espirais. 


Os amigos esotéricos tinham livros

que falavam sobre a grande cura interior.

Que grande emoção mística eu sentia!

Que grande esperança nascia do amor!


A nova era de cristais e florais,

músicas da Enya, do ERA e do Enigma*,

foi tudo o que a criança mais doce bebia.

E, assim, a alma cresceu bem mística!


A música da Enya tocava nas lojas,

em casa e no consultório da psicóloga. 

E eu ouvia com grande êxtase espiritual,

imaginando a minha alma voando pelo astral. 


“Imagine uma porta florida

e uma maçaneta colorida

antes de entrar na sala de aula.”

Assim dizia o professor de geografia.


“Ela é um espírito antigo

que enfrentou muitas guerras.”

Assim dizia um sábio espírita

depois de me atender com empatia. 


Eu sabia que superaria as fobias,

tanto a fobia escolar quanto a social,

porque tudo é possível às almas puras

e às crianças que creem em Deus.


“Quando o Senhor permite a cruz

para uma criança de alma angelical,

Ele almeja que ela seja um adulto genial.”

Assim dizia um padre após a bênção.


Quando tudo parece impossível e escuro,

pegue nas mãos de Deus e ilumine-se.

O medo é um demônio e insossa é a vida.

Mas, nós somos o sal, o anjo e o exorcista!


Deixe-me mergulhar profundamente 

nas águas dessa fé tão bonita e quente.

Eu creio em Deus por causa da Sua paz

que superou a minha dor medrosa e demente. 


Eu creio na luz de Deus, porque sofri.

Iluminada é quem viveu a escuridão,

corajosa é quem segurou o bravo leão,

santa é a alma que exorcizou o coração. 


Sou apaixonada pela luz após o escuro,

sou apaixonada pela alegria após a lágrima.

Meu sorriso tem valor genuíno e é puro,

pois, um dia, já foi sufocado pela dor na alma.  


Eu creio em Deus, porque sofri,

eu creio em Deus, porque sofri.

Eu tenho fé, porque ela é a única arma

das crianças incompreendidas por terem alma. 


Transforme essa menina chorona

em uma mulher bem sorridente.

Que eu seja bonita e inteligente,

oh! bom Deus, quando eu crescer.


Se Deus me transformar, me curar,

então eu louvarei o Seu nome para sempre.

Eu louvarei o Senhor para sempre, sempre,

porque Ele transformou lágrimas em sorrisos.


Tudo é possível para uma criança

que tem fé em Deus e esperança. 

Lágrimas viram sabedoria e sorrisos,

o milagre se torna palpável e possível. 


Tears turns into smiles,

les larmes se transforment em sourires,

las lágrimas se convierten em sonrisas,

lacrimes conversus in risum*.


Poesia escrita por Tatyana Casarino.


*Observações:


  



*A frase "lágrimas se transformaram em sorrisos" está sendo apresentada em vários idiomas na última estrofe: inglês, francês, espanhol e latim. 


*Eu morava perto do parque Itaimbé na cidade de Santa Maria (RS) durante a infância.


*Enya, ERA e Enigma produziram músicas místicas no estilo "New Age" que ficaram muito famosas na década da minha infância, a década de 90. 


*Nessa poesia, eu conto a minha trajetória mística de superação. Eu realmente curei medos e alcancei a harmonia emocional e espiritual através da sabedoria das grandes religiões e das terapias holísticas como o Reiki e a homeopatia. 


Tatyana Casarino. 



Confira a Minha Playlist New Age no Spotify:


Minha Playlist New Age



sábado, 17 de dezembro de 2022

Tesouro oculto da solitude

 



O casulo de uma borboleta

não pode ser destruído agora.

É sempre fatal a hora errada,

mas voar também é uma enrascada.


Eu quero um casulo para sempre,

um topo de qualquer montanha,

um castelo em Paris ou na Grã-Bretanha.

Não quero mais ser a lua que sangra.


Eu não vou chorar pelo mundo,

eu não vou mais sentir profundo.

O que me causava grande emoção

só me causa hoje fisgada no coração.


Se, antes, eu derrubava mil lágrimas,

hoje eu dou um suspiro e mais nada.

Eu não quero mais ser a lua chorona,

mas a mulher mais forte de Roma.


Diferente de outros sensíveis,

eu nunca quis anestesia na alma.

Eu sempre busquei me lapidar

para que Deus pudesse me abençoar.


Eu tive gana pela cura espiritual

e a luz do sol secou as minhas lágrimas.

Você é capaz de evoluir a sua alma?

Você é capaz de evoluir a sua alma?


Eu não quero chorar pelo mundo

nem absorver a energia de todo mundo.

Eu quis doar as minhas energias,

mas tudo o que me restou foi fadiga.


Já fui aberta e generosa demais,

já fui sensível e chorona demais.

Agora eu mereço viver para mim mesma,

mágoas são meu banquete e o ego a sobremesa.


Eu não quero chorar por vocês,

eu não quero sacrificar o meu coração.

Eu quero viver numa nova oração,

Deus e eu dentro da doce solidão.


A lua vermelha sempre sangra,

a lua negra * é uma péssima dama.

Mulheres que sangram se isolam,

mulheres que sofrem não dançam.


Eu não quero a hostilidade do mundo,

eu não quero as pedras da injustiça.

Há sempre rivalidade e mesquinharia

entre os homens e as mulheres dessa vida. 


Se eu pudesse, eu seria como Francisco,

viveria sem status, sem civilização e sem risco.

Viveria no meio dos bosques e dos bichos,

isolada no êxtase espiritual do exílio. 


Já dizia Rousseau que a natureza é boa,

mas a civilização é má e desconfortável.

Se o homem nasce bom e é corrompido,

eu não choro mais por ser tão sensível. 


Eu não preciso de redes sociais,

eu não preciso da aprovação de ninguém.

Eu me amo e Deus me ama muito também!

O melhor "like" vem de dentro e não de outrem. 


Eu sei do meu valor e da sabedoria,

eu sei que minh'alma é minha vida.

Os tesouros ocultos são os mais valiosos,

assim como o ouro, o diamante e o petróleo.


Se quer descobrir a minha energia,

é preciso cavar a terra bem fundo.

Eu não sou de nadar na superfície,

pois meu coração sempre foi profundo.


Eu quero ser um tesouro oculto,

uma rosa mágica dentro da redoma,

que espera a Fera virar o belo Príncipe.

O isolamento é o meu paraíso mais simples. 


Já chorei tanto quanto Madalena

ao caminhar pela neblina de madrugada.

Não sei se somos parecidas pelos cabelos

ou pela quantidade de lágrimas derramadas.


Para ser feliz, viverei trancada numa torre

e deixarei os meus cabelos como os de Rapunzel.

Há algo doce como o mel na minha solidão,

o isolamento faz parte da minha religião.


Há paz e prazer na solidão,

há Deus e bênçãos na solitude.

Quem aprendeu a olhar para o coração

não pode mais chorar desde então. 


O mundo é um mar de aflição

e dá fisgadas no nosso coração.

Respire fundo se for sair de casa,

confia n'Aquele que lhe dará asas. 


Eu sou uma borboleta de Deus,

aquela que só voa pelas forças d'Ele.

Se dependesse do meu frágil coração,

jamais sairia do meu casulo, doce solidão.


Poesia escrita por Tatyana Casarino. 


*Lua negra = Lilith. 

*Observação sobre Lilith: Coloquei essa referência astrológica na poesia, porque o mito de Lilith também informa sobre o arquétipo da mulher que vive exilada e isolada na busca pela liberdade desejada por sua alma. 

 


   



 Essa poesia fala sobre a natureza dos introspectivos e a inclinação do espírito sensível à solidão. Quem é sensível sente mais impactos emocionais com as aflições do mundo, razão pela qual pode preferir o isolamento para "recarregar" as suas "baterias" emocionais ou as energias da alma. 

 O poema demonstra o paradoxo da união entre a autoestima e a vulnerabilidade, pois o coração do introspectivo sabe reconhecer o seu valor como um "tesouro oculto" na solitude do seu mundo interior ao mesmo tempo em que é frágil para encarar o mundo exterior. Sendo assim, ele reconhece que precisa de Deus para curar a sua vulnerabilidade e ter "asas" para voar no mundo lá fora. No entanto, o "casulo" sempre será o seu "castelo" mais confortável. 

 Dizem que não podemos mexer no casulo de uma borboleta sob o risco de deformar o seu processo de transformação. Para a lagarta virar uma borboleta, ela precisa de um tempo dentro do casulo, o qual é respeitado por toda a natureza. 

 A poesia também fala da luta por uma evolução espiritual que transforme o coração sensível em um coração mais forte. Um coração forte não fica desequilibrado por qualquer aflição exterior, mas apenas sente uma "fisgadinha" de desconforto emocional totalmente superável. Em vez de derramar lágrimas escandalosas, talvez ele solte apenas um suspiro diante dos aborrecimentos que ocorrem depois do seu amadurecimento. 

 Eu coloquei várias referências místicas interessantes na poesia além de citar certos contos de fadas. Em alguns versos, mostro uma versão romântica da história de São Francisco de Assim ao deslumbrar o paraíso que seria viver com animais em bosques isolados em vez de encarar a civilização. 

 Em seguida, eu cito a filosofia de Rousseau (um dos meus filósofos prediletos ao estudar Direito), que afirma sobre a natureza bondosa do homem longe da civilização. Além disso, eu passo a inserir os meus próprios pensamentos românticos ao deslumbrar uma fuga da realidade. Se a civilização é fonte de angústias e há tantas injustiças entre os homens, por que não viver isolado na natureza com animais?


  


  A rosa mágica dentro da redoma que espera a Fera virar príncipe é uma referência ao meu conto de fadas favoritos: "A Bela e a Fera". Neste conto, quando o príncipe é transformado numa Fera, ele fica isolado dentro de um castelo até ser amado por Bella durante o tempo da queda das pétalas da rosa mágica. 

 Também cito outro conto de fadas que fala sobre isolamento: Rapunzel, a princesa de longos cabelos que vive trancada numa torre. E, por falar em cabelos, também faço referência à Madalena, figura bíblica do Novo Testamento que é padroeira dos cabeleireiros e que é famosa por ter longos cabelos. 

 Os estudiosos da Bíblia dizem que Maria Madalena chorou muito diante do sepulcro de Jesus durante a madrugada que antecedeu à ressurreição. Ela foi a primeira pessoa que viu Jesus ressuscitado. Por isso, comparo os seus cabelos volumosos com o volume das suas lágrimas. Ela era uma mulher que tinha cabelos compridos e que chorava muito de acordo com as poucas características que sabemos sobre ela. 

 Dizem que uma das maiores transformações de Madalena foi deixar de ser uma mulher desequilibrada e atormentada (ela passou por um exorcismo e foi libertada mental e espiritualmente graças a Jesus) para ser uma mulher sábia. Sendo assim, coloquei essa figura religiosa nas entrelinhas da poesia. 


          


 A poesia fala muito sobre o lado doce e bom da solidão, a qual passa a ser o refúgio libertador do coração que sente angústias ao encarar os aspectos sociais do mundo exterior. Todavia, a poesia deixa um recado final bem bonito: a de que devemos sair da nossa solidão e "voar" no mundo lá fora em muitos momentos.

 Para uma borboleta voar, ela precisa de Deus. Para uma pessoa introspectiva encarar o mundo, ela também precisa da força de Deus. O mundo tem aflições, mas devemos ter coragem. Afinal, Jesus venceu o mundo!


"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo". João 16:33


Texto escrito por Tatyana Casarino. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

A luz no fim do túnel

 



Não há paz para as crianças,

principalmente para as deslocadas.

Não há luz para as problemáticas

nem compreensão sem farsa.


Não há amigos na sua escola,

não há amor na sua escola.

Não há conforto na turma da escola

quando você é a impopular da história. 


Sofrendo bullying pelos corredores,

chorando alto as suas dores,

a criança vai de pedagogo em pedagogo

para conter o seu sagrado choro. 


De religião em religião,

você pula até uma resposta.

Uma resposta que conforte o coração,

uma resposta que aponte a direção.


Não há respostas de cura na terra,

não há respostas de cura no céu.

O caminho é entrar no sentimental túnel

e lutar contra os seus monstros no escuro.  


Pegue a espada da fé, doce criança,

e mate o grande monstro da fobia.

A fobia escolar não é uma sentença,

mas a escada da sua vitória intensa.


Enfrentando um leão por dia,

uma ânsia de vômito por dia,

um medo incompreendido por dia,

você vai matar, aos poucos, a fobia.


Mate dentro de si, oh! espírito,

aquilo que está matando a coragem. 

A coragem não é a falta do nosso temor,

mas enfrentá-lo todo dia com fé e amor. 


Mate um medo por dia, criança,

e renasça forte das suas cinzas.

Uma criança que cura os seus traumas

será, no futuro, a adulta destemida.


Exiba o seu diploma num quadro

diante daqueles que duvidavam. 

Mostre o seu poder e a sua força

diante daqueles que lhe zombavam.


Desfile, com a sua beleza e grandeza,

diante daqueles que lhe chamavam de feia.

E mostre centenas de doces risadas

para aqueles que lhe deixavam lágrimas.


A vingança de uma pessoa com uma boa alma

não é praticar uma maldade ou uma infâmia,

mas, simplesmente, sorrir e arregaçar as mangas

antes de exibir a luz poderosa das suas entranhas. 


Nunca duvide do potencial das crianças,

porque as crianças têm cartas nas mangas.

As crianças problemáticas quase sempre se curam!

Mas, para adultos imbecis, nunca haverá cura!


Num túnel escuro, eu lutei!

Ah! Só Deus sabe como eu lutei!

Ele pegou em minhas mãos trêmulas

e me deu a Sua esperança com certeza.


Deus transforma as feridas

em bálsamos de poder e sabedoria.

Deus se revela para as crianças inseguras,

porque elas têm as almas mais puras.


Hoje, quando me ajoelho na igreja,

ou vejo no espelho uma nova beleza,

eu simplesmente agradeço ao Pai Divino

que transformou o meu profundo espírito. 


Foi Deus que pegou as mãos da criança,

daquela criança angustiada do passado,

e transformou a sua alma com beleza,

formando uma advogada forte e inteira. 


Há luz no fim do túnel dos medos,

há luz no fim do túnel dos medos.

Um coração infantil, chorão e inseguro

pode ficar forte, feliz, seguro e maduro. 


Olhe para o espelho e arranque uma rosa,

acredite na sua verdade interior por inteira.

Ame o seu espírito com doce autoconfiança,

a luz no fim do túnel é a sua nova dança. 


Olhe para o espelho e arranque uma rosa,

ame os seus espinhos, ame as suas pétalas.

Despreze as verdades do mundo e erga a cabeça,

você descobriu a sua verdade com toda a beleza. 


Poesia escrita por Tatyana Casarino. 


*Essa poesia retrata a minha superação psicológica. Quando eu era criança, eu tive fobai escolar, uma espécie de fobia social no ambiente escolar. Com muita fé em Deus e perseverança, eu venci os meus medos.


Tatyana Casarino.  

terça-feira, 19 de julho de 2022

Fadiga por Compaixão

 Fadiga por Compaixão.




 

Estava tão cansada, tão dormente,

tão doente e tão descrente.

A escuridão de vocês venceu

os meus conselhos mais esperançosos.

 

Uma amizade tóxica é flagelo,

grande flagelo psicológico e espiritual.

Um amigo dramático, tolo e carente

jamais será grato, bondoso e contente.

 

Vocês reclamavam de falta de amor,

mas ninguém foi grato nem se contentou

com o cuidado amoroso que eu lhes dei.

Nunca fui tão sugada quanto fui por vocês.

 

Sobrecarregada pelos seus problemas,

ouvindo o dia inteiro os seus dilemas,

eu fiquei doente e perdi a noção de tempo.

Também são valorosos os meus sentimentos!

 

Pisando em ovos para não lhe ofender,

raciocinando as melhores palavras para você.

Sempre fui tão doce, gentil e diplomática,

mas só recebia a sua fala armada e dramática.

 

Um amigo tóxico é cruel como um vampiro,

ele suga o seu tempo, o seu coração e o seu espírito.

E nada que você faça nunca lhe agradará,

porque a essência do amigo tóxico é reclamar.

 

Com a desculpa que confia em você,

ele despejará todo o lixo psíquico.

Um amigo tóxico é pior que um vampiro,

um flagelo sem juízo, mal-estar no espírito.

 

E, quando você se afasta dele,

para cuidar da sua própria mente,

O amigo tóxico se faz de vítima

e ainda pode chamá-lo de egoísta.

 

Não se sinta responsável por ninguém.

Nem toda a sua doçura cura a carência tóxica,

nem toda a sua sabedoria cura a alma mórbida.

Cada um deve carregar sua cruz como lhe convém!

 

Cada passo que eu dava na generosidade,

era um tropeço nas trevas sem juízo,

que atraía mais um amigo louco e tóxico

e que provocava mais um abismo.

 

Até quem faz o bem passa mal,

até a generosidade traz trevas indizíveis.

Esse mundo é cheio de armadilhas

para almas bondosas, doces e femininas.

 

Cansada de absorver problemas alheios,

acumular pressão em mim e explodir,

eu decidi viver na solidão e no silêncio,

descobrir quem eu sou e meus sentimentos.

 

Eu estava jovem e bonita demais

para me sentir cansada e sem paz.

Meus ombros doíam, minha pele arranhada,

coração incompreendido, alma despedaçada.

 

A síndrome da boazinha me devorou,

a fadiga por compaixão quase me matou.

Mas, eu superei e dei a volta por cima,

decidindo ser mais forte e egoísta.

 

Meu telefone tocava o dia todo,

chamadas com pedido de ajuda,

áudios longos, desabafos insanos.

Decidi parar com toda essa loucura!

 

Ajudar demais quem não merece:

eis a pior de todas as loucuras.

Querer ser sempre perfeita e boazinha

é doença e não generosidade pura.

 

Desliguei meu celular por um tempo,

interrompi todas as redes sociais.

Disse que não posso ajudar mais ninguém,

e fui tocar a minha vida em paz com me convém.

 

Que cada um toque a sua vida,

que cada um carregue a sua cruz.

Ninguém pode salvar ninguém,

só quem salva é mesmo Jesus!

 

Para uma pessoa boa sobreviver,

ela deve matar cinquenta por cento

da empatia que vive por dentro.

O bom egoísmo salvará o seu viver!

 

Para uma pessoa boa sobreviver,

ela deve matar metade da sua bondade

e transformá-la não em maldade,

mas em instinto de sobrevivência e verdade.

 

Enfiei um punhal em minh’alma,

matando a empatia que sentia por você.

Abracei a mim mesma, vi o meu próprio lado,

construí autocompaixão para sobreviver de fato.

 

Sensibilidade demais é fraqueza,

e chorar demais nos torna fardos.

É preciso ser um pouco insensível,

racional, egoísta, duro e sensato.

 

O mundo está tão caótico e estúpido,

porque os maus não têm escrúpulos,

e os bondosos têm escrúpulos demais.

Essa matemática não gera luz a mais.

 

Se as pessoas boas fossem mais egoístas,

tivessem menos escrúpulos e menos feridas,

elas seriam lindas e bem mais ousadas na virtude,

e o mundo seria uma explosão de bondade criativa.

 

Perdoe-me, meu Deus, pelas lágrimas

que descem de rancor dentro da alma.

Perdoe-me se não sei perdoar setenta vezes sete,

perdoe-me se fiquei mais selvagem e menos inerte.

 

Mas, o Senhor sabe quem eu sou,

o quanto minh’alma, no fundo, é generosa

por trás dessas feridas rancorosas.

Salva-me de mim mesma, Senhor!

 

Não é pecado querer se afastar

de todo aquele que nos causa mal.

Não é pecado deixar de ajudar

quem começou a nos prejudicar.

 

De noite, perdi o sono, perdi a hora,

e, com insônia, aos pés de Nossa Senhora,

pedi que Ela me ajudasse a me afastar de pessoas,

e, então, eu ajudaria a sua Santa Igreja em troca.

 

Sei que todos são filhos de Deus,

que todos os amigos são irmãos em espírito.

Mas, há amigos que nos fazem mal,

e há irmãos que não podem conviver comigo.

 

Sofrendo a fadiga por compaixão,

sofrendo a dor da incompreensão,

pedi que a Santa Mãe me salvasse sem demora

e levasse certos irmãos, da minha vida, para fora.

 

Se a Senhora levar essas pessoas embora,

e elas saírem em paz da minha vida,

eu ajudarei a Sua Santa Igreja,

e voltarei a ser uma alma altruísta.

 

Pessoas tóxicas saíram da minha vida

e foram viver a vida delas em paz.

Enquanto isso, mato a generosidade

que eu gastava no campo das amizades.

 

Matando a empatia exagerada em mim,

resolvi virar filantropa em outros campos.

Há muitos modos de exercer a solidariedade,

modos santos que não ouvem amizades.

 

Talvez ouvir pessoas insensatas

não seja o meu modo de ser solidária.

Obras sociais, mãos criativas e caridade prática

serão minhas novas formas de doação laica.

 

Se um tipo de generosidade devorou você,

se um tipo de pessoa decepcionou você,

ainda não desista totalmente de ser bom.

Há outras formas de solidariedade de bom-tom.

 

A fadiga por compaixão quase devora o coração,

pois envolve a culpa por ter o espírito bom.

Liberte-se já dessa grande dor, do grande rancor,

e aprenda a doar da forma mais certa o seu amor.

 

Quando o mundo pesar os seus ombros,

e você perceber que não salva ninguém,

simplesmente seja mais duro e egoísta

e tire um grande tempo só para você.

 

Não se sinta culpado se a sua vida é boa

em um mundo tão cheio de sofredores.

Eles sabem tocar a vida apesar das dores,

e você precisa aproveitar a vida sem rancores.

 

Ser mais uma sofredora no mundo

não diminuirá a dor de ninguém.

Portanto, agrade o próprio espírito,

e o seu bom humor será bálsamo divino.

 

A primeira generosidade é com você mesmo,

aprendendo a salvar o próprio espírito.

Se você for uma alma bem doce e feliz,

boa parte do mundo vai olhar você e sorrir.

 

Quando os anjos descem à Terra

a fim da nossa experiência humana,

eles sofrem, em algum lugar, de burnout

e são esmagados pela fadiga profana.

 

A cura para os anjos humanos

é se preocupar menos com os outros

e bem mais com as próprias asas.

Só assim voltarão a voar a beleza rara!

 

Essa poesia é o grito do bom egoísmo,

mas também um suspiro de generosidade.

Se, algum dia, uma alma cansada ler,

essa poesia pode ajudá-la a sobreviver.

 

Poesia escrita por Tatyana Casarino.


  


*Ilustração: fada angelical cansada. 


 Essa poesia é uma demonstração de superação em busca de novas formas saudáveis de caridade para quem já sofreu por ter sido "bonzinho" demais em amizades disfuncionais e relacionamentos tóxicos. 

 Demonstrar o coração bom e a disposição para ajudar pode atrair grandes armadilhas, pessoas tóxicas e aproveitadoras que decepcionam o coração de quem é bom. Por isso, devemos ser discretos até quando praticamos a caridade.

  Jesus ordenou de forma certa e sábia que não devemos praticar a nossa justiça na frente dos homens e que a doação deve ser praticada de forma oculta apenas para o Nosso Pai ver (Mateus 6:3). Esse versículo, além de ensinar a verdadeira generosidade e evitar o orgulho, também nos protege das armadilhas que o mundo oferece para quem ostenta ser bom. 

 Quando mostramos que somos pessoas boas e que gostamos de ajudar as outras, muitas pessoas se aproveitam de nós e ultrapassam os nossos limites emocionais e psíquicos. Pessoas boas têm dificuldade em dizer "não" geralmente, o que propicia várias "brechas" para pessoas tóxicas, dependentes, negativas e aproveitadoras. 

  Para viver bem no mundo e conservar a saúde mental, é preciso aprender a ser firme, a impor limites, a dizer "não" e a ser um pouco mais egoísta sem perder a essência do coração bom. 

 Querer conservar a aparência de bonzinho, ter medo de dizer "não" e ter receio de desagradar os outros apenas para sustentar a imagem de pessoa boazinha e perfeita: tudo isso é uma armadilha do ego de quem é bom e não caridade autêntica. 

  É preferível que os outros não saibam que o nosso espírito é generoso e que façam até uma má ideia de nós, considerando-nos duros, chatos e indisponíveis. Nesse sentido, sentiremos mais liberdade para dizer "sim" e "não" em cada distinto momento sem cairmos no orgulho de querer ser a pessoa perfeita aos olhos dos outros. 

  Quanto à caridade, essa deve ser praticada no oculto e no silêncio. Ninguém precisa ver a nossa essência generosa nem aplaudir o nosso lado bom. Além do mais, as formas mais saudáveis de caridade são leves, simples, práticas e discretas. 

   Devemos encontrar a nossa medida, a nossa vocação e o nosso jeito de praticar o bem. Há pessoas que são impressionáveis demais para ajudar pessoas negativas, por exemplo, sendo mais vocacionadas para doações práticas e trabalhos voluntários de caráter mais social e menos psicológico. 

  Querer abraçar o mundo, trabalhar o máximo, ajudar a todos e esquecer de si mesmo pode acarretar a Síndrome de Bournout, uma síndrome tão falada nos dias atuais, ou ainda um distúrbio pouco falado: a fadiga por compaixão. 

  A Fadiga por Compaixão também conhecida como estresse traumático secundário (ETS) pode ser confundida com a Síndrome do Pânico e com a Síndrome de Bournout. Trata-se de uma condição que traz desesperança, diminuição do prazer de viver, cansaço extremo (físico, emocional e mental), insônia, pesadelos, ansiedade, angústia e sentimentos de incompetência e insegurança.

   A Fadiga por Compaixão foi diagnosticada em enfermeiras na década de 1960 e voltou ao debate na área da saúde desde que os profissionais de saúde da linha de frente da COVID-19 se mostraram exaustos nos últimos anos. 

  Além dos profissionais da área da saúde como médicos, psicólogos e enfermeiros, a Fadiga por Compaixão é encontrada em outros profissionais como advogados, assistentes sociais, trabalhadores de serviços voluntários e religiosos. 

  Pessoas muito generosas que ajudam pessoas negativas demais ou que sofreram desastres desenvolvem Fadiga por Compaixão quando gastam toda a sua energia para tentar "salvar" as pessoas e produzir bons frutos no mundo. 

   Ocorre que, muitas vezes, a generosidade não dá frutos. E, por mais que a pessoa generosa seja abnegada e não queira frutos para ela mesma nem recompensa, ela sempre deseja ver que o bem já feito trouxe algum fruto proveitoso para a pessoa ajudada ou um legado no mundo. Ao perceber que os seus conselhos e ajuda não adiantam nada, a pessoa generosa se sente "enxugando gelo", o que acarreta sensações de "derrota" e incompetência.

   Médicos que perdem pacientes desenganados pela medicina, psicólogos que descobrem o suicídio de um paciente após anos de terapia e pessoas conselheiras que sofrem com as atitudes tóxicas de seus amigos acabam se tornando traumatizados. Tudo isso é terreno para a Fadiga por Compaixão. 

   Advogados que não conseguem realizar os seus ideais de justiça, médicos que atendem vítimas de desastres, políticos bons que são vencidos pelos corruptos, veterinários que atendem a animais vítimas de crueldade humana e religiosos que ouvem confissões impressionantes são outros tipos de pessoas propensas a desenvolver a Fadiga por Compaixão. 

  O efeito rebote é o grande perigo da Fadiga por Compaixão: tornar-se "frio" e diminuir a compaixão em si são os meios que muitos encontram para driblar o sofrimento do excesso de compaixão. Vocês já ouviram dizer que muitos médicos são "frios" e até deixam de acreditar em Deus no exercício da Medicina? Antes de julgá-los, devemos entender que a frieza e o ceticismo foram os métodos de sobrevivência desses médicos. 

  O caminho para a cura e prevenção da Fadiga por Compaixão não é matar totalmente a compaixão em si, mas aprender a ser mais racional e pragmático quando preciso, canalizando a generosidade para obras leves que dão verdadeiros frutos sociais. 

  Aprender a se afastar de pessoas negativas e a praticar o autocuidado também são bons caminhos. Não podemos ajudar pessoas tóxicas (essas devem procurar ajuda profissional de pessoas racionais) nem querer abraçar o mundo e bancar o eterno "bonzinho". Mas podemos conservar o bom coração e a fé em Deus, conciliando essa essência cheia de ternura com razão, firmeza e autoamor. 

  O remédio é acolher a si mesmo, sendo generoso com o próprio espírito e aprendendo a ser feliz e a ter prazer de viver sem culpa. Por mais que existam sofredores no mundo, tornar-se mais um sofredor não é o caminho. Devemos sentir prazer no espírito e, através da nossa leveza e do nosso bom humor, levar um pouco mais de sorrisos e luz para o mundo. 


"Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso (Mateus 11:28-29)". 


   



*Essa poesia transformou sofrimento em pérola.

*Essa poesia pretende ser um carinho no espírito de todo aquele que está cansado e abatido. Que todos possam encontrar Jesus Cristo!

*Se quiser saber mais sobre o assunto, digite "Fadiga por Compaixão" no Google e faça pesquisas. Descubra por si mesmo o que tudo isso significa. 

*Do ponto de vista religioso, a Fadiga por Compaixão pode ser uma provação para quem é bom. Longe de ser um motivo para desistir de ser uma pessoa boa, é o momento de mirar a luz mais alta e encontrar formas alegres e saudáveis de caridade. Muitas vezes, podemos ajudar com a leveza da nossa alegria em vez do peso do sacrifício e do cansaço. 

"Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto (Salmo 100:2)". 


Tatyana Casarino. Especialista em Direito Constitucional, advogada, escritora e poetisa. 



*Sugestão de música:


Rock - Hole - Violet


"Você deveria saber quando ir,

você deveria saber dizer "não".