O desejo é como a cachoeira,
mas uma cachoeira em brasas.
Ele dita o prazer e foge da luta,
ele beija a alma e acende o corpo.
A luta mais pura é contra o desejo,
mas todo esse combate é em vão.
Não aniquilamos os desejos do nosso corpo,
transmutamos em oração ou cedemos à paixão.
A paixão consumada com alma
é como uma oração amorosa:
cheia de esplendor e prosa.
Amar o desejo é purificá-lo inteiro.
Não podemos ceder às paixões vis,
eis que a carne pela carne prende a alma.
Mas, podemos trazer beleza à paixão
por meio do amor, o cavaleiro da salvação.
A paixão com amor liberta a alma,
o desejo belo é um anjo aceito.
Os isentos de desejo não são os eleitos,
pois estes são os que transmutaram o desejo.
Poesia escrita por Tatyana Casarino.
Esse poema retrata a função do desejo na evolução espiritual. Em vez de aniquilar o desejo, aquele que deseja a transcendência precisa purificá-lo. O verdadeiro crescimento espiritual não nasce da repressão, mas da paz interior. E a paz de espírito é o presente de quem sabe ordenar os impulsos da alma e transmutar o desejo em beleza por meio do amor.

