O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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sábado, 18 de julho de 2026

Ainda há uma doce crença

 



 

Na infância, tudo era brilho:

o mar, o sol, o parque e o rio.

Na tempestade, víamos emoção,

e, na calmaria, brincar era imensidão.  

 

Hoje, o tédio corrompe o dia,

e o cansaço ceifa a alegria.

O dia especial é mais um,

o calendário é um contrato.

 

Queria artes, dança, brilho!

Queria rugir como um leão

e criar até o mais doce infinito.

A rotina é um cárcere sem filtro.

 

Não sei se nasci para ser triste

ou se nasci para ser bem feliz.

Ainda não me encontrei por aqui.

Queria ser poetisa. Será que consegui?

 

O céu mente sobre nós na infância,

pois lá tudo era inocente e possível.

Amar, casar e ser feliz para sempre,

ter um trabalho lindo, nobre e ardente.


O céu mente sobre nós na infância,

pois as catedrais brilhavam mais.

Eu olhava para os vitrais e sorria!

Quão gloriosa parecia ser a vida!

 

O futuro parecia um mar de sonhos,

um mar de sonhos a realizar.

O sol penetrava nos vitrais,

minha cor favorita a brilhar.

 

Cores fabulosas refletidas no olhar,

olhar de criança doce, perdido no alto.

Hoje, adultos escravizados e tristes

vivem a olhar para uma tela abaixo.

 

O céu mente sobre nós na infância,

porque a vida parecia um sonho,

um sonho colorido a brincar e desbravar.

Hoje, não somos sequer parte da dança.

 

Não nos sentimos adultos inteiros,

não temos sonhos nem dinheiro.

Tudo o que resta é a persistência,

visto que ainda há uma doce crença.

 

Poesia escrita por Tatyana Casarino. 





Esse poema foi inspirado em uma pintura do artista inglês Herbert James Draper. O título da pintura é: "O céu mente sobre nós na infância". 

A obra traz uma atmosfera reflexiva que captura a transição entre a inocência da criança e a realidade da vida adulta. O olhar puro e idealista da menina somente é capaz de mirar o céu enquanto ela reza por um futuro brilhante. 

A garota não percebe o semblante triste dos adultos ao seu redor, que não são iluminados pela luz do sol e que, provavelmente, estão rezando em busca de alívio para as suas realidades cinzentas e sombrias. 

A luz que atravessa o vitral ilumina apenas a criança, porque ela é a única que está conectada com o céu e com as possibilidades infinitas de alegria do mundo espiritual. 

Apesar do tom melancólico e reflexivo, o poema, a pintura e o título da pintura carregam uma dose de bom humor. Afinal, o contraste entre a infância e a vida adulta pode ser visto como uma comédia também. 

O final do poema traz uma mensagem de esperança: quem carrega a criança interior em seu coração sempre terá uma doce crença sobre a vida. 


Tatyana Casarino.