Perguntam-me por qual motivo
eu gosto de ler sobre tantos vilões.
Heathcliff tem a sua vingança,
Erik é a mais soberba abundância.
O orgulho do Fantasma da Ópera
é como as chamas da alma em brasa.
A ira da Fera esconde uma rosa
dentro de uma redoma bela e secreta.
Dentre mil pétalas de fúria e redenção,
eu sou a princesa Bela, eu sou a Fera,
eu sou a Christine, eu sou o Fantasma.
Eu sou Cathy? Eu posso amar o Heathcliff?
Eu sou o bem, eu conheço o mal,
eu sou o perdão, eu guardo o rancor,
eu tenho a sombra, eu sou a iluminação,
eu toco o pecado e abraço a redenção.
No abismo do Heathcliff, eu vejo:
o mar da fúria e a dor do preconceito.
Eis aquele menino órfão e rejeitado
que virou o nosso vilão dos desejos.
No castelo da Fera, eu vejo:
uma biblioteca de saberes proibidos,
a origem do mal, a minha libido,
o choro do orgulho, o riso sem juízo.
No subterrâneo da Ópera de Paris,
eu vejo uma máscara que me desmascara.
Eu sou o Erik, um anjo sozinho e magoado,
que beija a música para aliviar o seu fardo.
Por trás dos homens mais sombrios,
há orgulho, ira, ferida e luxúria.
Por trás das máscaras, as fadas
que transformam dor em fartura.
Diferentemente de Heathcliff e de Erik,
Adam nasceu em berço de ouro.
Mas, sem amor e com mimos materiais,
tornou-se o mais soberbo dos mortais.
Heatchiff e Erik nasceram pobres,
enfrentaram as dores da exclusão.
A ferida fez nascer um grande vulcão,
cheio de volúpia, poder e tentação.
O espelho dos homens sombrios
são as mulheres puras e passionais.
O remédio da Fera foi o amor da Bela,
e o de Heathcliff foi o tormento de Catherine.
E, para o Fantasma da Ópera,
o remédio foi a moça da ternura.
Christine não cantava sobre mágoas,
cantava sobre o amor – e isto o curava.
Poesia escrita por Tatyana Casarino.
O poema aborda a história dos personagens mais sombrios da literatura, do cinema e do teatro musical: Adam (A Bela e a Fera), Heathcliff (O Morro dos Ventos Uivantes) e Erik (O Fantasma da Ópera).
Os versos revelam as características semelhantes entre os personagens e a forma como esses homens refletem as sombras psicológicas das mulheres (Bela, Catherine e Christine) e dos leitores.
Taty Casarino.
Fonte das imagens: Pinterest.

