O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









Contador Grátis





terça-feira, 26 de maio de 2026

O espelho dos homens sombrios














Perguntam-me por qual motivo

eu gosto de ler sobre tantos vilões.

Heathcliff tem a sua vingança,

Erik é a mais soberba abundância.

 

O orgulho do Fantasma da Ópera

é como as chamas da alma em brasa.

A ira da Fera esconde uma rosa

dentro de uma redoma bela e secreta.

 

Dentre mil pétalas de fúria e redenção,

eu sou a princesa Bela, eu sou a Fera,

eu sou a Christine, eu sou o Fantasma.

Eu sou Cathy? Eu posso amar o Heathcliff?

 

Eu sou o bem, eu conheço o mal,

eu sou o perdão, eu guardo o rancor,

eu tenho a sombra, eu sou a iluminação,

eu toco o pecado e abraço a redenção.

 

No abismo do Heathcliff, eu vejo:

o mar da fúria e a dor do preconceito.

Eis aquele menino órfão e rejeitado

que virou o nosso vilão dos desejos.


No castelo da Fera, eu vejo:

uma biblioteca de saberes proibidos,

a origem do mal, a minha libido,

o choro do orgulho, o riso sem juízo.

 

No subterrâneo da Ópera de Paris,

eu vejo uma máscara que me desmascara.

Eu sou o Erik, um anjo sozinho e magoado,

que beija a música para aliviar o seu fardo.

 

Por trás dos homens mais sombrios,

há orgulho, ira, ferida e luxúria.

Por trás das máscaras, as fadas

que transformam dor em fartura.

 

Diferentemente de Heathcliff e de Erik,

Adam nasceu em berço de ouro.

Mas, sem amor e com mimos materiais,

tornou-se o mais soberbo dos mortais.

 

Heatchiff e Erik nasceram pobres,

enfrentaram as dores da exclusão.

A ferida fez nascer um grande vulcão,

cheio de volúpia, poder e tentação.

 

O espelho dos homens sombrios

são as mulheres puras e passionais.

O remédio da Fera foi o amor da Bela,

e o de Heathcliff foi o tormento de Catherine.

 

E, para o Fantasma da Ópera,

o remédio foi a moça da ternura.

Christine não cantava sobre mágoas,

cantava sobre o amor – e isto o curava.


Poesia escrita por Tatyana Casarino.





O poema aborda a história dos personagens mais sombrios da literatura, do cinema e do teatro musical: Adam (A Bela e a Fera), Heathcliff (O Morro dos Ventos Uivantes) e Erik (O Fantasma da Ópera). 

Os versos revelam as características semelhantes entre os personagens e a forma como esses homens refletem as sombras psicológicas das mulheres (Bela, Catherine e Christine) e dos leitores. 


Taty Casarino. 


Fonte das imagens: Pinterest.