O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Viajante idealista

 







Por melhor que seja a realidade,

por mais lindo que seja o dia,

Tudo vira tédio, amargura e cansaço

sem ilusões, crenças e sonhos.

 

Por melhor que seja a bondade,

por mais que a alma seja linda,

tudo perde a graça sem poesia.

Um pouco de ego sustenta a vida.

 

Por melhor que seja a rotina,

por mais bela que seja a vida,

a realidade sufoca a alma,

que, sem arte, não arde nem grita.

 

Por melhor que seja o trabalho,

por mais belo que seja o cotidiano,

tudo fica cinza, insosso e insano

se o sagrado perde para o profano.

 

Por melhor que seja a terra,

por mais firme que seja a realidade,

tudo perde a beleza e a essência

se não houver ideal de verdade.


Por mais elevado que seja o dia,

não há estrelas sem a noite.

Quero asas para voar entre as estrelas,

quero ver as fadas que brilham em beleza.

 

E, quando os portais da lua,

trouxerem novos e belos sentimentos,

a nossa memória virará perfume

e o nosso desejo voará no vento.

 

O vento varre a poeira do mundo,

a chuva lava a alma do mundo,

e os poetas queimam a realidade

para mostrar, aos céus, a lealdade.

 

Quando sou leal ao celestial,

vejo o mundo com olhos de anjo.

Não sou santo nem profano,

mas um poeta que amou profundo.

 

As asas dos poetas são leves no céu,

mas são pesadas na terra densa.

Quando Baudelaire falou do albatroz,

ele definiu bem a nossa essência.

 

O poeta que viajar, viajar e viajar

por entre pensamentos e sentimentos.

É preciso explorar o mundo de dentro,

é preciso sonhar para conhecer o mundo.

 

Que o poeta sempre seja um viajante,

que o poeta sempre seja um idealista.

Sem viagens, ideais, versos e sonhos,

não há expansão na poesia nem na vida.

 

Transcender é um verbo que queima,

pois é o fogo do espírito que vibra.

Mas, ao mesmo tempo, é verbo que navega

entre as águas dos ideais da nobre poesia.

 

Fernando Pessoa dizia que “navegar é preciso”,

porque a missão é maior do que a existência.

Navego entre rios e mares com luz e beleza

até encontrar o que traz à vida o maior brilho.

 

Se as minhas asas pesadas trazem cansaço à alma,

se o meu peito arde de saudade do paraíso,

tudo pode ser sinal do meu celestial laço,

que me prende ao céu com poesia e espírito.


Poesia escrita por Tatyana Casarino. 







O poema retrata a sensação da alma que busca a transcendência e que almeja tocar um mundo sensível que fica além do cotidiano. Os versos descrevem as sensações dos poetas, dos sonhadores e dos idealistas. 

O poeta é descrito como um "viajante idealista", porque ele precisa sempre "viajar". As viagens dos escritores nem sempre serão aventuras no mundo físico, já que elas também podem ser "viagens mentais". Podemos explorar diversas culturas por meio dos livros e experimentar novos sentimentos por intermédio dos personagens da ficção. 

O poema também traz referência a dois poetas importantes e que me inspiraram ao longo da minha trajetória literária: o poeta francês Charles Baudelaire e o poeta português Fernando Pessoa. 

Baudelaire, considerado um dos precursores do Simbolismo, explora o mundo interior, o misticismo e a subjetividade. No seu poema chamado "Albatroz", ele faz uma comparação entre a figura do poeta e essa ave marinha: os dois são lindos no mundo celeste e "desajeitados" no ambiente terrestre. Ele afirma que o poeta é um "príncipe das nuvens" e que "suas asas gigantes o impedem de andar". 








Podemos dizer que o idealismo deixa o poeta tão sonhador que o aspecto realista da vida fica mais difícil para ele. No entanto, a sua beleza e o seu encanto também nascem justamente da sua sabedoria e criatividade celestiais.

Fernando Pessoa, por sua vez, foi o pioneiro do Modernismo, estilo poético que rompeu com a formalidade e que demonstrou versos livres, sem métrica ou rima fixa. Quando ele afirma que "navegar é preciso", o poeta expressa a importância de realizar uma missão além do horizonte. A navegação aponta não somente para viagens físicas, mas também para todo tipo de expansão cultural e intelectual. 

O poeta é aquele que mostra a importância de sonhar, viajar, explorar novas ideias, sair da "zona de conforto" e expandir horizontes para os leitores. Portanto, ele sempre será um "viajante idealista".


Tatyana Casarino. 


Fonte das imagens: Pinterest. 

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