Essa poesia revela uma reflexão esotérica sobre a origem da vida que foi influenciada pela Cabala: a de que a nossa missão é ser uma pequena fonte de luz espiritual no mundo.
A poesia também carrega a seguinte mensagem bíblica (São Mateus 5,16):
"Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam
as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus."
Esta poesia revela o poder do amor que sabe se adaptar às circunstâncias da vida. Assim como o mar, o amor pode ser profundo e estável como o oceano e, ao mesmo tempo, ganhar novos ritmos como as ondas. O oceano é um símbolo de mistério e fidelidade enquanto as ondas representam as mudanças ultrapassadas pelo amor.
Nem sempre o amor será uma linha reta, pois ele "esfria", "esquenta" e sabe viver entre a "água" (símbolo do sentimento) e a "areia" (símbolo da realidade e da estabilidade ligada ao elemento terra). Saber "navegar" com lealdade, maturidade e perseverança entre as oscilações da vida é o segredo do amor.
O nosso colunista Mateus
Ernani Heinzmann Bülow preparou um texto sobre os elementos comuns da Fantasia. Se você gosta de ler livros com enredos fantasiosos, descubra os elementos que compõem as melhores histórias do gênero. E, se você for um autor de livros de Fantasia, o artigo servirá como base para as suas inspirações de escrita criativa e ficção. Boa leitura!
10 Elementos Comuns na
Fantasia.
O ser humano sonha com o
impossível desde o início dos tempos. De certa forma, a capacidade de fantasiar
levou nossa espécie adiante no progresso, permitindo descobertas e invenções
outrora inimagináveis, com um simples questionamento: “E se?”. Essa mesma
pergunta pode ser desmembrada em inúmeras outras:
“E se for possível voar?”
“E se existirem mais terras além do oceano?”
“E se a vida fora da terra for possível?”
“E se essa doença tiver uma cura, ou ao menos um
alívio temporário?”
“E se esse metal puder fazer liga com outro?”
Nem sempre o que foi tentado foi devidamente
comprovado, mas isto não significa uma derrota para a humanidade, e sim uma
vitória para a Fantasia, um gênero tão amplo que hoje existem subdivisões para
quase todas as classificações existentes. O que não existe em nosso mundo
sempre terá lugar naquele espaço minúsculo e ao mesmo tempo infindável
conhecido como a mente humana.
Visitar todos os aspectos do gênero da Fantasia seria
uma viagem incrível, então vamos começar com algo pequeno e condizente em nosso
espaço limitado. Na presente lista apresentaremos dez aspectos e elementos que
costumam aparecer com frequência em histórias fantásticas, seja em livros,
filmes, desenhos animados, videogames e outras mídias. Sem mais delongas,
chegou a hora de viajar!
1-Exércitos de Esqueletos.
O chão está branco? Não se
preocupe com isso, são apenas alguns ossos espalhados por aí... Ou será que
você deveria fazer algo a respeito? Que interessante, eles estão se mexendo...
Opa, melhor puxar a espada da bainha, amigo, pois eles estão sorrindo para você,
mas não são nada amistosos...
Esqueletos capazes de se mover e lutar talvez sejam as
criaturas mais comuns nas histórias de fantasia, ao menos como “soldado raso”
padrão servindo aos exércitos malignos. Geralmente os guerreiros ossudos
carregam espadas enferrujadas e armaduras antigas em combate, e não possuem
vontade própria, pois alguém os controla com magia. Esqueletos vivos dotados de
vontade própria são mais comuns em histórias leves, onde eles podem servir de
alívio cômico.
A presença de esqueletos não
torna a história necessariamente do gênero terror, até porque os ossudos não
costumam ser resistentes. O principal trunfo desses mortos-vivos em combate
costuma ser o número de efetivos em batalha. São raras as histórias onde eles
não atacam em verdadeiras hordas repletas de maldade (e cálcio).
Uma explicação possível para a presença de tantos
esqueletos vivos na fantasia está na necessidade de mostrar os heróis lutando
contra adversários numerosos, sem retratá-los como assassinos. Afinal de
contas, os inimigos já estão mortos... Variações no tema incluem criaturas
maldosas como goblins e duendes, além de exércitos de zumbis, ou então de
armaduras que se movem sozinhas.
É digno de nota que esqueletos vivos também aparecem
na Bíblia, servindo como demonstração do poder de Deus. Em Ezequiel 37, os
esqueletos no Vale dos Ossos Secos retornam à vida, e logo em seguida são
providos de músculos e pele. Esse trecho fantástico atua como alegoria ao
ressurgimento da nação judaica, e à ressurreição de todo indivíduo crente no
poder de Deus.
2-Aranhas Gigantes.
Como se diz em Itu, “lá as
coisas são desse tamanho”, e o mesmo é válido na ficção fantástica, onde
animais comuns alcançam tamanhos inesperados. Por razões mais do que óbvias, as
aranhas são os animais preferidos dos autores da fantasia, ao menos para
servirem de inimigos aos heróis. No mundo moderno, a Aracnofobia (medo de
aranhas) é a segunda fobia mais comum entre humanos, perdendo apenas para a
Coulrofobia (medo de palhaços), o que pode explicar a “predileção” pelos
bichinhos de oito patas.
Aranhas aparecem nas mitologias de quase todos os
povos ao redor do mundo, geralmente representadas como entidades ambivalentes
ou interesseiras. O exemplar mais famoso provavelmente é Anansi, o Deus-Aranha
nas culturas de diversos povos da África Ocidental, representado às vezes como
um aracnídeo do tamanho de um humano. Outro exemplar benigno aparece na
mitologia Tupi-Guarani, na lenda do Reino dos Urubus: uma aranha gigante ajuda
o protagonista a se esconder em sua toca.
Na ficção fantástica, aranhas gigantes costumam ter
poucas motivações, exceto suprir seus imensos apetites com tudo o que estiver
no caminho, podendo servir aos propósitos dos vilões ou apenas como obstáculo
aos heróis. Na fantasia, é comum ver aracnídeos crescidinhos caçando em equipe,
como se fossem leões ou lobos. Esse comportamento é raro nas aranhas reais,
geralmente solitárias; apenas na época do acasalamento elas se permitem
aproximar de outros membros da espécie.
3-Árvores Falantes.
Sabe quando você precisa falar
com alguém, mas ele está “plantado” e não pode sair do lugar? Essa regra se
aplica às árvores falantes, outro derivado mitológico que foi parar no meio da
ficção, e não será desenraizado tão cedo. Podemos descrever uma verdadeira
“floresta falante” na fantasia, com tantas árvores capazes de se comunicar com
os humanos e outras espécies.
No passado longínquo, árvores muito antigas eram
consideradas a personificação da sabedoria acumulada pelos ancestrais. Gregos e
celtas faziam cerimônias ao pé dos carvalhos, buscando ouvir recados dos Deuses
no vento balançando as folhagens, ou batucando os troncos e galhos. De certa
forma, uma árvore pode “falar” ao demonstrar sinais de doenças nas folhas ou na
casca.
Em histórias fantásticas, as árvores falantes costumam
oferecer informações aos heróis, preferindo manter distância de conflitos, ao
menos até o vilão ameaçar a floresta onde se encontram. São raras as ocasiões
onde árvores falantes compõem uma ameaça aos protagonistas, e a motivação
nesses casos costuma ser um mal-entendido, onde os heróis são erroneamente
associados à destruição da natureza.
4-Ferreiros importantes à
História.
Se o leitor passou pela
análise do filme Conan – O Bárbaro, do mesmo autor, deve se lembrar do destaque
oferecido a uma cena inicial, onde uma espada é forjada. Nas histórias de
fantasia, o Ferreiro costuma ser um dos primeiros personagens a aparecer na
trama, podendo ser parente do protagonista (pai, avô, às vezes tio), ou então
um mentor, tanto na vida prática como nos conselhos emocionais.
Em sociedades pré-industriais, o trabalho com metal
cabia aos ferreiros, tornando-os uma profissão respeitada, embora não
necessariamente abastada. No gênero da fantasia, esse profissional pode ser tanto
um sujeito “normal”, ou então um poderoso usuário de magia, responsável pela
forja de equipamentos úteis aos heróis.
O ofício com metais na
fantasia raramente possui fidelidade ao correspondente no mundo real, para fins
de compreensão ao leitor/espectador/jogador. Um exemplo é quando o ferreiro
aparece martelando a lâmina de uma espada que já possui seu cabo; no
cumprimento do ofício, o cabo apenas é colocado após as batidas.
Apesar das dificuldades da vida prática de ferreiro, é
inegável que existe uma “mística” sobre a profissão. Um prova disso é a
existência de muitos deuses relacionados ao trabalho nas forjas: Hefesto na
Grécia; Ogum entre os Iorubás; Ptah no Egito antigo; Ilmarinen para os
finlandeses, antes da chegada do Cristianismo. Até mesmo os Tupis possuíam uma
Deusa da Forja, chamada Angra: Depois de aprenderem os segredos da metalurgia
com os portugueses, os Tupis passaram a associar a Deusa do Fogo Angra à
atividade com ferro e aço.
Durante o período medieval, o trabalho em metal era
considerado uma das Artes Mecânicas, junto da Alfaiataria, Agricultura,
Arquitetura, Comércio, Culinária, Caça e Combate. Até hoje os ferreiros que
sobreviveram ao advento da Era Industrial seguem rituais curiosos: no Japão, os
forjadores de espadas ficam sem beber durante uma semana, antes de iniciar o
trabalho em uma lâmina.
5-Busca pelos Quatro
Elementos.
Água, Ar, Fogo, Terra. Às
vezes Gelo, Trovão, Luz, Trevas... Entre todas as teorias pseudocientíficas consideradas
obsoletas, nenhuma aparece com mais frequência na fantasia do que os Elementos
Clássicos. Dependendo da história, os Elementos podem estar envolvidos com o
principal objetivo dos protagonistas (e vilões), ou então uma parcela marginal
na aventura, influindo com menor intensidade.
Às vezes o enredo trata de uma grande jornada em busca
de relíquias associadas aos Quatro Elementos. Em outras situações, os próprios
heróis são representações dos Elementos, com suas personalidades e
características pessoais definidas neles: o herói do Fogo é valente e
“nervosinho”; o detentor da Água é calmo e ponderado; o representante da Terra
é firme, rígido e esforçado; o possuidor do Ar/Vento é “avoado” e etéreo.
Se a história envolver a procura pelas relíquias dos
Elementos, você pode ter certeza que encontraremos “áreas temáticas” para cada
um deles: uma cachoeira ou o oceano para a Água; uma ilha voadora para o
Ar/Vento; um vulcão onde se oculta o Fogo; uma fenda profunda ou a maior
montanha do mundo para a Terra. Basta ao autor escolher o que ele achar melhor
para o âmbito de sua história.
Quase todas as aventuras
fantásticas envolvendo Elementos se baseiam na concepção grega antiga, resumida
ao Ar/Vento, Água, Terra e Fogo. No caso de histórias orientais, os Elementos
podem ser bem diferentes da visão ocidental: entre os chineses adeptos da
filosofia Wuxing, existem cinco Elementos: Fogo; Água; Terra; Madeira; Metal.
Na mitologia japonesa, por sua vez, existe um elemento extra, chamado Espaço ou
Voide.
É digno de nota que a Maçonaria também possui sua
teoria envolvendo os Quatro Elementos, relacionando o crescimento humano com o
trabalho de um pedreiro. A Terra é de onde vieram os humanos, enquanto o Fogo é
o impulso natural que encoraja o indivíduo a buscar seu lugar no mundo. O Ar
trata do intelecto e discernimento, dois valores apreciados pelos maçons, e a
Água descreve os sentimentos e emoções.
6-Romance entre um Humano e
uma Elfa.
Na mitologia nórdica, os elfos
são descritos como criaturas de luz ou de trevas, sem meio termo. Apesar de
seus poderes extraordinários e longevidade inigualável, os elfos são parecidos
com os seres humanos, ao menos em sua estrutura física. Por essa razão os seres
místicos costumam aparecer com frequência nos romances de fantasia como interesses
amorosos dos humanos.
A combinação mais comum desses romances trata de um
humano (geralmente o herói, ou um amigo do protagonista), ao lado de uma garota
élfica, identificada pelas orelhas pontudas e aparência quase divina. Homens
élficos ao lado de garotas humanas apaixonadas são mais raros, e suas aparições
ocorrem com maior frequência em obras de fantasia mirando o público feminino.
Talvez uma das razões da popularidade dos casais
humanos e élficos seja o contraste entre a perfeição excessiva destes seres místicos
com o exato oposto do outro lado da relação. Imagine ser capaz de conquistar o
coração de uma criatura absolutamente incrível em todos os sentidos, mesmo com
todos os seus defeitos. No fim, o que realmente importa numa relação é o afeto
entre as partes.
7-Membro da Realeza disfarçado
de Gente Comum.
Sabe aquele viajante envolto
numa capa grosseira? Observe-o com mais atenção, e veja se não lembra “alguém
familiar”, ou ao menos alguém que aparece nas moedas, talvez nos quadros
espalhados pelos edifícios públicos do reino... Nobres vestidos em roupas
comuns para não chamar a atenção são personagens mais antigos que a própria
ficção, e exemplos não faltam na história e na mitologia.
O exemplo mais comum na ficção é o rei disfarçado de
mendigo, desejoso de ver como os cidadãos do país (ou ao menos os moradores nos
entornos da capital) estão levando suas vidas, e quais dificuldades os afligem
no dia a dia. Na ficção fantástica, é muito raro ver um monarca
mal-intencionado realizando atos incógnitos entre os governados, e quando eles
o fazem é para descobrir possíveis focos de rebelião.
Uma variação no tema é a
princesa que deixa a segurança do palácio por simples curiosidade, após se
cansar da vigilância constante. Por serem mais inexperientes que os seus pais,
as jovens donzelas costumam se meter em altas confusões ao deixarem os muros do
castelo pela primeira vez, tornando-se a deixa para ocorrer uma aproximação
entre as mocinhas e os heróis.
Desde a antiguidade são conhecidas histórias reais de
nobres que se misturaram aos homens comuns, fosse por diversão ou a serviço. Um
país onde isso ocorreu com frequência no passado é a Suécia, onde foram
relatadas muitas aventuras de monarcas vivendo entre os civis. É possível que a
lenda de Odin tenha inspirado os reis suecos; o rei dos deuses nórdicos viajava
disfarçado pela terra.
Um exemplo de monarca disfarçado familiar aos
brasileiros é ninguém menos que Pedro de Alcântara Francisco Antônio João
Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim
de Bragança e Bourbon, o nosso Imperador Dom Pedro I. Acostumado com o povo
simples do Rio de Janeiro, Pedro muitas vezes fingia ser outra pessoa,
envolvendo-se com os assuntos e afazeres dos cariocas.
8-Tecnologia Misteriosa
descoberta em Mundos Medievais.
Nos mundos fantásticos, a
tecnologia raramente passa do período medieval, e quase todas as máquinas
disponíveis aos personagens são alimentadas pela força manual, pelos elementos
ou por mecanismos simples de relógio. Ao menos este é o cenário inicial, quando
uma novidade surge no horizonte, ou em meio às ruínas... Após séculos de
abandono, o passado se revela aos personagens, na forma de máquinas
inimagináveis, tais como robôs, ou então aeronaves, talvez armamento de pólvora.
A presença de tecnologia perdida em obras que até
então parecem “tradicionais” é mais comum em histórias criadas depois da década
de 1960, recaindo nos gêneros Steampunk, Dieselpunk ou Clockpunk (mais
informações estão disponíveis no texto sobre os Gêneros da Ficção
Retrofuturística, do mesmo autor). Em ocasiões ainda mais raras existem
máquinas capazes de viajar pelo espaço, e até simulacros de internet.
É inegável a presença de um teor “pós-apocalíptico”
com a presença das tecnologias redescobertas no meio da jornada dos heróis,
salpicando a aventura com melancolia e questionamentos sobre como seria aquele
mundo fantástico se a história seguisse outro rumo. Em alguns casos, a volta do
conhecimento perdido traz grandes benefícios à humanidade, enquanto em outras
ocasiões seria melhor deixar o passado enterrado, e os heróis necessitam
combater a ameaça.
O correspondente histórico
real desse elemento comum na fantasia possui influência histórica óbvia. De
certa forma, o período medieval foi acompanhado de muito retrocesso, ao menos
na Europa, pois diversas técnicas e avanços se perderam com a queda do Império Romano,
e levariam muito tempo até retornarem ao cenário europeu.
Não é correto, entretanto, afirmar que toda a Idade
Média foi uma época de trevas: as primeiras universidades modernas surgiram
nesse período, e no século XV, tecnologias novas também apareceram no cenário
europeu, tais como moinhos de vento, mecanismos de relógio, guindastes movidos
por meio de rodas e até mesmo bússolas. Essa última invenção seria a
responsável pela Era dos Descobrimentos, que mudaria o mundo para sempre.
9-Lorde das Trevas.
Agora as coisas vão ficar
sombrias, pois aí vem a bandidagem mais tradicional da Fantasia! A descrição de
um Lorde das Trevas é inconfundível: O Grande Mal Supremo, personificado em uma
figura de poder e autoridade, quase sempre vestido de preto e liderando um
exército terrível, composto de criaturas malignas tão irrecuperáveis quanto seu
demoníaco líder.
O objetivo desses malvadões quase sempre é o domínio
completo de tudo o que suas vistas alcançam no horizonte, indo desde os reinos
mais fracos até a superfície de todo o mundo conhecido. Mesmo com todo o
poderio formidável à disposição, os Lordes das Trevas ainda são vulneráveis aos
heróis, ao menos quando descobrem as fraquezas de seu sinistro adversário, ou
simplesmente porque eles são os Escolhidos da Profecia.
Considera-se que os primeiros Lordes das Trevas
“oficiais” foram Morgoth e Sauron, criados por John Ronald Reuel Tolkien na
concepção da Terra-Média, o cenário do Senhor dos Anéis. No entanto, podemos
identificar inúmeros “ancestrais” dos Lordes das Trevas nas lendas dos povos ao
redor do mundo, como é o caso de Set no Egito antigo, Ravana na mitologia
hindu, Zahhak entre os persas, e Koschei no folclore russo (mais informações
sobre Koschei no texto das 10 Lendas da Rússia, do mesmo autor).
Phillip Pullman, autor da
série Fronteiras do Universo, apresentou uma teoria curiosa para a utilização
frequente do arquétipo dos Lordes das Trevas: para Pullman, o ser humano traz
consigo uma desconfiança natural à autoridade, e essa mesma repulsa se confunde
com a associação ao Mal. De fato, inúmeros ditadores parecem réplicas do
arquétipo (neste blog temos a lista dos 10 Tiranos que Poderiam ser Vilões da
Fantasia, do mesmo autor), mas nem sempre o Poder se traduz em vilania
imediata.
O Lorde das Trevas sempre foi arraigado na escrita
fantástica tradicional, e hoje quase todos os autores modernos querem fugir
dele, colocando ameaças mais plausíveis em suas histórias, tais como
organizações secretas ou políticos corruptos que desejam apenas dinheiro. A
repulsa exagerada ao arquétipo de certa forma aproxima esses mesmos autores dos
personagens que precisam lidar com ameaças similares; afinal de contas, um
Lorde das Trevas não é uma companhia agradável...
10-Estranho numa Terra
Estranha.
Para terminar a nossa
“aventura” pelos elementos da fantasia, falaremos de um gênero que surgiu no
passado longínquo e hoje atravessa uma curiosa ressurgência. Basicamente, o Estranho
numa Terra Estranha é um protagonista que acaba em um mundo bem diferente de
onde ele nasceu. Não se trata apenas de visitar um país diferente, ou outro
continente; o herói foi parar num lugar que não pode ser acessado por meios
normais.
O modelo mais comum de viajante entre os mundos
costuma ser o sujeito que vive em “nossa” realidade, ou ao menos uma realidade
parecida com a nossa, para logo em seguida ser levado a outro universo, muitas
vezes contra a própria vontade; o protagonista agora necessita encontrar um
método para retornar. Esse arquétipo às vezes é chamado de “Fantasia de
Portal”, a despeito de nem sempre existir um portal mágico/tecnológico, e o
personagem simplesmente aparece no outro mundo, sem explicações maiores.
Diversas mitologias falam
sobre mundos inacessíveis aos humanos, alcançados apenas por heróis em suas
jornadas. Geralmente esses lugares imaginários são habitados por criaturas
singulares e poderosas, como fadas, anões, elfos, espíritos místicos ou os
próprios deuses dos respectivos panteões. Dependendo do protagonista da lenda,
a entrada no outro mundo pode tanto ser uma invasão como um convite.
Na literatura ocidental, os
exemplares mais conhecidos do Estranho numa Terra Estranha são obras como Um
Ianque na Corte do Rei Artur, de Mark Twain, Alice no País das Maravilhas, de
Lewis Carrol, O Mágico de Oz, de Lyman Frank Baum, As Crônicas de Nárnia, de
Clive Staples Lewis, e A História sem Fim, de Michael Ende. Os filmes baseados
nessas obras sempre focam no aspecto “forasteiro” de seus protagonistas.
O arquétipo do Estranho numa
Terra Estranha teve uma sobrevida no Japão, graças ao gênero Isekai
(literalmente, “Outro Mundo”, ou “Mundo Diferente” em japonês), comum nos
mangás e Light Novels. O gênero Isekai costuma trazer muitas referências de
videogames na escrita, quase todos RPGs de aventura, e tornou-se tão
lugar-comum que as editoras de mangás e Light Novels buscam reverter a saturação
em busca de novos gêneros; a editora Kadokawa até abriu um “Museu do Isekai” em
2017.
Uma explicação para a popularidade do Estranho numa
Terra Estranha se encontra na facilidade em criar empatia do personagem com o
leitor, pois ambos dividem as mesmas dúvidas quanto ao novo mundo. Em teoria,
tudo o que o protagonista aprende também é uma informação nova entregue
diretamente ao leitor, dispensando maior esforço do autor ao apresentar seu
universo ficcional.
Texto escrito por Mateus Ernani Heinzmann Bülow.
Confira a coluna do Mateus no blog "Recanto da Escritora", o blog de poesias e textos da Taty Casarino:
Mateus é Bacharel em Direito
pela Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), escritor e colunista do
blog "Recanto da Escritora". Ele é o autor de dois livros
de fantasia (disponíveis para compra na Amazon):
Taquarê - Entre a Selva e o
Mar
Taquarê - Entre um Império e
um Reino
Mateus e Tatyana se conheceram na Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA). Eles passaram a conversar sobre literatura após o Sarau "Entardecer Poético" da saudosa poetisa gaúcha Ruth Larré. Na divulgação do livro "Receita de Homem e outros poemas" da Ruth, os jovens poetas puderam recitar poesias de sua autoria.
Mateus e Taty também tiveram um Podcast juntos: o "Literatura em Ação". Nesse programa, eles compartilhavam dicas de escrita com jovens escritores. O Podcast ainda está disponível no YouTube e no Spotify.
Confira um vídeo do Mateus no canal do YouTube da Taty Casarino:
Desde criança, sempre refleti sobre a existência do mal e da sombra. Eu costumava perguntar para todos: Se Deus é bom, por que o mal existe? O que eu não sabia era que o próprio Criador queria que eu encontrasse a resposta dentro de mim mesma. Assim, posso ser um "canal" de intuições e consolar os corações que possuem as mesmas inquietações que o meu.
Na minha caminhada, não encontrei uma resposta perfeita para essa pergunta clássica em nenhuma linha religiosa tradicional nem nas correntes filosóficas do mundo. Contudo, a Cabala, a alquimia, o esoterismo, a astrologia, a psicologia junguiana e a linguagem simbólica da poesia me ajudaram a descobrir uma resposta mais profunda para a minha antiga indagação: a sombra existe para que que a luz possa ser buscada.
Aceitar a sombra é entender que a vida está muito além do moralismo clássico e puritano que divide o bem e o mal em "caixinhas" separadas. Não se trata de relativizar o mal nem de concordar com ele. Trata-se de entender a existência da sombra com sabedoria para transmutar a nossa sombra em luz.
Quando amamos as nossas sombras, não nos tornamos pessoas más. Muito pelo contrário, ficamos mais conscientes, equilibrados e íntegros. Reprimir as nossas tendências e ocultar as nossas sombras são atitudes muito mais perigosas, pois causam problemas psicológicos e espirituais. Quem reprime muito a sombra pode sofrer com desordens, desequilíbrios psíquicos e "escorregar" em muitas explosões emocionais.
Somente o amor transforma sombra em luz. Amando a nossa alma com todas as nossas luzes e sombras internas, somos capazes de dominar as nossas ações para que os nossos gestos externos revelem apenas luz, respeito e amor por todos.
Estudar o esoterismo não me afastou do cristianismo nem do caminho da luz. Pelo contrário, eu amo ainda mais Jesus e acredito em Suas Palavras de Salvação e Cura com muito mais profundidade, emoção e entendimento. Eu acredito que o Senhor curou as minhas sombras e que foi o próprio Deus que me inspirou a encontrar respostas profundas para as minhas dúvidas.
Além do mais, a minha caminhada espiritual é marcada por experiências bem pessoais. Percebi que, se eu não tivesse lutado contra os meus medos nem contra os meus defeitos psíquicos no passado, eu não teria alcançado a luz, a coragem nem a criatividade que eu tenho hoje.
Ao longo da minha jornada, notei que a minha maior luz nasceu das batalhas contra as minhas maiores sombras. E, talvez, eu não teria tanta fé em Deus se eu não tivesse passado por provações e por sofrimentos emocionais no passado.
O desequilíbrio emocional me ensinou a buscar o equilíbrio. A dor me ensinou a buscar a Deus. E o temperamento melancólico me ensinou a buscar uma felicidade mais profunda e plena. No fim das contas, as minhas sombras me ensinaram o caminho da luz.