O caderno digital de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará textos e poesias repletos de profundidade com delicadeza.









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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Retrospectiva Cultural 2025

 Olá, pessoal! Costumo fazer uma "Retrospectiva Cultural" todos os anos. Essa retrospectiva consiste em apontar o livro, o filme e a música que marcaram o meu ano. Ressalta-se que as obras citadas não serão, necessariamente, lançamentos deste ano, mas aquelas que eu mais gostei de ler, escutar e assistir durante o ano que passou. 

  A Retrospectiva também aponta a melhor poesia publicada no blog e o melhor texto do colunista Mateus Bülow. 






*Livros lidos em 2025. 




*Caderno de Espiritualidade. Vencer o cansaço e reencontrar o prazer de viver. Autor: Anselm Grün.
*Madalena. As memórias da mulher que acompanhou Jesus até o Calvário, foi silenciada pelos homens, enfrentou ciúmes e teve sua dignidade questionada antes de finalmente ser reconhecida como apóstola. Autor: Rodrigo Alvarez.
*Crescer na mudança. Como podemos nos tornar mais livres, mais autênticos, mais serenos e mais esperançosos. Autor: Anselm Grün.
*Viver apaixonadamente. Autores: Anselm Grün e Hsin-Ju Wu. 
*Contos de Fadas Indianos. Autor: Joseph Jacobs. 
*Quíron. A ponte entre o Céu e a Terra. Autor: Marcelo Dalla.
*Maria. Mais forte que o mal. Autor: Padre Reginaldo Manzotti.
*O infinito em um junco. A invenção dos livros no mundo antigo. Autora: Irene Vallejo. 
*A carta secreta. Autora: Lucinda Riley.
*A sala das borboletas. Autora: Lucinda Riley.
*Mulheres que correm com os lobos. Mitos e arquétipos da Mulher Selvagem. Autora: Clarissa Pinkola Estés. 

Esses livros marcaram o meu ano! Recomendo a leitura de todos!


*Observações:

*Li novamente "Mulheres que correm com os lobos" este ano. Sendo assim, a obra é citada enquanto releitura (a primeira vez que li esse livro foi em 2022).

*Não li o livro "O infinito em um junco" completamente ainda, mas ele marcou o meu ano por ter sido o presente de aniversário que eu ganhei de uma amiga querida. 



1) Livro do ano


A Sala das Borboletas de Lucinda Riley


*Observação sobre Spoilers: eu descrevi parte da vida da protagonista ao comentar sobre o livro, mas não revelei o grande segredo da obra literária. 






Lucinda Riley é uma das minhas autoras favoritas, pois ela entrelaça história, romance, suspense, mistério, drama e aventura de maneira única. Nesse romance, os personagens são complexos, a história é bem construída e o desfecho é surpreendente. 

O livro "A Sala das Borboletas" mistura o passado e o presente na narrativa ao intercalar capítulos que mostram a juventude da protagonista Posy Montague (nas décadas de 40 e 50) com aqueles que descrevem os desafios da sua vida quando ela está prestes a completar 70 anos (no início dos anos 2000). 

A mansão Admiral House desperta muitas lembranças na protagonista, porque ela passou a sua infância nessa casa. No jardim da mansão, ela gostava de caçar borboletas com o seu pai, um piloto de caça cujo passatempo é estudar insetos na misteriosa "Sala das Borboletas". 

Quando ela recebe a notícia de que o seu pai morreu na Segunda Guerra Mundial, a sua vida inteira muda. Ela enfrenta dificuldades familiares, solidão e falta de compreensão diante da sua dor emocional e do seu luto. Com uma mãe fria e distante, ela passa a ser cuidada pela sua avó num lugar pacato e bem religioso -- diferente da mansão agitada e cheia de festas promovidas pela sua mãe. 

A personagem principal é muito inteligente e tem um incrível talento na Botânica, um ramo da Biologia que se dedica ao estudo das plantas, e chega a fazer uma Faculdade, um raro privilégio para uma mulher da sua época. Assim como o seu pai, a sua maior paixão é estudar a natureza. 

Durante o período da Faculdade, ela expande horizontes, pois conhece novas maneiras de viver a vida e passa a ter contato com pessoas diferentes. Ela convive com uma amiga extrovertida que rompe com a sua visão de mundo e passa a conhecer artistas. Nessa época, ela supera alguns paradigmas religiosos e derruba os conceitos preconceituosos do lugar pacato onde passou a infância. 

Vive uma paixão intensa com um jovem que sonha em ser artista, mas ele a abandona misteriosamente e desiste de ser ator para ser advogado. Ela sofre muito com o término do romance, mas segue a sua vida normalmente. Posy acaba se casando com outro homem, alguém com um perfil mais sério e pragmático, e tem dois filhos com personalidades completamente diferentes. Contudo, ela nunca conseguiu esquecer o ator que exalava beleza, charme, energia e paixão. 

Depois de ficar viúva, ela decide voltar a morar na mansão Admiral House e fica sabendo dos dilemas dos filhos. Nessa parte do livro, o romance demonstra as histórias paralelas de vários personagens, especialmente as histórias dos filhos e das noras de Posy. Sam, o seu filho mais velho, é um fracasso nos negócios e um homem amargo. Nick, o filho mais novo, é um jovem ambicioso e sortudo. 

Sam é casado com Amy e tem dois filhos. Amy é uma mulher batalhadora e que sofre com a falta de amor do marido. Nick guarda segredos de um relacionamento passado, mas é muito romântico com a sua nova namorada, uma modelo linda (por dentro e por fora) chamada Tammy. Há também um misterioso personagem chamado Sebastian, um escritor de sucesso interessado na história da mansão da Posy. 

Quando Posy está prestes a completar 70 anos, o seu grande amor da juventude reaparece na sua jornada para explicar o seu desaparecimento. Ele também revela um segredo bombástico à amada, e esse segredo é capaz de alterar a maneira como ela enxerga o seu passado. 

O livro desperta a imaginação do leitor de maneira incrível e nós somos transportados para a Inglaterra por meio das descrições dos lugares e dos costumes das pessoas. 

Além de ser um excelente entretenimento, a obra literária passa uma bela mensagem de resiliência ao leitor, visto que a história da Posy é repleta de momentos de renascimento, de transformação e de superação. 

Assim como as plantas renascem no seu jardim e as flores retornam após um longo inverno, a vida de Posy floresce depois da superação dos seus traumas e de uma nova forma de compreender o seu passado. É possível fazer várias reflexões filosóficas sobre o ramo da Botânica destinado à recuperação de um jardim e a história da protagonista. 

O final é surpreendente e passa um belíssimo recado sobre esperança. Afinal, nunca é tarde para ser feliz. Se a personagem conseguiu reencontrar o seu grande amor aos 70 anos, todos nós podemos nos surpreender com a vida. 


2) Filme do ano


Donzela


Gêneros: Ação e Aventura. 





Um filme surpreendente que começa com ares de romantismo e termina com um tom eletrizante. Uma jovem ingênua (aparentemente) se casa com um belo príncipe, mas, em vez de viver a sua lua de mel, é traída pelas pessoas ao seu redor e jogada em uma caverna para ser devorada por um dragão. Dentro da caverna, ela enfrenta diversas aventuras para desbravar o interior dela, desvendar os mistérios da fera que cospe fogo e escapar da morte. 

O grande destaque é a atuação de Millie Bobby Brown que consegue ser brava em cena sem deixar de ser delicada, sonhadora e fiel aos seus princípios. Mesmo no pior momento da jornada, a sua personagem encontra forças para lutar e transforma adversidade em oportunidade. Um filme que proporciona não somente uma aventura cativante, mas também uma excelente reflexão motivacional sobre coragem e perseverança. 


*Para conferir mais dicas de filmes, acesse a postagem do meu blog sobre filmes:


https://poetisataty.blogspot.com/2025/09/dicas-de-filmes-parte-i.html



Outros filmes que eu assisti em 2025:


Enola Holmes

Enola Holmes 2

O Fabricante de Lágrimas

Eiffel

Soul

Um tio quase perfeito (Nacional)

Eduardo e Mônica (Nacional)

As Patricinhas de Beverly Hills

Extraordinário

Princesa Adormecida (Nacional)

As namoradas do papai

Superman (1978)

Cartas para Julieta 

Filadélfia 

O amor dá trabalho (Nacional)

Kate & Leopold

Amor em grande estilo (Romance in Style)

Meu ano em Oxford

Dúvida

Tratamento de Realeza

Borbulhas de amor





Em meus sonhos

O Príncipe do Natal

O Príncipe do Natal: O Casamento Real

O Príncipe do Natal: O Bebê Real

Caramelo (Nacional)

Encontro de amor

Scrooge: Um Conto de Natal (2022)

O pai da noiva

Togo

O Júri

Tick, Tick... Boom!

O sétimo filho

Fátima – A história de um milagre



3) Música do ano 





Perfect Celebrity da cantora Lady Gaga foi a música que eu mais gostei de escutar em 2025. Apreciar o lançamento de um artista é algo raro para mim, porque eu, geralmente, não gosto de músicas novas e costumo escutar músicas antigas no Spotify. Contudo, adorei o álbum Mayhem da Lady Gaga desde a primeira vez que ouvi as músicas dele quando assisti ao show da artista na Praia de Copacabana pela televisão. 

Primeiramente, eu fiquei surpresa com o fato de ter admirado as músicas novas da cantora. Depois, entendi o motivo pelo qual gostei do novo álbum de Gaga: ele é repleto de referências do passado e do cenário da música alternativa dos anos 90. O seu novo CD é uma mistura de vários gêneros: pop, rock alternativo e grunge. 

O visual gótico do show e repleto de arquétipos sobre a jornada feminina de autoconhecimento também me conquistou rapidamente, porque eu vi algumas referências ao mundo sombrio do Fantasma da Ópera e da literatura mística.

Como uma estudiosa do universo simbólico há tempos, percebi alguns símbolos da astrologia, arquétipos do tarô e nuances dos mitos da Mulher Selvagem no show da Gaga. Recomendo o livro "Mulheres que correm com os lobos", pois ele explica os mitos e os arquétipos da Mulher Selvagem (o livro foi escrito pela psicóloga Junguiana Clarissa Pinkola Estés). 

O show da Lady Gaga exibe um mergulho profundo no autoconhecimento, porque ela retrata as suas finalizações de ciclos, "mortes" psíquicas, renascimentos psicológicos, batalhas mentais e superações emocionais. Toda a estética gótica traz uma bela mensagem: a de que podemos ter esperança no renascimento da luz e da força de vontade após um período de escuridão e vulnerabilidade. É possível renascer das cinzas como a Fênix após um período de caos (o significado do nome traduzido do novo álbum dela é justamente "caos"). 

Um dos conceitos mais bonitos da obra da Clarissa Pinkola Estés é o de "Vida-Morte-Vida", que aponta o ciclo natural entre términos e novas fases na vida. É a aceitação do fim de cada ciclo que permite o surgimento da sabedoria, da força, da superação, da resiliência e da coragem na alma feminina. Desse modo, observo um vínculo entre o show da Gaga e a obra literária da autora citada. Quando Lady Gaga dança com um esqueleto, vejo um ritual simbólico do ciclo "Vida-Morte-Vida" presente nos mitos ancestrais da força feminina. 

A música "Perfect Celebrity", em especial, além de trazer uma sonoridade muito boa e viciante, possui um significado muito profundo: o de que a nossa essência está além das aparências e da fama. Enquanto o mundo obrigada o indivíduo (principalmente o artista) a construir uma "máscara" para ganhar notoriedade, a essência pede mais autenticidade. 

Mais uma vez, observo um vínculo entre a música de Gaga e a psicologia de Jung. Na psicologia analítica, há o conceito de que o Arquétipo Persona propicia a criação de um personagem para interagir com a sociedade, mas esse personagem nem sempre corresponde ao verdadeiro ser do indivíduo. Na canção citada, Lady Gaga apresenta um confronto entre a sua identidade humana e a Persona artística. 


4) Melhor poesia publicada no blog


Versos de Madalena 





Essa é uma poesia que retrata a jornada espiritual de Maria Madalena e o seu amor fraterno por Jesus. Eu me inspirei em cenas da série "The Chosen" e na literatura do Sagrado Feminino para escrever esse poema.

O poema é um "mergulho" no aspecto feminino da espiritualidade e convida o leitor a refletir sobre a importância das mulheres no fortalecimento da fé. Além disso, a poesia retrata a caminhada da transformação espiritual de Madalena: ela atravessou o deserto da angústia interior para encontrar a paz e a libertação. Desse modo, a mensagem é universal, porque carrega os ciclos espirituais que todos nós passamos: dor, angústia, tormento, amor, paz e libertação. 

Os versos também demonstram que, muitas vezes, a transformação espiritual mais profunda é desencadeada por uma ação simples. Não foram os rituais complexos dos Mestres da Lei que salvaram a alma de Madalena diante dos tormentos e da melancolia, mas um simples gesto de Cristo: o de chamá-la pelo verdadeiro nome. 

Esse contato entre Madalena e Cristo demonstra que a nossa relação com Deus não é somente transcendental, mas também pessoal. Ele nos chama pelo nome e conhece o nosso coração melhor do que nós mesmos. 

Versos de Madalena é a melhor poesia do ano, pois reflete as minhas maiores inspirações: espiritualidade e autoconhecimento. 

Clique aqui para conferir o poema:

https://poetisataty.blogspot.com/2025/04/versos-de-madalena.html


5) Melhor texto do colunista Mateus Bülow 


10 Elementos comuns da Fantasia





Nesse texto, o colunista Mateus Bülow trouxe curiosidades sobre o gênero da Fantasia ao blog. Ele fez uma lista com 10 elementos que aparecem em obras literárias, filmes, desenhos animados, videogames e outras mídias com frequência. 

A Fantasia, embora seja um gênero amplo, possui uma característica marcante nas manifestações criativas: a capacidade do ser humano sonhar com o impossível. Dentro do universo da Fantasia, alguns aspectos recebem mais destaque do que os outros de acordo com a repetição de certos elementos em diversas obras do gênero. 

Os elementos que aparecem com frequência no cenário da Fantasia são: exército de esqueletos, aranhas gigantes, árvores falantes, ferreiros importantes à história, busca pelos quatro elementos, romance entre um humano e uma elfa, membro da realeza disfarçado de gente comum, tecnologia misteriosa descoberta em mundos medievais, Lorde das trevas e o estranho em uma terra estranha. 

Clique aqui para conferir o texto do autor:

https://poetisataty.blogspot.com/2025/01/10-elementos-comuns-na-fantasia.html


*Mateus Ernani Heinzmann Bülow é colunista do blog "Recanto da Escritora" e escreve sobre História, Literatura e curiosidades. 






Texto escrito por Tatyana Casarino. 


Feliz Ano Novo, querido leitor! Que 2026 seja um ano repleto de conquistas, realizações, saúde, paz e felicidades para você. Obrigada por acompanhar o blog "Recanto da Escritora", ler os poemas e refletir sobre os textos. Abraço fraterno!

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Viajante idealista

 







Por melhor que seja a realidade,

por mais lindo que seja o dia,

Tudo vira tédio, amargura e cansaço

sem ilusões, crenças e sonhos.

 

Por melhor que seja a bondade,

por mais que a alma seja linda,

tudo perde a graça sem poesia.

Um pouco de ego sustenta a vida.

 

Por melhor que seja a rotina,

por mais bela que seja a vida,

a realidade sufoca a alma,

que, sem arte, não arde nem grita.

 

Por melhor que seja o trabalho,

por mais belo que seja o cotidiano,

tudo fica cinza, insosso e insano

se o sagrado perde para o profano.

 

Por melhor que seja a terra,

por mais firme que seja a realidade,

tudo perde a beleza e a essência

se não houver ideal de verdade.


Por mais elevado que seja o dia,

não há estrelas sem a noite.

Quero asas para voar entre as estrelas,

quero ver as fadas que brilham em beleza.

 

E, quando os portais da lua,

trouxerem novos e belos sentimentos,

a nossa memória virará perfume

e o nosso desejo voará no vento.

 

O vento varre a poeira do mundo,

a chuva lava a alma do mundo,

e os poetas queimam a realidade

para mostrar, aos céus, a lealdade.

 

Quando sou leal ao celestial,

vejo o mundo com olhos de anjo.

Não sou santo nem profano,

mas um poeta que amou profundo.

 

As asas dos poetas são leves no céu,

mas são pesadas na terra densa.

Quando Baudelaire falou do albatroz,

ele definiu bem a nossa essência.

 

O poeta que viajar, viajar e viajar

por entre pensamentos e sentimentos.

É preciso explorar o mundo de dentro,

é preciso sonhar para conhecer o mundo.

 

Que o poeta sempre seja um viajante,

que o poeta sempre seja um idealista.

Sem viagens, ideais, versos e sonhos,

não há expansão na poesia nem na vida.

 

Transcender é um verbo que queima,

pois é o fogo do espírito que vibra.

Mas, ao mesmo tempo, é verbo que navega

entre as águas dos ideais da nobre poesia.

 

Fernando Pessoa dizia que “navegar é preciso”,

porque a missão é maior do que a existência.

Navego entre rios e mares com luz e beleza

até encontrar o que traz à vida o maior brilho.

 

Se as minhas asas pesadas trazem cansaço à alma,

se o meu peito arde de saudade do paraíso,

tudo pode ser sinal do meu celestial laço,

que me prende ao céu com poesia e espírito.


Poesia escrita por Tatyana Casarino. 







O poema retrata a sensação da alma que busca a transcendência e que almeja tocar um mundo sensível que fica além do cotidiano. Os versos descrevem as sensações dos poetas, dos sonhadores e dos idealistas. 

O poeta é descrito como um "viajante idealista", porque ele precisa sempre "viajar". As viagens dos escritores nem sempre serão aventuras no mundo físico, já que elas também podem ser "viagens mentais". Podemos explorar diversas culturas por meio dos livros e experimentar novos sentimentos por intermédio dos personagens da ficção. 

O poema também traz referência a dois poetas importantes e que me inspiraram ao longo da minha trajetória literária: o poeta francês Charles Baudelaire e o poeta português Fernando Pessoa. 

Baudelaire, considerado um dos precursores do Simbolismo, explora o mundo interior, o misticismo e a subjetividade. No seu poema chamado "Albatroz", ele faz uma comparação entre a figura do poeta e essa ave marinha: os dois são lindos no mundo celeste e "desajeitados" no ambiente terrestre. Ele afirma que o poeta é um "príncipe das nuvens" e que "suas asas gigantes o impedem de andar". 








Podemos dizer que o idealismo deixa o poeta tão sonhador que o aspecto realista da vida fica mais difícil para ele. No entanto, a sua beleza e o seu encanto também nascem justamente da sua sabedoria e criatividade celestiais.

Fernando Pessoa, por sua vez, foi o pioneiro do Modernismo, estilo poético que rompeu com a formalidade e que demonstrou versos livres, sem métrica ou rima fixa. Quando ele afirma que "navegar é preciso", o poeta expressa a importância de realizar uma missão além do horizonte. A navegação aponta não somente para viagens físicas, mas também para todo tipo de expansão cultural e intelectual. 

O poeta é aquele que mostra a importância de sonhar, viajar, explorar novas ideias, sair da "zona de conforto" e expandir horizontes para os leitores. Portanto, ele sempre será um "viajante idealista".


Tatyana Casarino. 


Fonte das imagens: Pinterest. 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

O fruto do conhecimento

 



 

Preferia a inocência, caí na descrença.

Preferia a luz mais bonita, caí na escuridão.

A escuridão é profunda como o oceano,

uma descida em espiral ao subterrâneo.

 

Beijei Hades e comi as suas romãs.

Cada semente foi uma verdade amarga,

cada mordida foi uma revelação imediata.

Saudade de viver uma eterna primavera!

 

Hoje, o inverno chegou depressa,

e eu desço às profundezas sem ser convidada.

Como uma Perséfone raptada por Hades,

troco as ilusões das flores por secas verdades.

 

Os galhos estão secos e frios,

as árvores têm raízes lá embaixo.

As flores murcham bem rápido,

mas o perfume delas ainda é exalado.

 

A dor do infinito corrompe a vida,

que é finita, confusa e imprevisível.

Não somos frutos da prudência santa,

mas de uma paixão pecadora e profana.


Se somos frutos da paixão,

por que somos tão puros e frios?

Qual é o Deus que criou o mundo?

Ele está nas Palavras ou na Natureza?

 

Se temos sangue e coração,

por que somos tão passivos?

Qual é o ideal mais elevado?

Qual é o espírito mais profundo?

 

Surtos coletivos não me agradam!

Até as iluminações coletivas me intrigam,

pois há sempre um ego de poder e política.

Por isso, só a evolução individual é linda.

 

Perseguem o fruto do conhecimento,

perseguem os poetas e os livres pensadores

há muitos e muitos séculos por este mundo.

Mas, quem beijou Hades não deixa de ser profundo.

 

Quem bebe das águas profundas

não se contenta com águas rasas,

nem com respostas curtas e baratas.

A vida real sempre será feita de brasas!


Poesia escrita por Tatyana Casarino.





Essa é uma poesia baseada na história da deusa Perséfone, figura emblemática da história da mitologia grega. Ela era considerada a deusa da primavera, das flores e dos frutos. Quando vivia na superfície da Terra com a sua mãe Deméter, deusa da agricultura e da colheita, Perséfone somente conhecia a luz e colhia flores. Contudo, após ser levada ao submundo por Hades, ela passa a conhecer a escuridão e o mundo dos mortos. 

Assim como na história bíblica de Adão e Eva, houve um fruto proibido que revelou o conhecimento do bem e do mal para essa personagem. Na jornada de Perséfone, foi uma romã que a vinculou ao mundo sombrio de Hades. Desse modo, ela precisou dividir o seu tempo entre o mundo superior e mundo sombrio. 

Essa história explicava as estações do ano, porque o tempo em que ela passava com a sua mãe, a deusa Deméter, representava a primavera e o verão enquanto o tempo em que ela estava com Hades simbolizava o outono e o inverno. 

Na perspectiva de uma espiritualidade baseada no autoconhecimento e na simbologia, o tempo de Perséfone no submundo indica a metáfora de um momento doloroso do despertar espiritual e da percepção das sombras (interiores e exteriores) na nossa vida. Apesar da dor emocional que o despertar provoca no indivíduo, esse momento também impulsiona o amadurecimento, a resiliência e a superação dos medos. 


Tatyana Casarino. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O brilho que vai e volta

 




Vai embora o brilho do ideal,

vai embora a juventude solar.

Os sonhos viram metas capitalistas,

o amor vira um plano de vida.


Os primos vão embora do caminho,

as praias perdem o mar e o sal.

As férias ficam secas e insossas,

o sábado vira mais um dia banal.

 

O ego diminui diante da indiferença,

o desejo perde o impulso divino.

O brilho do passado é como um pássaro,

que voou, voou, subiu e, depois, pousou.

 

O espírito se encolhe e perde a presença,

o ideal não é mais tão incrível e bonito.

A esperança sentida no passado é uma corça,

que anda ferida, assustada e sedenta.  

 

O brilho que se vai é sinal de apocalipse!

O fim do mundo já chegou de mansinho,

ceifando os pastos dos sonhos devagarzinho.

Quanto tempos nós estivemos dormindo?


É tempo de acordar, meu amigo!

Vamos recuperar o brilho divino!

Ele não ficou perdido no passado,

porque renasce em cada verso e em cada passo.

 

É tempo de acordar, meu amigo!

Vamos passear nos bosques dos sonhos,

vamos inflar o ego de desejos bravos,

vamos salgar o mar e passear no sábado.

 

Vamos pretender realizar os sonhos,

vamos ser poetas idealistas de novo.

A vida só se liberta das garras do profano

quando pretende o oceano além do cotidiano.

 

Assim como as ondas voltam para a praia,

o brilho da vida volta para dentro da alma.

É só ter paciência e regar a sua flor direitinho,

que ela floresce na próxima estação sem falta.


Como um lago que reflete a luz da lua,

que, por sua vez, reflete a luz do sol,

a vida vai ganhar nova luz na noite escura.

Tudo vai florescer de forma bela e pura.

 

Como um cisne que passa gracioso

pelo lago que reflete a luz do luar,

o nosso coração será doce de novo

e vai reaprender a ser feliz e a amar. 


Mesmo quando o sol vai embora,

mesmo quando a noite entra na alma,

vemos a luz das estrelas e a beleza da lua.

A esperança é o brilho que volta na forma mais pura. 



Poesia escrita por Tatyana Casarino. 




 

Essa é uma poesia que incentiva o leitor a ter esperança. Mesmo quando atravessamos uma fase da vida marcada por dificuldades e provações, a luz do encanto e da felicidade pode surgir na alma novamente. 

O "brilho" e a graça da vida, muitas vezes, parecem escapar do cotidiano de uma pessoa adulta. Por isso, o poema é um convite para o resgate da doçura que pulsava no nosso coração de criança e dos sonhos que permeavam a juventude. 


Tatyana Casarino. 

 

 

domingo, 12 de outubro de 2025

Entre o sonho e a seriedade

 



 

Não posso ser pura luz e sonho,

nem sei ficar apenas na realidade.

Quando a caridade dói nos ossos,

sinto a alta perplexidade do mundo.

 

Não sei ser pura luz,

nem posso mergulhar nas trevas.

Há, em mim, intenções tão belas

e pensamentos tão profundos...

 

Queria derreter minh’alma

nos braços do amor e ser elevada.

Mas, o ego humano tem feridas

que nos oprimem pelo peso das mágoas.

 

O rio dos santos é límpido,

puro, claro e até cristalino.

O espírito perfeito está longínquo,

e a bondade humana some no abismo.

 

Às vezes, a santidade parece uma utopia,

e a evolução espiritual uma doce ilusão.

Os seres humanos são pecadores perdidos,

pobres espíritos andando em círculos.


As lágrimas encontram o caminho,

a tristeza gosta de visitar o espírito.

A alegria está perdida no antigo labirinto,

porque foi sufocada entre dores e espinhos.

 

Quando desbravo o caminho do meio,

posso ter prazeres doces e altos deveres.

Quando encontro o oásis do equilíbrio,

posso ter luzes, sombras, anseios e virtudes.

 

Mas, a vida, geralmente, é um deserto.

Estamos numa ilha de pecados e ilusões,

cercados por vulcões e contos incertos.

Restam poucos poetas e corações.

 

Se quiser me corrigir, oh! vida,

corrija-me depressa e com amor.

Não me corrija assim tão irritada

como se eu fosse uma criança mimada.

 

O ser humano carrega a alma cansada pela vida,

e o espírito ferido por essa jornada tão brava.

Por que nós perdemos a empolgação da adolescência?

Por que nós perdemos a criança e a sua inocência?

 

Não seja assim, oh! vida!

Tão sarcástica e tão sombria!

Na aurora do tempo, dos nossos dias,

não há espaço para palavras vazias.

 

Como adultos, vivemos sozinhos e resilientes,

esperançosos, cansados, atrasados e melancólicos.

Entre ginásticas mentais tão diplomáticas e negócios,

precisamos expor verdades como crianças vitoriosas.

 

No caminho do meio, eu passo entre luzes e sombras,

amores, dores, livros, leis, seriedade e brincadeira.

Não sou a adulta perfeita nem pretendo a luz total,

caminho para alegrar a criança interior com um ideal.


Por trás do terno e da gravata, existe um menino.

Por trás de toda advogada, uma menina justiceira.

Por trás de um adulto sério, uma criança sonhadora.

Por trás de um caminho, montanhas inteiras.


Entre o sonho e a seriedade, o real e o ideal,

ensine a sua criança a ser feliz no presente.

Colha flores e espalhe novas sementes de amor.

O futuro é o encontro da alma com a verdade interior. 


Poesia escrita por Tatyana Casarino.





Essa poesia indica o conflito entre o sonho e a realidade. Os versos apontam o caminho do equilíbrio entre as luzes e as sombras do espírito humano. Contudo, além de buscar o equilíbrio, é preciso acolher a nossa "criança interior" e acender o brilho da esperança na alma para uma vida íntegra e plena. Quando acreditamos no nosso ideal novamente, podemos espalhar sementes de amor pelo mundo. 


Tatyana Casarino. 


*Fonte das imagens: Pinterest.